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Ciclo do coração

    




     Eu me lembro do meu primeiro pensamento, foi de surpresa, via pessoas rindo comendo salgados e sentia um cheiro de cimento do qual eu gosto e tijolo, dentre os que mais gosto como os de chuva molhada. Era a primeira semana dos primeiros dias de aula na faculdade em que eu estudava licenciatura. Tinha uma pessoa da qual eu não sabia como iria reagir quando encontrasse, só sei que não sentia mais algo por ele, mas ainda sim lembrei que ele estudava no mesmo lugar que eu. Era uma terça feira dia da aula das 16:h. Eu estava junto com a minha amiga esperando do lado de fora a outra aula acabar para entrarmos. De costume esperávamos a aula na porta, agora ajeitando meu cabelo preso e meio desarrumado por estar cansada já da última aula. Um colega nosso de outro curso queria nos apresentar alguém para minha amiga e eu. Eu não queria conhecer ninguém. Eu estava despreocupada, mas ainda sim me incomodou um tiquinho o fato do meu cabelo esta desarrumado, mas ao mesmo tempo não estava mais ligando tanto para essas coisas, afinal. Ele nos apresentou, assim que o amigo dele saio da sala ao lado de onde estávamos. Ele foi tão antipático. Disse “oi gente” acenou com o braço e saio andando, sem nem ao menos olhar para o nosso rosto. Fiquei sem reação e com uma expressão de desentendimento, nem ao menos apertou a nossa mão, quando eu iria abrir a boca nem saiu sons.
Depois disso soubemos que não iriamos ter aula, fomos para o outro lado da faculdade falar sobre o acontecimento de hoje, eu e minha amiga ficamos revoltadas, só que mais da parte dela, porque fingi ficar revoltada de brincadeira, pois nem estava com cabeça para isso, mas de fato eu disse claramente não tinha gostado dele, mas nos perguntando porque o nosso colega queria apresentar alguém assim e para que? Concordarmos em chama-lo de mal-educado.
            No dia seguinte encontro um menino que eu conhecia no corredor. Não seria difícil já que ele era do mesmo curso que o meu. Uma parte de mim queria encontra-lo para ver como eu me sentia e também mostrar de alguma forma o que ele tinha perdido. Ele foi um menino que eu sai apenas uma vez e com ele eu também tive o meu primeiro encontro, mas que me prometeu algodão doces, magia e purpurina, mas que depois de semanas ele ficou estranho e não queria me dizer o porquê.
            Final de semana chega e eu sair com a minha amiga para ir ao playtory minha amiga avista ele com uma menina, achamos estranho, mas pensamos ser uma prima, uma amiga. Quando chego em casa pergunto para ele quem era e ele me diz que era sua namorada. Ora, depois de algumas semanas depois de sair comigo ele já estava namorando? depois de dizer que estava apaixonado por mim. Ele me contou que uma menina do passado tinha aparecido dizendo pra ele que não era apenas amizade que ela sentia por ele e sendo ela alguém de quem ele gostava a muito tempo. Ele ficou em dúvida e eu facilitei as coisas, decidi eu mesma sair disso, mas no fundo ainda tive esperanças dele perceber que estava confuso e que gostava de mim, talvez só quisesse ter tido a consideração dele ter me contado.
            Bom passou-se um tempo e ele veio se desculpas e na verdade ele tinha terminado com a namorada. Confuso, complicado, mas foi essa a história triste que me magoou, mas que depois passou. Eu pensei que ele seria a última pessoa que eu iria conhecer antes de encontrar o meu amor , mas não foi, porém penso estar cada vez mais perto. Ao mesmo só não queria conhecer mais ninguém
            Depois de um semestre cansativo como sempre, consegui lidar com isso bem e quase não o encontrava pelos corredores da faculdade. Finalmente chegaram as férias, finalmente!!!

Mas no meio das férias sempre tem aquele momento que o tédio chega e nisso não tinha ideia mais do que inventar para fazer, até tinha, mas não tinha vontade de nada.
Minha amiga e eu nos falávamos frequentemente pelo telefone, todos os dias ela me ligava e eu para ela, só que mais ela para mim, pois eu mandava mais mensagens escrita. Sempre desabafamos uma com a outra, sobre tudo na vida inclusive sobre as questões amorosas e pela primeira vez cheguei a dizer que não acreditava mais no amor. Não acreditava mais nos homens. Misturando isso com o tédio a situação só piorava. Minha amiga por sua vez e por nunca ter me visto assim, não queria me ver triste. Ela por melhores das intenções disse que queria me apresentar alguém, que na verdade essa pessoa tinha puxado assunto com ela. Eu logo recusei por achar que ele estivesse interessado nela. Minha amiga nunca foi de me apresentar ninguém e eu sempre gostei de alguém que conhecia sozinha, mas ela parecia realmente querer me animar, então eu fiz uma aposta de quem em troca eu também apresentaria alguém para ela.

Depois de alguns dias, por telefonema eu fiquei curiosa acabei perguntando quando ela iria apresentar a tal pessoa. Ela me disse que ele era aquele garoto que o nosso colega nos apresentou. Eu não lembrava muito bem dele, mas lembrava da situação. Ela disse que ele era um bom garoto e queria me apresentar, pois lembrava o meu jeito de ser, de falar. Aquilo me convenceu um pouco. Passou-se uns dias ela finalmente me adicionou em um grupo com nós três e me apresentou a ele, mas ainda sim disse só um “oi” em forma de figurinha de um anime e ai eu tentei interagir, mesmo ele não me dando muito atenção pra mim, mesmo eu sem vontade, sem mais forças e coração. Fizemos uma call os três jogamos um jogo de adedonha online. Quando iniciou a ligação, eu mal falava só escutava eles conversarem, implicâncias e brincadeiras. Começamos a jogar, mas por minha internet ser ruim, sempre caia a ligação e eles acabavam ficando somente os dois na ligação. Então minha amiga me retornava e eu voltava, depois caia de novo.

– Minha internet toda hora ta caindo

– As vezes é o roteador. Dizia ele.

– O roteador é novo. -Digo rindo. - Acho que não vou poder jogar mais, gente- Eu dizia isso já querendo sair da ligação.

Quando finalmente desligo a minha amiga me pergunta o que eu tinha achado dele.

– Olha amiga a voz dele?

– Ah, não achei nada demais. –Dizia desanimada – Mas ele parece ser legal. Porque você não dá uma chance?

– Hum porque você não tenta? Perguntava ela pra mim.

– Vou desligar já. Beijos.

            Passou alguns dias e a minha amiga parou de insistir na ideia minha com ele. Então eu perguntei se eu poderia adicionar ele na rede social e ai ela deu todo o apoio. Apesar de tudo achei ele legal e quem sabe ter um novo amigo. Ele me aceitou no mesmo dia e começou a me seguir em uma outra rede social no mesmo dia. Aquilo me animou além de ter achado uma atitude que contribuiu. Eu pensava “acho que finalmente ele percebeu o que a minha amiga estava tentando fazer”. Além, de ficar feliz pela minha amiga estar feliz por mim. Eu queria que ela me visse mais animada. Um dia tomo a iniciativa de comentar e chamar ele. Minha amiga mais um vez me dá o apoio e claro falando de mim para ele de forma sutil.

Ali começamos a conversar ele e eu. Ele dormia cedo e eu realmente não acreditei nisso, mas já estava já sobre o aviso da minha amiga de que ele dormia cedo, mas de algum forma aquilo se tornou um desafio para mim, que se caso ele conseguisse dormir tarde falando comigo isso significaria que eu era importante de alguma forma para ele. Bom como esperado ele se despediu de mim com um boa noite. No dia seguinte eu não queria falar com ninguém, não fazia questão e já não esperava que realmente ele iria falar comigo. Até que recebo um bom dia. Mandei para a minha amiga o print e ela ficou implicando com a gente, mas não queria transformar aquilo em nada, era só amizade e, não eu não estava me fazendo de difícil. No final da noite a minha amiga me liga e sem ela perguntar eu disse que estava falando com ele o dia todo, conversas meio malucas e áudios e eu sendo maluca também, nos damos bem de forma rápida. Nesse momento eu percebo como isso tinha acontecido? eu não queria conversar com ele, mas conversei o dia todo. Achava que ele não continuava as coisas que eu falava e mudava de assunto, achei sem assunto a princípio.
Deixei para lá e não nos falando mais, mas mais uma vez com a ajudinha da minha amiga ela faz uma ligação pra nos três e ai conversamos como os três mosqueteiros, nos tornamos o trio de amigos. Até eu ele sozinhos começamos a nos aproximarmos cada vez mais e mais. Meu número ele já sabia e quando ele desligou do telefonema ele me mandou uma foto do pé dele com quatro meias por conta do frio, mas até ai ele tinha mandado para a minha amiga também. Em seguida ele mandou foto de uma piada da qual eu não tinha entendido, mas ao mesmo tempo rir. Ele me explicou.  Depois levou algum tempo para que nos falássemos de novo.


