A tempo do amor






     
Mais um dia de aula para mim, que yupi! Não acho certo perdermos tanto tempo das nossas vidas presas em um espaço apertado com outros tantos jovens com saúde e talento para serem desperdiçados com outras coisas que não com ouvir professores falarem e falarem. Para piorar eu estudo de manhã e a chance de eu estar caindo de sono antes da primeira aula é mais alta que a de gato cair de pé.

Ainda tento lutar contra a demência do sono quando entro na sala de aula, mas logo desperto quando me deparo com Benjamin o garoto a qual perdia horas em devaneio. E quando o vejo tenho um despertador mais potente que um balde água seguido de um choque. – Desculpa não queria te assustar com a minha feiura.
– Diz ele com um tom brincalhão. Até parece logo ele o garoto mais lindo que já conheci. – Bom dia! Você me pegou desprevenida chegando cedo hoje – digo rindo. Ele sempre chegava atrasado e achei a oportunidade certa de falar com ele e tentar me soltar mais, porque o que me impedia de toda vez falar com ele era minha timidez perto dele. "Será que ele notava meu nervosismo?" O problema era que eu desconfiava que ele tinha uma queda pela minha colega de sala, a Maria Clara. Ela era bonita, engraçada e segura de si, diferente de mim. Em falar nela acabou de chegar, sentou-se perto de mim, e sem mesmo ela pedir, Benjamin se prontificou-se a falar da matéria e dar o seu caderno sem ela ter pedido nada, ele tinha todo cuidado com ela. Que desgraça....

           Ao decorrer da aula o professor passou um trabalho para gravarmos um vídeo falando cinco coisas positivas do nosso país e cinco negativas. A entrega seria já na semana que vem e o professor mesmo se encarregou de escolheu os grupos. Já ouviram falar em carma? Então....

 – Maria, Carol e Benjamin aproveitem que estão sentados juntos e façam o trabalho vocês três.



****

 Não podia reclamar tanto do destino. Se eu teria de aguentar a Maria no meio da gente, teria a chance de conhece-lo um pouco mais e quem sabe me notar? A grande desgraça nisso tudo era que resolvemos filmar na casa do Benjamim, porque o pai dele tinha uma câmera legal e os pais dele não deixavam ele filmar sem eles. Será que isso me ajudaria? Ou fariam dos dois mais próximos? Enquanto a Maria não parava de tagarelar eu o olhava como se fosse o último homem do planeta. O mais bizarro é que me distrai e quando voltei a atenção ele olhava na minha direção, mas a Maria estava tão próxima que não dava para saber pra quem ele olhava, bom pra mim que não deveria ser.... Chegando em minha casa ligo a internet e começo a mexer no meu celular e lá vejo que tinham já me adicionado em um novo grupo do WhatsApp. Por que as pessoas fazem isso? Será carência? Antes de surta resolvi ver que raio de grupo era esse e foi então que percebi que era um grupo do trabalho que iríamos fazer. Um grupo entre eu, Maria e Benjamim. Espera, Benjamim estava no grupo? Me levanto da cama e minha mão começa a tremer, entendem o que isso significa? Agora eu tinha o número dele, só não pedi antes a ela por que não queria que ninguém soubesse que gosto dele. E olha só quem já estava digitando no grupo. “Carol, blz? Falei com a Maria Clara e lembrei que tenho uma câmera boa em casa, dos meus pais, daí vc e a Maria podem fazer o trabalho lá, td bem?” Nessa hora perco o fôlego de tanta emoção. Ele não só falou antes, mas se direcionou a mim, somente a mim! Agora era hora de segurar a emoção e não estragar tudo sendo precipitada. “Por mim tudo bem, vamos ver se ela fica online para confirmarmos”

Não sei se ela tinha sentido o cheiro de ciúmes, mas foi só eu digitar que ela entrou e sem muito o que contestar ficamos definindo o assunto que abordaríamos no trabalho entre outros detalhes.

      

****

Outro dia se passou e fomos juntas à casa de Benjamin. Na boa, por mais que quisesse estar sozinha com ele ainda não tinha essa coragem, não naquele momento. Com os três reunidos, nos sentamos na sala. Estávamos ajeitando as coisas para a gravação, eu e Maria Clara sentada e ele de pé. Bom, até o doidinho ter a maluca ideia de se sentar no meio de nós duas, mas acho que era para que tivéssemos a mesma atenção. Só que enquanto o que eu falava ele respondia de maneira estranha e olhando para o chão, ela podia chutar sua canela que ele beijaria a perna e rolaria de rir da situação. Estava todo animado por ela estar ali. Sabe, tem coisas que só um olhar apaixonado consegue ver e eu percebia que ele trocava palavras e se enrolava perto da Maria toda vez que estava nervoso, e ela por sua vez não parecia interessada nele, eram amigos. Mas que diabos, eu gostava dele, ele gostava dela e ela de algum tonto que provavelmente gostaria de mim, que novela!

          Na hora da gravação nos apresentamos e ele a abraçou no final, agradecendo pela ajuda dela enquanto comigo ele nem estendeu a mão. No momento que ele fez isso o celular de seu bolso caiu e eu quem o peguei. O mais engraçado era que a tela estava acesa e aberta numa conversa. Uma conversa com a

Maria Clara!