            Era o dia das mães e ele tinha me mandado feliz dia das mães, lembro até hoje dessa nostalgia. Logo fui perguntar a minha amiga se ela tinha pedido para ele falar comigo, mas não, ele apenas falou comigo por livre e espontânea vontade. As coisas estavam indo bem, eu gostava da companhia dele, ele parecia gastar da minha, mas não tinha sentimentos e já previa que quando eu tivesse ai que as coisas dariam erradas e iriam ficar complicadas. Minha amiga vendo que eu estava começando a ficar encantada foi averiguar mais sobre ele. Ele tinha passado por um relacionamento duradouro na adolescência e só veio a desmanchar quando estava na faculdade, uau!. Por isso dele ter nos cumprimentado daquela forma fria quando foi apresentado pra nós, pois ele também não queria conhecer ninguém, mesmo não precisando nos tratar daquela forma. Nisso ela pediu para eu ficar atenta, mas acho que já era tarde.
            Fomos a um Karauke os três juntos e cantei “Speding my time da Roxette” e na parte que cantava:
“I thank the lord above
That you're not there to see me”

Olhei pra ele e lá estava ele com os olhos grudados em mim.
Minha amiga perguntou o que ele tinha achado e ele disse perto de mim e parece testar a reação dele.
– Linda, linda demais a voz!

Nos olhamos bem um nos olhos um do outro e parecia uma luz me acendia toda vez que falava com ele, ou falava sobre ele. Quando vi que ele estava no palco não tirei os olhos dele, Ah, aqueles olhos indescritíveis. Me perguntava se ele tinha vindo mesmo só me assistir? E lá no palco ele cantava uma música da qual não conhecia, mas ele fazia palhaçadas desafiando. Por outro lado ele cozinhava e se amostrava por isso, mas quando ele foi me mostrar a torta de limão, ele ficou nervoso por isso, pela minha aprovação. Percebi que ele falava a palavra cinema sem pretensões de só levar. Ele pediu pra eu ficar tranquila que nos instante que que virasse a cabeça e ele não iria tentar algo. Cada vez mais gostava das nossas conversas, cada vez mais gostava da sua voz, cada conversa e desabafávamos e falávamos de como estava sendo nossas vidas maiores de idades e morando na casa de nossos pais. 
            Eu tinha mania de cheirar meu cabelo e colocar no nariz como se fosse um bigode, até que um dia ele me viu assim. Imediatamente tirei e ele começou a rir, mas ele chegou e botou novamente a mecha de cabelo no meu nariz e aquilo me fez sorrir por uma semana.
Mensagens chegavam do tipo “Eu lembro do meu primeiro pensamento foi vc” e eu corar, foram surgindo e ficaram recorrentes e reciprocas.
Até que paramos de nos falar. Eu disse que eu não conseguia ser apenas uma amiga e chamei ele de idiota e mais eu disse para ele nunca mais falar comigo. Só que isso durou um mês, parece pouco, mas foi muito.
            Ele disse que sentiu a minha falta e chorou em uma ligação. Sabendo disso ela viu que eu também queria falar com ele e fez a gente voltar a se falar nessa ligação que ele me fez. Voltamos a amizade e sei que ele pularia na piscina por mim, por que eu não sei nadar. Ele me salvaria e me protegeria com tudo que pudesse, isso eu sei.
            Acordei com um aperto no peito fui tomada por essa dor, que na verdade já vinha me incomodando a dias pedi para a minha mãe me levar para o médico porque eu estava sentindo uma dor no coração. Fui ao médico e ele disse que eu não tinha nada, então porque aquela dor persistia, até que o cardiologista me perguntou, na cara dura, se eu estava apaixonada e foi ai que a minha mãe descobriu. Eu me sinto uma adolescente por estar sentindo isso pela primeira vez.
            Dançamos na festa junina juntos. Tarde e noite inesquecível, dançamos e rimos, comemos e nos apaixonamos cada vez mais. Dançamos tanto naquela noite de festa junina.
Sim ele ficou até de madrugada conversando comigo por mensagem. Yes!!! consegui!
Dissemos eu te amo sem querer pela primeira vez. Parece que saiu sozinho e eu disse que amava falar com ele. Em uma conversa ele disse que amava essa pessoa de quem eu era.
Quando nos despedimos acidentalmente demos um beijo inesperado, éramos amigos, tão inesperado, mas foi tão natural, mas eu gostei. Acanhados viramos os rostos. Não sei dar nome ao que estou sentindo. Esse sentimento é terra estranha em que eu nunca pisei, em que nunca estive.
Em mensagem conversávamos coisa como:
– Não confio em pessoas que preferem a “Rachel e Ross” como casal favorito.
Nossos flertes eram diferentes. Ele nunca foi do tipo de pessoa que eu iria gostar antes, mas conforme mais fui o conhecendo mais me apeguei a ele e no seu jeitinho maluquinho, carinhoso e cuidadoso comigo. Alguém fã de Leonado de Caprio e que tinha zelo por mim.
            As coisas foram acontecendo e eu tinha certeza que algo mudou dentro de mim, eu não sei o que é amar, mas tava aprendendo com ele, nunca disse essas palavras antes, mas com ele tenho vontade de falar “Eu te amo”. Eu finalmente percebi que sentia algo especial, mas de fato comecei a gostar dele agora. Pulei nos seus braços pendurada nele alegre em ve-lo, fomos a praia em que uma farpa entrou no meu pé e ele tirou, teve dias de cólicas, cabelos despenteados, suor, cecê dele, dias de surtos entre muitas outras coisas. Fizemos um dia de spar juntos de máscara verde de limpeza de pele e tudo.
            Ufa! Quatro anos se passou nos casamos. Que loucura, deixar o meu quarto, a minha família em direção a algo completamente novo, mas com ele eu não tinha medo, com ele eu conseguia pensar no futuro, talvez pela minha idade, mas com ele conseguia me imaginar assim.
Casei com o vestido dos meus sonhos e com a pessoa dos meus sonhos.
Lua de mel, uma viagem. Antes de mais nada, fizemos a cama de trampolim. Admiro ele cada vez mais.
Dias que ele chegava em casa com buque de flores e eu esperava ele com uma camisola diferente. Já que eu chegaria antes em casa, eu tinha passado em um loja e tive uma ideia.
Dias que ele só trouxe uma flor e dias que eu esperava ele de pijamas confortáveis com estampa de animais fofinhos, mas que mesmo assim me parecia atrair ele. Tinha impressão que ele achava que eu era perfeita mesmo nos meus dias mais estranhos.
Dias de cafune e televisão tomando chocolate quente na sala assistindo animes, terror etc. Dia de uma noite perfeita em casa com chá gelado, besteiras, manta, dia chuvoso e de frio.
Dias do montador, encanador flagrar os dois no quarto.
Era muita paixão.
Dias de comermos sushi fora da validade e termos dor de barriga juntos.
Dia de comprar um filhote de cachorrinho.
Dia que pela manhã antes dele trabalhar beijava minha barriga já dando uma dica do que ele queria e ali ficamos nos amando antes dele ir trabalhar. Parecia que só bastava ele me tocar e nos apaixonávamos todos dos dias mais uma vez.
Dia de ciúmes fofos.
Dia de cozinharmos juntos e de te lambuzar de doce. De me abraçar pelas costas. De me cortar com a faca e você beijar para curar. de te encher de beijinhos.
De dançarmos juntos em frente a janela.
Dias de pensarmos em nós dois velhinhos

Mas nem sempre são momentos felizes,
como dizem que nem sempre de flores será a vida.
Também teve dias de espinhos.
E chegou o dia que estávamos discutindo e choramos.


Dia de brigar e não conseguirmos nos comunicar.
O dia que o filhote ficou doente e acordamos pela madrugada para levar para clínica no dia 1 de Janeiro.
O dia que meu pai ficou doente.
O dia que sua vó estava bem velhinha e se foi.
Os dias de vídeo game e aposta de quem perdesse iria lavar a louça. Dessa vez você  não me deixou ganhar e realmente tive que ir lavar.
Dias tensos, Dias intensos. Dias de preguiça e desanimo. 
Dia que chorei sozinha.
Dia de ansiedade.
Assim como com os nossos pais cada um teve seu momento de conflito, agora como casadas e que se amam, nos tínhamos conflitos e as vezes não concordávamos, mas assim como respeitamos nossos pais, é assim também no nosso casamento. Não podemos pensar que ao casarmos tudo vai ser perfeito e que nunca terá momentos difíceis. A vida continua e não é nada fácil.
Dias que acudir ele com o rosto dele dentro do vaso, batendo nas costas de leve e depois eu ficar enjoada junto. De eu ter ânsia e não conseguir e ele pegar meus cabelo e segurar.
Teve dia de saudade. Dia de dúvidas. Dia de contas pra pagar. Dias de dificuldades.
A beleza da vida mora ai...Que acontece em dias comuns.

            Desde o momento que eu soube que ele era tão doce, amável carinhoso, que gostava do carinho da amizade dele, mas eu não esperava sentir o que sinto hoje por ele, ele sabendo disso foi muito mais sensato e me viu como alguém valiosa. Ele via um futuro melhor pra nós dois assim. De fato gostou da minha amizade, mas sentia também que não era só isso.
Eu orava e continuávamos a amizade o que nos fazia bem, mas não sabia até por quanto tempo. Ele dizia gostar de mim, ter zelo por mim, e quem ele protegia, mas não admitia o sentimento.

Isso foi um sonho meu. Guardei essa espera por ele e a sensação daquela lembrança. Tudo que eu senti e não aconteceu.

Nós continuamos a conversar e ele começou a namorar alguém de repente. Isso se repetiu depois de anos com outra pessoa que eu gostei e depois com outra pessoa. Soube que eles terminaram e nunca mais nos falamos, até que soube que ele começou a namorar de novo outra pessoa. Pessoas confusas machucam outras.

Sou sempre o aprendizado de alguém, mas nunca o destino, é eu sei como é. Talvez esse tipo de amor pleno e raro que sonho esteja em falta ou me esperando na virada da próxima esquina finalmente pra mim e quem sabe viverei tudo isso.

Coração de papel






     Quando criança por volta dos cinco anos eu tinha ido um posto de saúde porque eu estava passando muito mal e com febre. A vista dos ipês era linda, mesmo sonolenta e febril eu podia ver. Nesse dia lembro de quando acabei de ser atendida e via várias crianças no lado de fora do posto e uma câmera da TV com um repórter apontado o microfone para a minha mãe fazendo pergunta sobre a saúde pública. Ao final ele me cumprimentou e perguntou o que eu faria se eu ganhasse um milhão de reais. Eu sorri com um sorriso de uma criança envergonhada tem e pensei em uma resposta. Lembro que me senti pressionada em responder algo maduro ou iriam brigar comigo e levei bem a sério a pergunta porque ele tinha feito a pergunta de um jeito sério. Então eu disse que eu compraria biscoitos, foi isso que respondi. O câmera ao lado riu e depois o repórter me entregou dois pacotes de biscoito e eu não tinha entendido o porquê, só lembro de olhar pra minha mãe e perguntar se eu poderia aceitar. Ela só pediu que eu agradecesse. Ele foi o meu primeiro amor, tão gentil.
            Na época fizeram uma entrevista nos postos de saúde sobre a importância da vacinação. Essa entrevista em que a minha mãe passou a tarde na televisão, mas eu acabei perdendo por estar dormindo devido ainda estar me recuperando de estar doente. Lembro dos três beijos que te dei, talvez quatro, cinco na minha mãe e meu pai, sempre amorosos da qual tiveram que partir mais cedo.
Minha mãe em um certo dia precisou ir para o hospital e não voltou mais. Até hoje não sei ao certo o que aconteceu porque o meu pai não me disse e me deixou em um orfanato, mas dizem que ele também não está mais vivo.

            Estou com 21 anos agora e eu moraria na casa da patroa dessa amiga da minha mãe. Eu a chamava de tia e ela tinha uma relação conturbada com seu marido e sabe relações assim deixam as pessoas sensíveis, além dela não ter condições de sustentar uma desempregada. Nessa casa havia uma família composta por um pai e uma mãe que eram muito ricos e por isso talvez eles tivessem tantos filhos ao todo cinco, o curioso é que eram todos homens e hoje seria meu primeiro dia nessa casa.
            Assim que entrei no carro dos pais, saindo do orfanato, nenhum dos garotos olharam muito pra mim. Dali fomos ao supermercado, daqueles que tem vários atendentes de caixa e prateleiras altas. Hoje era uma tarde chuvosa de sábado e o supermercado não estava lotado e por lá mesmo os pais me apresentaram. A senhora Helena, a mãe, começou a se apresentar enquanto olhava agitada as caixas de cereal.

- Emmica, temos agora mais um membro para família então viemos correndo comprar comida para rebe-la, você pode ficar a vontade de escolher o que quiser. Pedro vai com ela e ajude, ela está envergonhada.

- Bem, apresente os meninos. Dizia o pai que se chamava Ernesto.

- Esse é Hayden, Pedro, Felipe, Augusto e Cackto, quer dizer é o Carlos, é só apelido. Eu sei que ta todo mundo euforico para te conhecer então tive uma ideia a cada sessão um de vocês guiar a Emicca. Certo?

Eu consenti.

O Pedro parecia alguém meigo e sentia que ele seria meu confidente.

- Pode escolher não sou eu que vou pagar. Pedro dizia enquanto colocava as mãos no bolso.

- Por isso mesmo fico sem jeito, o que vão pensar de mim?

- Que você é alguém que ta com fome ué.

- Ta bom, né

Peguei vários biscoitos da fileira. Era a comida que eu mis amava.

Pedro era o penúltimo filho mais velho e tinha a mesma idade que a minha.

 

Agora eu estava na fileira do macarrão com Hayden com o filho mais velho.

- E ai?

- Oiii.

- Vamos escolher o que você quiser. O que você quer jantar?

Eu fiquei em silêncio só observando a fileira enorme de variedades.

- É verdade que você vai ficar lá em casa?

- Sim, por enquanto. –  Respondi de qualquer forma – até que ele deu um sorriso pra mim e mais ninguém. Minha tia conversou com seus pais. Eles chegaram a falar de mim?

- Sim, eles ficaram muito empolgados. Sempre quiseram ter uma menina. Vai ser como a princesinha deles se prepara. O resultado você já ta vendo. Ele deu uma piscadinha.

 

Agora eu estava na fileira dos produtos de higiene com o Felipe o filho do meio o adocente.

- Bem-vinda, Emmica!

- Obrigada!
- Vamos lá escolher.

Ele não me fez mais pergunta alguma e fiquei muito à vontade com ele. Felipe só ficava no celular enquanto me esperava escolher o que eu precisava.

 

Agora na fileira de sucos com Cackto com o filho mais novo.

- Oi, e ai?

- Oii

- Olha vou te mostrar um suco que eu me amarro.

- Qual?

Ele abre a caixa com o canudinho.

- A gente não pode consumir algo antes de pagar.

- Claro que a gente pode, meus pais pagam depois ali no caixa. Pode beber pra experimentar. Como você vai saber se gosta?

- Hum é bom mesmo. Parece uma bala que eu gosto, pera tenho aqui na bolsa. Quer uma?

Ele balança cabeça assustado.

- Não, obrigada.

- Ta bom então!

- Eu preciso chegar rápido em casa, tenho que estudar sabe. Você já foi pra escola?

- Sim eu já fui.

- Tenho que estudar pro meu curso de inglês is very important, depois ainda treinar tênis é muito corrido o meu dia e depois ainda ligar para a Monica.

 

E por último com Augusto na fileira dos frios sendo ele um dos filhos do meio também.

Fiquei esperando ele no início do corredor, mas cadê ele? Fiquei procurando e esticando meu pé para enxergar e procurar sobre os congeladores do mercado onde é que ele estava. Até que uma mão me cutucou e me deu um sustinho.

- Ah Oi! Eu dizia depois do susto.

- Eu já estava vindo, estava acabando de falar umas coisas com a minha mãe. Vamos lá?

- Eu não sei o que escolher muito aqui nesse mercado. Tem tantas cornes aqui, talvez um nuggets!? Em fim.

Ele riu.

- Nuggets é bom! Depois quero que me conte como é morar no orfanato. Eu sempre quis saber. Deve ser legal!

- Ah claro eu posso tentar falar um pouco, só não é tão emocionante como nas novelas.

Meus avós não eram mais vivos e meus parentes não moravam próximos de mim. O único que fui procurar eram primos da minha mãe, mas os parentes do meu pai acho que nem sabiam que ele tinha tido uma filha. Apesar de ser maior de idade eu não tinha emprego e nem pra onde ir. A ideia seria trabalhar pra essa família, mas na verdade pareceu uma adoção.

            Ás 22:00 voltamos pra casa. A senhora Helena me levou até meu quarto e me prometeu que no dia seguinte iria me mostrar todo o restante da casa. A princípio ela me mostrou onde era a cozinha em que a minha tia trabalhava e a dispensa onde colocamos as compras do dia. No meu quarto ela mostrou meu closet enorme que mal eu tinha roupas para preencher. Ela me mostrou a suite e a janela enorme. Em cima da minha cama tinha roupão de banho. Ela me deu um abraço e me desejou boas-vindas mais uma vez.
            Na primeira noite achei ter visto um fantasma porque aquele quarto parecia muito grande pra mim. Eu tava com medo, mas não tinha intimidade com nenhum do meninos para pedir ajuda. Até que a porta bate, eu abro e era Pedro.

- Já vai dormir?

- Pois é eu estou um pouco cansada.

- Ah! Essa sacola minha mãe pediu pra te entregar. Você esqueceu, são os seus produtos de limpeza.

- É porque aqui no banheiro já tinha tantos.

- Toma!

- Pra falar a verdade eu não tava conseguindo dormir. Aqui ficou muito escuro e é enorme.

Ele liga a lâmpada.

- Dorme de luz acesa.

- Obrigada, Pedro.

Ele se vira e vai embora com aquela com aquela blusa laranja gasta e parece surrada que ele tava o dia todo e entra para um dos quartos que ficava no meio desse corredor com os demais quartos, como se fosse um hotel

Um detalhe que descobri foi que alguns foram adotados quando criança e cresceram como irmãos. O Hadeyn, o Pedro e o Cakto, ou seja, o filho mais velho, do meio e o mais novo eram filhos legítimos. Me pergunto se eles queriam ter uma menina porque não adotaram uma antes.

            Na manhã seguinte fui pega tomando café da manhã com o cereal que comprei no dia anterior, mas o que eu não sabia era que teria uma mesa de café da manhã esperando por mim até a minha tia me avisar. Não queria fazer desfeita, mas eu já tinha tomado um copão de vitamina de banana. Fui para a mesa e sentei ao lado de Hadeyn que era muito gentil e me deu um guardanapo da qual segurei e agradeci. Começamos a comer e vi o meu reflexo em um alumínio na mesa, minha boca estava com espuma de bigode de banana. Passei o guardanapo imediatamente e entendi o porquê ele tinha me dado um guardanapo.

- Onde você estava, querida? Perguntou Ernesto o pai.

- Ah é que eu acabei tomando café da manhã mais cedo. Não sabia que teria outro. Eu sorri sem jeito.