“Oi, Maria, tudo bem”?

“Oi tudo ótimo, e vc”?

“Tava ótimo, mas poderia estar perfeito”.

“Você muito bobo”...

 “Sou bobo mesmo, principalmente porque sei que uma tal menina ai que eu gosto não gosta de mim, sabe”.

“Nossa! Benjamin eu não quero te magoar dizendo todas aquelas coisas novamente, mas agora eu já

Nem sei mais o que te dizer”.

“Mas vc pensa que eu vou desistir assim tão fácil de conquistar? Tá enganada”.

 Eu fiquei olhando aquilo e não aguentei mais. Cretino, quer ficar com ela então que fique!

Me levantei com o rosto inchado e queimando, prestes explodir

 – Eu vou embora, não posso mais gravar – Ando rápido tentando esconder meus olhos com lágrimas. Ele vem correndo atrás de mim, agora queria consertar? Será que eu dei a entender o que sentia por ele e agora era a hora do fora amigável? Do discursinho somos amigos, mas você está confundindo as coisas? Ou não sinto o mesmo dessa forma, mas isso não quer dizer que não queria sua amizade.

     No corredor enquanto saio andando ele me puxa segurando em meu braço.

– Eu estou saindo do grupo é melhor só você e ela ficarem juntos, tudo bem? Faço o trabalho sozinha, tchau!  – Engraçado como me despeço, mas não me mexo. Ele olha para mim e arqueia as

Sobrancelhas fazendo até uma careta.

 – Carol, porque você ficou assim de repente? – Diz ele enquanto enxugava minha lágrima.

– Não foi nada, eu só estou com dor de cabeça.

– Não é isso, para você sair daquele jeito, me fala eu fiz alguma coisa que você não gostou?

– A verdade é que você abraçou a Maria, conversou com a Maria, riu com a Maria, tudo é Maria e agora essa conversa do whats de vocês, sabe? Cansei! Cansei de sonhar...– Não! Não! Não! Tonta, burra, idiota, agora acabou.... Discurso da amiguinha, ai vamos nós!

– Pera, deixa eu entender, você não gostou que do que eu conversei com a Maria?

Nesse momento Maria Clara em pessoa chega. Era só o que me faltava...

– Vocês estão bem?

– SIM! Pode nos dar licença? – Era a primeira vez que via Benjamim irritado. Acho que ela percebeu, mas o engraçado que ela riu, nem braba estava, o que eles estavam aprontando?

– Calma Don Juan, só estou avisando que meu pai chegou e estou indo embora. Boa Sorte! – Ela se afastou e fui em direção a ela. Estava para sair com ela quando Benjamin pegou em minha mão.

– Temos que terminar aquela conversa.... – Não queria admitir, mas ele estava certo. Nos despedimos da Maria que me olhava rindo de novo, maldita! Na próxima arrebentaria ela! Entramos na

Casa e fomos até o sofá. Me sento com os braços cruzados e perna tremendo. Era hora do show!

– Como posso começar... A Maria é somente a minha amiga – Confirmou Benjamin

– Eu sei, não precisa me explicar, eu sei que você gosta dela e....
   – Claro que preciso eu não quero te ver triste, e não, eu não sou afim dela. Mas eu queria saber o que você sente por mim?

– Não gosta? – Me espanto! – Não é o que o seu whats disse....

– Oi? Você leu a conversa inteira?

– Inteira? – Naquele momento a dúvida me preenche. Tinha visto apenas as mensagens que eram mostradas na tela, nada mais. Teria algo que eu precisava saber?

– Vou te mostrar a prova – Ele pega o celular e mostra toda a conversa que ele e Maria Clara tiveram. Começo a ler até que chego na última frase que lembro de ter visto.

“Mas vc pensa que eu vou desistir assim fácil? Tá enganada”.

“Qual é o seu plano”?

“Fazer ciúmes nela, eu acho que ela pensa que eu gosto de vc kk”.

“Está bem, eu te ajudo, só topo pq já to cheia de ouvir vc falar de Carol, pra cá, Carol prá lá e mais Carol Haha”.

Largo o celular e meu corpo congela. Ele.... Gostava.... De mim....

– Eu gosto de você sempre foi, eu achava que você não gostasse de mim por isso tinha medo de te contar.

– Eu também.... Sabe de uma coisa, sempre quis falar isso, mas todo dia que te vejo basta um sorriso seu para eu ficar feliz, e o que sinto só consigo traduzir.... – E repentinamente ela é interrompida.

– Você me beijou? – Ela colocou a mão no lábio, enrubescida, mas muito feliz.

– Há quanto tempo eu sonhava com esse beijo!


    Alguns dias se passaram era um final de semana Carol tinha sido convidada para ir a um casamento. Na cerimônia enquanto a noiva passava em nosso meio com aquela música vi Benjamin do outro lado olhando para mim com o sol refletindo nele, foi uma cena linda jamais esquecerei. Mais tarde na festa a noiva jogou o buquê, mas ele foi parar no colo de Benjamin, ele acabou me dando as flores e nós rimos muito, sentamos a mesa e ficamos abraçados ele me deu um beijo na testa falou – ficamos juntos e com quem realmente amamos a tempo de que perdêssemos um ao outro por medo bobo.

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