Todos ficaram em silêncio.

- Ah ela não sabia. Dizia Helena a mãe.

- Com o tempo você vai se adaptando a rotina. Todos aos Domingos nos reunimos para comermos juntos de manhã é um costume da gente mesmo. Completou o Ernesto.

- Eles são ótimos, acho que sou eu que to me sentindo assim, sentindo pena de mim mesma, talvez eu não me encaixe. Desabafei com a minha tia horas depois do café da manhã.

- Você só ta insegura.

- Né?! Talvez sim. Eu tenho que achar um trabalho porque eles não vão me deixar trabalhar aqui na casa como você faz.
            Era final de tarde enquanto a senhora Helena estava na cozinha mostradno opções de novos cardápio para a janta. Cackto e Felipe estavam na escola, Hayden tinha ido trabalhar com seu pai na empresa de advocacia. Pedro na praia e Augusto em casa fazendo sei lá o que remotamente. Eu estava em frente ao notebook mandando currículos de trabalho. As inscrições pro vestibular já tinha passado, então vejo valores de universidades particulares e vejo na mesma página um anúncio de curso de fotografia da qual eu amava, mas não podia me dar a luxo. Dou uma pausa. Tem momentos que valem a pena reviver porque tem fins de tarde que são mais especiais. Termina em um tom alaranjado e damos boas-vindas ao anoitecer. Com a luz apagada do meu quarto, sinto na janela aquele vento gelado de outono e saltavam sobre meus olhos as cores daquele dia especial, mas não sabia exatamente o porque. Eu não sou muito de poesia, mas poetizei agora. Fecho a janela do quarto, pois começa a ventar muito forte naquele tarde e começou a chover de repente em seguida.
Faltou a luz em casa toda fica um completamente um breu. Eu não sabia que em casa de rico isso acontecia. Já estava de noite e tudo beirava a escuridão total. Eu não me sentia bem e não conseguia me mexer no escuro. Não ouvia a voz de ninguém do lado de fora da casa, nem dos dois cachorros enormes no jardim. Hoje fez muito calor durante o dia e agora estava sufocante.

Alguém subiu no meu quarto e pediu para eu descer, pois estava muito calor. Ele entrou e encostou no meu rosto e viu que eu estava suando.

- Vem vem logo sai daí e desce com a gente

- Eu não consigo.

- Deixa eu prender seu cabelo? E ai ta melhor

- Uhum

Balancei a cabeça e disse que sim. No meio na escuridão nos olhamos e consegui ver que era Pedro que estava falando comigo. Esses olhares não devem ter levado um segundo, mas pareceu congelar naquele momento. Ele se aproxima e nossos rosto e ficam muito próximos, mas ele pareceu não perceber. Ele assopra meu rosto, eu me afasto. Então faço o mesmo e guardei discretamente meu olhar do seu rosto.

- Não, eu não preciso descer eu to bem aqui.

Mas ele fez pouco caso do meu pedido e me levou escada abaixo

- Filho, leva ela ao médico.

- Eu cuidarei de tudo. Os médicos não tem tanto interesse como a gente.

Eu fui levada para a varanda onde tinha uma cadeira de balanço de madeira de frente para o jardim. Pedro pede para o pai ligar o farol do carro enquanto eu estava com as pernas bambas e ele me segurava enquanto eu estava deitada respirando o ar fresco de fora.

- Você é médico?

- Não. Eu sou enfermeiro, mas... espero nunca te ver lá. Dizia ele com a sua voz grave da qual ele parecia não ter noção que tinha.

- Eu to começando a me sentir melhor agora. Obrigada!

Todos em volta preocupados se acalmaram.

Pedro ficou ao lado de fora comigo enquanto a luz ainda não voltava.

- Sua mãe disse que ela não tinha te pedido que levasse a bolsa do mercado. Perguntei a Pedro.

- Que?

- Eu só queria te agradecer por ter me ajudado.

De longe ele não era um dos meninos que me deixavam sentir mais confortáveis, mas era o que me ajudava mais.

- Eu entendi. Exclamou Pedro.

- O que? 

- Saquei que você tem medo de escuro.

- Todos nós temos medos normal!

- Eu não sou psicólogo, mas me conte mais sobre seus pais.

Eu dou um riso torcido.

- Bom eu acho que não sei o que é ter e perder, eu só sei não ter. Sobre os meus pais, ficar menos triste não quer dizer que eu esqueci, mas sou profissional em sofrer. Quando lembro das Sextas-feiras, lembro da delícia de cada momento em cada conversa mesmo tendo 5 anos. Eu me sentia feliz comigo mesma.

Ele me escuta atentamente com a testa franzida e parece entender mesmo ele nunca ter passado por isso.

- No orfanato me chamavam de... retraída...sonsa, o que mais? ah bicho do mato, lezada, tapada... e me excluíam de tudo e depois inventavam uma fofoca de que eu tava faltando aos serviços de limpeza e as meninas nem me avisavam quais dias que elas iriam juntas. Na época eu nem falei que deveria ter uma ata pra assinar, mas a diretora ficou ao lado delas mesmo não dizendo com palavras. Era a minha palavra contra cinco delas. Botavam a culpa ainda em mim de que eu não tinha falado sobre o que meu incomodou e não comuniquei.

- É inveja. -Dizia ele depois de todo o desabafo e eu sorrir-  As vezes as pessoas tem dificuldades em acreditar que alguém podia ser bom pra eles, acham que você vivia de aparências e no mundo da lua. As vezes torcemos tanto para um momento ruim passar, mas viver é isso, é passar por momentos bom e ruins. Talvez mais ruins do que bons, mas quando olharmos pra trás vemos que conseguimos e continuamos e é realmente aproveitar o processo, é como uma festa de casamente, a festa passa rápido o melhor são os preparativos, sabe?

Eu fiquei um pouco chocada em ver Pedro falando tanto e se expressando, mas não posso confundir amizade com alguém que gosto de conversar só.

- Sabe o amor é muito mais imperfeito do que pensamos, do que a paixão, por isso é difícil amar. Meus pais tem uma história linda e sabe porque? O que faz ser linda? Foram as dificuldades que enfrentaram lado a lado. O fruto do amor deles que formou uma família e por mais que eles briguem eu comecei a enxergar assim. Tem amores que você ama alguém, não pra ficar junto, só por amar. Quando é unitaletal e você nem liga se não te escolher, aquele amor só vai existir independente. Existiu assim e era o meu avô, mas ai é outra história.

- Já eu quando não fui escolhida eu fui malcriada.

- Então acho que com os seus pais e a sua história é assim.

Naquele momento eu comecei tive um arrepio e admiração pela forma que ele pensava. Acho que esse foi o momento que eu me apaixonei. Eu já havia pensado nele, mas hoje olhei pra ele diferente demais, acho que comecei a conhecer ele de verdade.

- Eu aprendi agora que os dias caóticos são os mais bonitos, tem uma certa beleza depois que passa, principalmente se vividos ao lado de pessoas especiais. As vezes também realizamos sonhos em momentos caóticos ou aparecem pessoas em tempos assim.

Após eu ter dito isso eu rir pra ele e ele riu de volta. Ele riu comigo, ele riu de mim, ele riu dele, mas disfarçava querer rir mais, como se tivesse uma postura a se presar. Ele pigarreia com a garganta colocando o punho fechado na boca e virando pro lado na tentativa no que parece de disfarçar algo que eu tentava enxergar.

– Você é alguém cheio de vida apesar das dificuldades. Qual é o seu sonho? A luz de repente volta e todos comemoram. Nós entramos naquela noite e o medo todo do escuro passou já desde que conversava com Pedro.

            Na manhã seguinte eu fui ao quarto de Hayden perguntar que horas seria o café da manhã, mas acabei vendo Pedro no quarto dele de shorts e sem blusa dançando em frente ao espelho. Ele me vê e fica surpreso, mas... me puxa para a dançar no meu dia mais mau humorada com meu cabelo e pela vergonha do dia anterior.

Eu engasgada – Ah eu...pensei que o Hayden tava, aqui é o quarto dele?

Encostado na porta, sem desviar o olhar. – Pelo visto, alguém estava perdida pela casa.

Tentando me explicar – Eu não estava... quer dizer, eu estava, mas só me confundi.

– Você é hilária.

– Então se prepara que você vai rir sempre.

– Você vai sair?

– Vou, só estou com dúvida na roupa. Pedro me segue até o meu quarto.

– Essa ficaria perfeita em você

– Ah, não sei...tenho medo de ficar sensual demais.

Ele rindo – ah você ta falando sério? mas você não é sensual.

– É sério

– Prova pra eu ver vai.

Cruzando os braços – Tá vendo? Essa cara que eu não queria ver.

– Que cara?

– Essa cara de bobão.

Você acha que é só botar uma roupa assim e ai as pessoas vão se apaixonar por você, Emicca? Para de besteira.

            Nesse dia fui resolver algumas coisas e fui até o local do curso de fotografia para ter mais informações. Cheguei lavei o cabelo e desci para comer algo antes da janta encontro com Helena e ela me sugeriu que eu começasse a dar aulas particulares de reforço escolar para ao Davi e que ele estava com dificuldades em matemática.
– Queria que você aceitasse de coração.

– A senhora é muito gentil comigo.

– Foi o Pedro que deu essa ideia e eu achei maravilhoso.

– Sério?

  Ah ele sempre fala de você.

Ainda estática, quando me movi acabei deixando um vaso que parecia caro cair no chão e fez um barulhão. O marido dela aprece perguntando o que tinha acontecido? Que mancada depois de uma bondade dessa eu deixo cair algo da casa deles.

Davi desce as escadas correndo e pedem para ele não tocar, mas tarde demais ele acaba se cortando.

– Estão quebrando a casa? Pergunta, Augusto de cima da escada.

Cackto, nem desceu do quarto, deveria estar com fones de ouvidos e jogando no computador.

Hayden, chamou a minha Tia para ajudar a limpar e nesse momento ela olha pra mim sem entender o que tinha acontecido e não perguntou nada.

Quando tento ajudar na limpeza ouço uma voz ao fundo dizer algo abafado.

– Deixa ai, deixa ai, você vai se cortar, mas também vocês deixam tudo na ponta das mesas, assim não tem como não esbarrar. Dizia Pedro sem olhar nos meus olhos depois de chegar em casa um pouco nervoso.

Nesse momento eu não sabia o que fazer já que eu ao menos não poderia ajudar limpando.

– Me desculpa, eu posso tentar reembolsar de alguma forma.

Todos faziam silêncio e pareciam não me culpar, mas eu me sentia assim, então sai correndo chorando, sem deixar que vissem. Tem vezes que a gente chora por dentro, mas não escorre para fora. Hoje foi esse dia.

 

            Paralelepípedos, subindo escadas e descobrindo ruelas escondidas amava ter essa liberdade. A temperatura a das melhores, céu límpido e um cheiro suave de tempo bom, sabe? Daquelas que parecem marcar nossas vidas, nos envolvia na rua quando eu voltava para casa depois de mais um aula particular de matemática para outro criança. Quando cheguei em casa Pedro me olhava, mas eu fingia não notar.

 

– Não foi todo esse transtorno que você imaginou, normal. Deixa as coisas caírem porque você ficou assim me fala?


 Eu não sei.

– Mas eu percebi.

Sinto que com tinhamos formado essa íntima amizade especial. Eramos como uma família agora e ele conheceu uma parte da minha loucura que não era por ter conhecido, sobre meu medo de escuro e ficar triste por deixa as coias se quebrarem.

– Queria  te fazer uma pergunta se por acaso você não gostaria de sair um pouco? Pra você se animar.

– Tipo encontro?

– Já que você falou, é isso.

– Mas somos como família agora isso iria pegar bem?

– Então eu sugiro um encontro de mentirinha.

Eu tive que rir

Então essa tarde mesmo nós fomos pegar um cinema. Fizemos como se morássemos em casas diferentes e nos encontramos lá pra não estragar os elementos surpresa.

 Que foi?

– Só to fascinado. Seu cordão ou melhor colar, seu brilho labial, seu arco.

Olhei para frente e alguém vestia o mesmo conjunto que o meu e Pedro percebeu meu olhar.

 Não se preocupa em você fica melhor.

Eu tapava o rosto.

 Olha só eu e os outro caras, tudo de calça igual a minha. Não esquenta com isso.

Entramos no cinema e tava tudo bem até a mesma menina do conjunto igual ao meu sentar na poltrona ao lado, mas ignorei.

Enquanto víamos o filme que era para ser terror, acabou sendo engraçado, romântico, mas emotivo, pois era o último da franquia.

   E você o que você passou que foi triste? Eu perguntava curiosa por seu passado.

   Acho que eu nunca estive com quem realmente eu gostava ou admirava, ou queria estar ao lado. Eu tive tentativas e claro doeu, mas a pessoa que eu mais gostei não foi alguém que eu namorei. Então na vez que eu chorar, quando pensar que terei que dar adeus a alguém ai vou saber que realmente amei. Das outras vezes eu não conseguia chorar.

Eu conseguia enxergar por trás daquelas palavras quando ele dizia só coisas breves e o que ele disse agora. Era contagiante a sua personalidade, me pergunto quem não se apaixonaria por ele a começar a observar ele. Notei que meu coração já não andava igual do jeito de como cheguei na casa.

 No final do encontro fomos pra mesma casa, mas fingimos nos despedir.

   Obrigada por hoje, Pedro.

   Que tipo de homem eu seria se lhe desse menos que isso?

 Conheço e não... e conheço.

 Ou? Pergunta ele

– É brincadeira só conheço você.

Eu parecia toda desinteressada durante o encontro e sabia o que poderia estar no esperando nos próximos passos. Continuamos nos olhando e antes e esperar por um beijo, eu espero por um olhar apaixonado e consegui ver esse brilho.

Mas sugiro um beijo de mentirinha também. Então dou um beijo no rosto dele, mas como se fosse nos lábios por ter feito do seu rosto assim, e ele fechou os olhos sentido que aquilo não era um beijo no rosto qualquer.  Eu me afastei levemente. O que eu não esperava era que ele devolvesse o beijo na minha bochecha, da qual deixou até babado o meu rosto e ele se desculpa e nós rimos, mas os arrepios eram reais.

Nos subimos juntos e nos despedimos novamente no corredor de nossos quartos. Dessa vez senti o seu beijo no meu rosto a caminho da boca. Só que a senhora sua mãe/ minha madrinha aparece e ele me puxa para dentro do quarto.

 

 Não mereço um beijo? Pedro perguntava.

– Por ter me salvado?

– Uhum

 Um beijo com ternura?

– O que?

– Nada, eu viajei. Nós rimos com estranhamento que minha frase causou.

– É difícil arrancar risadas genuínas de mim, mas você consegue e eu me encantei por isso por isso.

– É que eu não consigo pensar muito perto de você. Boa noite!

– Boa noite, Mimica.

Eu volto a olhar pra ele.

– Seu novo apelido.

O melhor da vida geralmente acontece quando a gente menos espera, no meio da rotina, em um dia comum, foi assim que encontrei ele. Despercebida ele estava bem ali.

No dia seguinte.

– Eu estava pensando em você.

– Eu também pensei

– Eu senti sua falta... sabe eu tava querendo falar com você sobre a gente e ontem.

– Eu também senti sua falta.

 Porque você ta repetindo tudo que eu to falando?

Eu nunca tive uma melhor amiga, nem amigo e porque eu entendi o amor tantas vezes de outra forma que quando apareceu, eu não sei reconhecer.
            A minha nova família seguia feliz com a minha vinda a está casa, na presença de sua única filha menina. Minha tia não tinha acesso a informações sobre o paradeiro do meu pai. Na vida muitas vezes ficamos sem saber de tudo... Quem sabe algum dia saberei.

O amor tem dessas



Certa vez chamei a minha professora da especialização do curso de administração pra sair. Ela explicava tão admiravelmente eu ia animado todas as vezes assisti ela e se me perguntassem qual era a minha intenção, era conhece-la melhor. 


Pra minha surpresa ela aceitou então fomos da aula até ao shopping tomar algo. Ela começou a falar, eu comecei a ouvir. Depois de alguma horas ela continua falar eu a ouvir, eu continuei a ouvi, mas senti que estava em uma sala de aula.

— É um pouco mais problemática você percebe? 

— É...

— Então se você quiser anotar pode pegar seu caderno fique a vontade. Podemos falar dos conceitos a partir das as tomadas de decisão.

Será que eu acidentalmente a chamei para ser minha explicadora particular?


Sai do encontro cansado.
De repente confundi admiração, por querer conhecer ela.
Talvez eu seja o pior cara do mundo, agora, mas fala ai isso faz parte dela... talvez ela não queria mais sair comigo porque não conseguiu responder nenhuma de suas perguntas intelectuais. 

Na próxima aula nós vimos. Entrou em sala e olhou pra mim séria. Ao final eu a cumprimentei


— Quando vai ser o próximo encontro? 

— Que tal agora depois da aula? 

Mais uma vez ela continuou falando e falando sobre estudo, teorias e até que agora consegui responder algumas perguntas.


Foi assim durante meses... 


Provavelmente ela passa tanto tempo dando aula que só consegue falar disso... mas acabei que gostando de ouvir por horas ela falar de algo que gosta. Tem algo de charmoso nisso.


Até que um dia, em um encontro, depois da aula algo novo surgiu.


— Isso me faz lembrar de uma vez que...  — A expectativa era grande em poder saber algo a mais sobre dela.  Bom foi na sala de aula, um aluno me perguntou se eu era uma aluna.

Ela sorriu ao ter essa memória mesmo sendo de sala de aula de novo. Depois voltamos a falar da matéria.


Com o tempo ela disse de outras memória, sobre um assunto de lembranças, veio assunto da infância e nos conhecendo. O amor tem dessas.

Gosto do acaso




Acabo de chegar para uma visita ao dentista na manhã por volta das 11h. Eu estou no 9° andar do prédio esperando no consultório a minha hora de ser chamada para ser atendida. Minha mãe falava tanto desse dentista ser bom, falava que ele era um ótimo profissional e que ele era excelente pessoa, doutor Sebastian para lá, doutor Sebastian pra cá... não sei porque as pessoas falavam tanto dele, até mesmo uma amiga me indicou, sendo que eu já tinha marcado uma consulta com ele, fora que eu estava acostumada com a minha antiga doutora. Enquanto esperava via sentava do meu lado direto uma mãe e uma filha juntas conversando, do meu outro lado uma mulher lendo revista, a recepcionista assistindo TV e atendendo ao telefone e do outro um rapaz entretido jogando vídeo game no celular e enquanto a mim, eu estava no meu celular anotando todas as coisas que eu tinha para estudar, depois mexi no Instagram.
            Logo mais chegou um homem pai e esposo das duas que estavam a minha direta. Ele trazia um lanche para a sua filha e eles conversavam e brincavam pareciam ser uma família feliz, aquela união me fazia lembrar da minha. Com o tempo de espera pôr ouvir o que falavam ouvi dizer que eles já tinham viajado, o pai fazia piada da filha, e eu estava ali sozinha no dentista esperando pela minha vez, pois eu já não era mais aquela adolescente que via na menina, eu era uma moça adulta, por mais que não parecesse pela minha aparência e tinha que está ali sozinha, mesmo a minha mãe ter me levado no primeiro dia. A gente vai percebendo pelos sutis acontecimentos e passando pelas crises dos vinte e poucos.

De repente eu sou chamada pela recepcionista para entrar, – Eleonor, por favor pode entrar na sala.

Ao entrar na sala senti um cheiro forte, conhecido como cheiro de hospital.

– Bom dia, senhorita, Eleoo...nor, certo?
 – Sim.

– Na verdade, boa tarde, né!... então vamos lá. Está tudo bem, você usou aparelho por quantos anos?
  Seis anos eu tirei faz uns seis meses, doutor!
– Uau bastante tempo, talvez não precisasse ficar tanto tempo assim, seus dentes não pareciam ser algo muito grave. Certo! vamos fazer a limpezinha então?

Balancei a cabeça assentindo, na verdade eu tava ali pra isso, mas ele começou a bater papo como se eu pudesse responder enquanto estava com a boca aberta e água jorrando em mim e no intervalo ele pedia para eu cuspir a água fora. Chegamos ao final da limpeza que durou cerca de 15 minutos de sofrimento. Ao final da consulto mesmo um pouco sem jeito eu digo:

– Sinto muito pelo seu avô.
Um suspiro foi a resposta por um instante.
Ele parecia não esperar por essa fala.
Fiquei sabendo, pois não pude deixar de escutar as enfermeiras comentando que iriar fazer as consultas somente até a 13:h por conta do falecimento de seu avô.

– Pra ser sincero nós já esperávamos. Dói mais quando é de repente, mas ele já estava doente, já era algo que nós esperávamos. Em seu rosto havia marcas ao gosto do tempo.
Eu só ouço e balanço a cabeça. Que incrível! Ele mal poderia esperar que senti um impulso de admiração por ele quando percebi sua fala suave ao ouvir aquelas palavras.
– Como você se sentiu a respeito de mim?
Eu estranhei a pergunta distraída em meus pensamentos.
– Ah você realmente é um ótimo profissional como dizem. Muitas pessoas me indicaram o senhor.
Ele abriu um sorriso genuíno animado

– Excelente! Eleonor, então até a próxima ou até breve! Ele bateu uma continência simpática acompanhada de uma piscadinha, mas não ia ter uma próxima era só essa limpeza e pronto.
– Até! –Digo até poucas palavras–. Bom trabalho! Eu gaguejo – digo baixinho, mas ele consegue ouvir.
 – Obrigada, minha querida!

              Estando ainda no meu celular volto meus olhos para cima e reparo ao meu redor, quando sinto como se fosse uma tontura, sinto o chão tremer, sentia que eu não poderia me segurar em nenhum lugar e que aquele prédio queria nos tirar dali de dentro de tão forte e intenso que foi o tremor. Eu poderia abaixar pra proteger a minha cabeça. Da porta do elevador eu volto para a porta do consultório. Sinto meu coração bater como se me pedisse pra... voltar naquele consultório mais uma vez para ver o doutor, mas que sensação pode ser essa?

            Quando estou chegando perto da minha casa eu vejo dona Firmina, vizinha do prédio da cobertura e patroa da minha mãe. Nesse momento ando em passos largos me escondendo dela. – Ufa. Olho da fresta do muro na entrada. Olho para trás e tudo certo! Levo um susto quando vi que ela estava me espionando e disfarço estar fugindo.

– Está tão linda hoje, como sempre! Diguinho e você combinam tanto.

Combinamos é? Ela sempre insistia para eu sair com o seu filho desde que a minha mãe começou a trabalhar em sua casa como faxineira e quando estudamos juntos no fundamental. O Dieguindo era mentirosinho, sabe pro meu gosto, ele contava cada história que não dava para acreditar e uma delas era que saiu várias meninas do prédio. Pra piorar ele tinha mais de 30 anos e só andava com turma de vinte e poucos anos, não gostava de compromisso, seja amoroso ou de trabalho. Passava o dia todo no bar. Era um cara mimado e vivendo até hoje com a sua mãe e a custas delas esse é pior.

 Eu to trabalhando ainda todos no shopping, finais de semana e feriado também.

Primeira vez via a Firmina com lágrimas nos olhos.

– Me desculpa minha, senhora! Eu fico séria sem reação só olhando para ela enquanto ela chorava.

Até que outro dia estou minha mãe me ajudando a escolher uma roupa para o encontro, ela dizia para eu usar uma roupa com cores, mas eu nem tinha nenhuma rosa e tirar o rabo de cavalo baixo, óculos e mudar a roupa, pois eu usava sempre a mesma de sempre. Eu cheiro a blusa.
– Mas não está com cheiro ruim. Qual o problema?

Minha mãe achava uma boa ideia já que conhecia a mãe dele e eu sabia quem ele era afinal era meu vizinho. Aliais ele usava no dia do encontro uma blusa do time de futebol. Eu detestei.

– Ta brincando, né?
– Posso estar. Se estiver achando engraçado. Dizia ele com suas piadas sem graça

Chegamos e nos sentamos no restaurante.

– Desculpa chamar você pra almoçar e ficar todo tímido assim. Dizia ele sério.

 – Não, ta tranquilo! Com olhos sem vida continuei o encarando.

– Você já namorou? Dispara ele.

– Não, na verdade eu nunca.

– Uau em um século desses alguém ainda não namorou.

– Porque não acredita que eu nunca namorei? Eu sou romântica eu quero ser uma romancista até. “que irritante” eu pensava.

– Você?
– Mas porque você é tão difícil de conversar isso é um paradoxo na minha vida.

– Pra falar a verdade eu nunca tinha me apaixonado, mas agora eu estou. Dizia ele.
– Já sim só que todas as vezes é diferente.

Ele torceu o pescoço de leve para trás surpreso como a minha resposta, como se ele tivesse perguntado é você Eleonor que está falando isso?
– Ei não vem com esse papo furado. Digo já sacando onde ele quer chegar.

– O que? Ah, sim entendi. Você se apaixonou por mim, não é? Como pode ser tão rápido assim.

– Eu? Eu não.

De forma inesperada ao longe eu podia jurar que era o Dr. Sebastian entrando no restaurante. Quando ele anda em nossa direção. É ele! Eu ajeito minha postura da coluna e aliso o cabelo com as mãos. Ele cumprimenta Dieguinho o que foi algo estranho, eles pareciam amigos próximos, algo mais inesperado ainda.

– Opa, Olá? Dizia Sebastiam
– E ai, cara?! Disse Dieguinho.
– Boa tarde, Eleonor,  é minha paciente, nos vimos recentemente lá no consultório não foi?.
– Mesmo sim foi, quer dizer sim foi mesmo, doutor. Balando a cabeça assentindo.
Diaguinho olha pra mim como se tentasse decifrar algo.
Em seguida aparece uma garota ao lado dele pegando o seu braço. Simpática e sorridente ela nos cumprimentando e logo depois se despedem para suas mesas e desejam um ótimo almoço para nós.

– Eu preciso da sua ajuda. Diz Dieguinho.
Eu faço uma pausa pensando no que iria responder.

– Como eu iria poder ajudar você?

– Então é dela que eu to afim. Sei que gostou do doutor e é ai que você entra. Ele é um conhecido meu, digamos próximo, eu posso te ajudar com ele. Eu posso te ajudar a seduzir ele. Ele sorrir maleficamente.

– O que? Ele namora? Fico com semblante triste. – Isso é errado! Você sabe disso, a aproposito porque pediu para sair comigo?

– Tá legal e daí. Você sabe nossas mãe acham uma boa ideia. E sim vamos ser ser oportunistas.
– O que?

– É isso não se aproveitar das pessoas, claro! mas das oportunidades. Nós só iriamos ser um casal de amigos de outro casal e tentaríamos convencer do contrário. De que ela tem que ficar comigo

Fiquei lembrando de Sebastian na única vez que vi ele.

– Isso é loucura... mas eu vou topar.
Dieguinho mal acredita nas minhas palavras e fica animado.

– Eu só não sou muito bom em ser romântico.

– Eu vou ensina-lo. Eu dizia enquanto tentava furar o copo de milk-shake.

Ele olhava pra mim parecendo querer rir e me zombar de mim, mas se segura deixando visível.

– Sabia que para você furar a garrafa é só tapar a parte de cima do canudo. – Dizia ele dando dica enquanto abria o meu copo de milk-shake de forma prática. – Daí você consegue furar prendendo o ar.

– Ahhh Valeu.

Aff porque ele faz parecer tão fácil as coisas?

Cheguei em casa com um sorrisinho no rosto chamado esperança mesmo sabendo ser errado tentar conquistar Sebastiam. Minha mãe logo pensou que fosse por conta de Diguinho e eu deixo ela pensar que sim.

            Na manhã seguinte acordo mais uma vez depois de um sonho sobre estar casando, mas eu não via quem era, não conseguia ver o seu rosto. Levanto, lavo o rosto e vou mais uma vez trabalhar, isso incluía segunda a domingo de 9:h as 18:h, mas o encontro por um lado valeu a pena. Minha mãe na cozinha estava fazendo café, sento na mesa para conversar com ela e vejo suas roupas furadas para sair e de usar em casa e meu pai quando me pediu par ajudar para instalar um rádio no celular reparo só aplicativos de empréstimos, de aprovação para limpar nome, aplicativos de loja da qual foi aprovado carnê, de bancos da qual foi negado o pedido de cartão. Eu já sabia, mas percebi o quanto estávamos necessitados e muitas vezes chamados por trás de pobres coitados, por mais que eu não mostrasse a tristeza e nem eles, mas eu precisava confiar no processo e que sairíamos dessa um dia.
            Mais uma diz de trabalho na piscina de bolinhas na parte de recreação do shopping onde eu trabalhava. Até um casal de crianças eu conheci eles me contavam que a história de amor deles que começou no parquinho em meio a uma guerra de bolinhas dentro da piscina de bolinas. Também conheci pais solteiros que levaram suas crianças para brincar e acabaram se conhecendo. Enquanto eu só queria namorar um rapaz com a personalidade do um Golgen retriever e escrevia e mandava DM para um cantor famoso por quem eu tinha uma paixonite no chat pra fãs dizia ser uma seguidora, mas também alguém que o admira muito e mesmo sem retorno eu dizia querer ser uma romancista um dia e que iria escrever sobre ele. Na hora do meu intervalo eu paro em uma vitrine de roupas caras e vejo um manequim, mas percebo que estava se mexendo. Eu levo um suto quando percebo que era um homem e um menino provavelmente seu filhinho fazendo brincadeiras na loja. Ele parecia um CEO de terno e gravata em meio ao um shopping. Eu sorrio de longe ao ver a cena eles se divertindo.

– Não se mexa – ordenou o cara misterioso. Quando olho assustada pra trás.

– Me desculpe, senhorita! Pelo susto. Eu só sou um pai brincando de vitrine. Esse é meu filho, Kaique.

– Oi, Kaique! Tudo bem? O menino ficou encantado pelo me uniforme colorido e chamativo. E um xauzinho tímido com olhos brilhantes foi a reposta do menininho.

– Vou levar meu filho para brincar lá qualquer dia. Que tal filho?
– Vamos adorar recebe-los por lá. Me desculpa minha hora do almoço já terminou eu tenho que ir voltar pro trabalho. Até mais.

– Antes só queria desejar que você tenha resiliência.
Eu agradeço com um sorriso sem mostrar os dentes e meus olhos quase encheram de lágrimas.

Uau! Que bonitão ele! Pensava no caminho.


 Indo para casa eu pego um ônibus com um motorista muito grosseiro que diz para eu entrar logo dentro do ônibus. No caminho eu acabo dormindo com a cara para o vidro pegando um vento forte e ao espirrar sinto alguém do meu lado fechar as janelas. Quando abro um de meus olhos vejo que o rapaz do meu lado estava acordado e depois quando acordei pode definitivo deu a impressão que ao me ver dormindo do lado ele dormiu também.

– Já chegamos? O rapaz perguntava
 Diguinho?
– Eleonor?
– Não vai dizer que não sabia que era eu?
– Eu só estava com frio e fechei as janelas. Eu queria falar mesmo com você. Vai rolar uma festa sábado e adivinha? Eles vão estar lá. Você ta afim de botar nosso plano em prática?
– Você me seguiu só pra perguntar isso? Eu bocejo.
– Eu realmente vim ao shopping comprar uma calça pra ir na festa.

– Tudo bem eu vou.

– Ótimo! Dizia ele empolgado.

– Ótimo. Dizia enquanto bocejava mais uma vez. – Você precisava comprar uma outra blusa; talvez ela não tenha se interessado ainda porque usa a mesma blusa de time sempre.
– Quem fala você vive com a mesma blusa azul clara social jeans também.
Eu olho pra mim mesma
– É verdade!

– E se você soltar o cabelo
Ele tira a xuxinha do meu cabelo preso sem minha permissão
– Ei não faz isso. Me devolve.
Ele olhava pro meu rosto de forma misteriosa parecia perplexo com algo. Ele me devolve a xuxinha rapidamente e sem dizer nada.

– Já te contaram que você é um chato!
– Só agora descobriu?
E descemos no mesmo ponto de ônibus e fomos para nossas casa dentro do prédio.

            O sábado chegou e nós dois também chegamos na festa. Antes disso me arrumei no banheiro do shopping depois do expediente. Chegamos ao local da festa e parecia tudo muito chique. As pessoas não se sentavam nas cadeiras das mesas, ficavam em pé conversando e comendo petiscos com champanhe. Eu usava um vestido preto, com salto e um rabo de cavalo de lado. Dessa vez alisei mais o cabelo e foi tudo que pude conseguir para ficar elegante. Parecia uma festa de alta sociedade para estudantes de odontologia, mas tinha todos os outros universitários lá. Diguinho usava um terno parecido com o que o CEO usava da vitrine.

– Posso ver o seu convite? Perguntava uma voz ao fundo.
– Posso ver o seu? Replicava Dieguinho.

Até que vi que era Sebastiam fazendo uma brincadeira e Vitória, a sua namorada, chegando à nossa mesa.

– Boa noite! Ele apertou a minha mão e me olhou profundamente de forma que até me deixava envergonhada e ela me cumprimentou no rosto com dois beijinhos de cada lado.

– Vocês estão lindíssimos! Dizia Dieguinho.
– Vocês que estão devo dizer. Eu estou feio perto de vocês.
– Conversa um pouco com a Vitória, meu bem! Dizia Dieguinho enquanto carregava Sebastiam para outro lado. Ele acabou de me chamar de meu bem? que vontade de morrer
– O que? Acabamos de chegar! Eu dizia sem muito entender.
– Eu que decido. Diz Dieguinho dando rizada.
– Você só decide só se você tiver vivo. Digo sorrindo e disfaçando.
– Essa implicância fofa entre vocês. Dizia Vitória que ri alto e eu levo um susto.

Enquanto isso ele ficou a sós com Sebastiam e eu com a Vitória.

– Como vocês se conheceram? Perguntava Vitória.
– A alguns anos. Minha mãe trabalha pra mãe dele e... Não sei como foi... só sei que foi assim! Que me apaixonei por ele. Sinto que posso contar com ele pra qualquer coisa até as mais malucas, sabe.

– Hum me conta mais.

– Ele é cuidadoso, preocupado, sensível, amigo leal. Eu rio sem graça e Vitória rir junto.
– A verdadeira beleza das coisas não serem perfeitas. Você entendeu tudo sobre a vida já. Dizia ela em um tom de sabedoria.
Enquanto eu tomava um gole de suco rosa admirando ela tristemente por ela ser legal e ter o coração do Sebastiam e do Dieguinho também.
– O que mais gosta de fazer? Ela pergunta
– Ah é Dormir.
Nisso ela fica em silêncio com a minha resposta.

Enquanto isso eles estavam conversando do outro lado da festa

– Como você descreve estar com alguém incrível ao seu lado? Perguntava Sebastiam

– Eu pergunto o mesmo. Trate ela bem. Mas bem vou te dizer sobre Eleonor, você não vai acreditar, nos conhecemos a muito tempo. Ela é daquelas garotas que no início muitos acham sem graça, usa a mesma roupa, é direta, porém educada, mas não é doce, mas conforme vai conhecendo ela tem esse lado, tem opinião, não é boa com palavras e é fechada, mas não é mau humorada, parece lerda, mas ta tudo bem pra ela, ela nem liga. – Ele rir. – Ela é adorável com esse jeito insípido.

– Uau só um olhar apaixonado é capaz disso.
– Mas eles dizem não, quero dizer é claro, mas você também vê isso nela, né.
Sebastiam rir.

Ao final da noite vi o casal se olhando e rindo juntos e eu respiro fundo pensativa. Dieguinho aparece atrás de mim também os encarando.

– Eu estava disperso, por um momento eu iria descrever a Vitória quando Sebastiam me perguntasse sobre a pessoa por quem eu estava apaixonado, mas eu acabei descrevendo você, acredita?... Na verdade é só porque eu queria só te ajudar e fiz isso bem. Fica tranquila ele vai pensar em você.

– O que? eu não escutei nada do que você disse.

Dieguindo aprumando-se olhou compreensivamente
– Entendo não querer ficar aqui sozinha e comigo, mas...

– Como você conheceu o Sebastiam?

– Então, bom ah!
– Perai eu to com uma dor, uma dor na barriga.

– Você tem um senso de humor descente até.

– Não é sério na verdade eu to com dor de barriga. Por favor me leva ao banheiro sonzinha eu não vou conseguir.

No meio do salão eu paro de andar
– Vai fazer nas calças agora?
O esforço para me manter calma me deixou atônita achei que ia desmaiar. Não me importei de parecer menos graciosa eu só queria chegar ao banheiro.
– Não fala isso pra mim agora, só me ajuda.
Dieguinho me pega no colo e sai correndo comigo. Chegando ao banheiro da festa havia uma fila enorme do salão de festa. Dieguindo se desespera ao ver que eu estava suando frio, pálida e decide entrar ao banheiro feminino com todas as mulheres reclamando por um homem ter invadido. Ele bate na porta do banheiro nervoso para abrirem e em fim consigo chegar a tempo.
– Vai embora! Grito de dentro do banheiro. As mulheres todas olham para Dieguinho e aplaudem e ouço os aplausos no final.

Já na rua de casa fomos caminhando pela noite passamos em frente a uma praça e continuamos andando em círculo.
– Acho que algo da festa não me fez bem, mas eu como de tudo, não sei o que pode ter sido. Talvez tristeza.
– Você podia só chorar. Dizia ele.
– Pois é.

 Foi na faculdade de odontologia. Eu parei de cursar no segundo semestre. Foi lá que conhecia a Vitória também. Eu gostei dela de primeira, mas ele quem conseguiu conquista-la.

– Você deveria ter perguntado se ela já tinha bebido água.

– O seu jeito de conquistar é esse?

– É a minha linguagem do amor, dizer isso no meu mundo é flertar.

Ele rir.

– Que foi? Perguntou ele
Eu abaixo a cabeça
Fiquei surpresa – eu rio– por eu não agir friamente quando falei de você também.

Ele olha pra mim de forma enigmática da qual eu não conseguia descrever.

Andamos mais um pouco pelas ruas e paro pra compra bala de uma senhora no sinal

– Ah não! dá outra vez fizemos uma parada e você comprou bala para ajudar outra moça.
Enquanto ele me olhava
– Fazer o que eu gosto de ajudar.

Trovoadas muito forte surgiram acompanhadas de ventos e chuva.
No meio da calçada molhada a caminho de casa fiquei descalça porque o meu salto arrebentou no meio da rua.
– Toma os meus sapatos.
– Não se preocupa uma senhora vende chinelos em um brechó aqui perto, eu conheço.
– Já disse pra você podia usar os meus sapatos.
– Não precisa é ali perto, já estamos próximos
– Ou você calça ou eu vou te carregar no colo de novo.
Ele insiste e eu acabo aceitando usar seus sapatos.

Chegando no brechó a senhora não tinha maquina para o pagamento no cartão, em pix ela não entendia usar, só em dinheiro. Pego na minha carteira o dinheiro, mas ela não tinha troco então eu levo uma blusinha do brechó para ajudar ela. Ela me dá uma sacola rasgada em um fio de fitilho enrolado como forma de segurar e eu agradeço.

Enquanto isso Dieguinho me olhava sem paciência.

– Se continuar assim vai falir.

Ele parecia ter dupla personalidade. Ele me levou até a porta de casa, mas dizia essas coisas.
A chuva já havia cessado um pouco.

– Obrigada por ter me ajudado hoje e pelo sapato e por...

– Você sempre agradece por tudo?

– Acho que sim.
– Vai lá. Entra agora.
– Boa noite!

Ele parecia genuinamente querer me ver bem, mas não para me conquistar ou querer agradar porque acha que deveria.

Mesmo sentindo dores nos pés, ele não tinha entendido porque agia assim. Quando chegou em casa riu por seu pé estar sangrando por ter machucado em algum lugar.

            Pela manhã eu acordo pensando, hoje eu vou esquecer Sebastian, tenho que fazer isso ai todo dia e todo dia eu fracasso nisso. Eu era mais feliz perdida em ilusões e fantasias por amar platônico por um cantor teen até hoje. Me arrumo para mais um dia de trabalho mesmo exausta.

Encontro Dieguinho na portaria e pegamos o mesmo elevador para descer.
Comecei a balbuciar algo que ele não ouviu.
– O que? Eu não ouvi.

– Você melhorou? Elevo mais a o tom da minha voz  – Quero dizer seus pés.

– Como você está? –Ele não responde, parece se importar mais comigo do que quando eu pergunto se ele estava bem e isso me irrita. –

– Bem obrigada.
Ele sai do elevador em silêncio anda na minha frente como se o dia de ontem não tivesse existido. Eu queria perguntar e agora? O plano? Mas não fiz isso.

Ele é aquele que parece frio por fora, mas manteiga derretida por dentro deve estar com vergonha de se mostrado daquele jeito pra mim. Ele é louco desbocado, totalmente contrário não sei porque estou preocupada. Ele olha pra trás e diz.

– Vem aqui rápido.
Eu andei rápido até ele.
– Ei não precisa correr.
 Mas eu nem corri, que irritante dele me apressando e depois dizendo isso.

– Decidi voltar a estudar.
– O que?

– Vou lá reativar a minha matrícula. Acho que agora eu consigo ficar mais perto dela assim.

– Mas pelo que conheci ela não vai te dar bola.
– Como é?

– Porque precisamos dizer que não estamos mais juntos. Desse jeito vai ser melhor para mim também.

– Tem razão ela é maravilhosa.
– É... e você parece mais sério ao lado dela.

– Eu falo com ela depois que não estamos mais juntos. Bom trabalho! Xau.

– E o doutor e eu? assim me quebra. Ele já estava indo na minha frente e nem me ouviu falar.

            Depois do dia longo de trabalho chego em casa e recebo a notícia que o aluguel estava atrasado cinco meses e poderíamos ser despejados e mais uma vez eles brigavam por meu pai estar devendo às agiotas.
Olhar a janela sempre foi meu ponto de paz e sentir essa tranquilidade é o que eu me lembro quando estou em um dia de turbilhão de coisas ou em uma semana e é precioso esse momento porque eu descanso de tudo e até de mim mesma e das minhas preocupações e cobranças. Eu sou muito mais do que demonstro ser, mas muito não vêem isso.

            Em meio aos caos que eu estava mais uma oportunidade chegou o casal havia nos chamado para a gente para ir ao cinema, mas eu digo que não posso ir.
– A gente aproveita e briga e depois falamos que terminamos. Dizia Dieguinho tentando me convencer.

– Você não disse que iria falar com ela?
– Mas surgiu essa oportunidade só mais uma vez.
– Tudo bem eu vou.
Mesmo não querendo muito ir.

Fomos ao cinema em um dia chuvoso pela tarde.

No meio da sessão. Dieguinho se esconde pra não chorar perto da gente ao vermos o filme dramático. Mesmo pensando que não tínhamos visto eu finjo não saber.
Saio para comprar algo para beber. No corredor do shopping encontro aquele homem bonitão de terno novamente, mas ele estava sem o filho dele dessa vez. Pela minha surpresa ele me reconhece e vem me cumprimentar com um uma batida de mão.

– Eleonor.

– Nos apresentamos nossos nomes da última vez?

– Se você sair comigo eu esqueço a dívida do seu pai.
Era um dos homens que cobrava dívidas.

Eu fico paralisada.

– Não entendo!

– É o seguinte seu pai está me devendo e eu sou um homem de negócios.

Ouço uma voz grave vindo atrás do homem de terno.

– Eleonor você estava demorando Dieguinho pediu para vir te procurar.

– O senhor é o namorado dela?

Sebastiam sentiu uma atmosfera estranha, mas não sabia ao certo seu eu o conhecia.

– E se eu for?

– Tanto faz. Só avisa ao seu pai que o acordo pode ser esse.

 Quem era ele?

 Eu tenho vergonha de falar um pouco sobre isso. Me desculpe.

– Tudo bem, mas você está bem?

– Sim eu to. Obrigada.

– Imagina! Volta lá pra sala de cinema eu preciso atender um paciente agora. Se cuida viu.

Quando voltei para sala ainda desnorteada vejo Dieguinho e Vitória rindo juntos do filme e ele a olhava de forma tão intensa e linda. Quando ele me viu ele apontou o polegar perguntando se tudo tinha dado certo. Só digo pegarei a bolsa e que iria embora.

– Eu preciso ir, Vitória.
– Tudo bem eu vejo o filme sozinha. Todos me deixaram.

– Não precisa vir comigo, aproveita e fala que terminamos por isso. Começo a chorar.

 To vendo que hoje é só problema. Disse ele relaxado quando ele me viu chorar. – Para de chorar se não as pessoas vão entender errado que eu fiz você chorar.

– Ele tem uma visão de mim que parou no tempo e toda garota já se apaixonou por um cara que viu no ônibus e eu por um dentista.

– Do que você ta falando, Eleonor?

– Se você não ta bem é só chorar, ouviu? Não precisa fazer algo que vá te machucar. Digo isso chorando. – Você machucou o seu pé por minha causa.

 Perai você não está bem, volta aqui. O que aconteceu? É pelo doudor? Ou você ta chorando por ter me visto conversar com Vitória? Ele perguntou com um certo retaguarda, mas com afago. – Esse último eu falei de zoeira.

– O óbvio, né. Ele percebeu que a minha resposta escondia algo. – É só que hoje ta dando tudo errado.

– Não fala isso, você estava com o Sebastiam, certo?

– Quero sair daqui

– Eu iria com você, mas é que não dá, o Sebastiam ta me devendo uma grana e eu preciso cobrar.

– Ele foi embora porque precisou atender na clínica. Você pode ficar sozinho com Vitória agora.

– Calma ai eu vou com você. Minha mãe disse que sempre que ver alguém chorando eu tenho que abraçar. Eu sabia que era decoração.

            No caminho ele compra um sorvete pra mim na saída do shopping e umas batatinhas e sentamos em um banco de jardim de praça, molhado de chuva, além de arvores com luminárias brilhantes em sua esfera, já a noite, e ao lado dos bancos havia grandes vasos de concreto de arranjo de flores
das quais não lembro o nome apesar de amar flores. Letreiro iluminado de um estabelecimento de uma cafeteria atrás de nós e que parecia vender um perfeito chocolate quente.

– Agora por que você está chorando de novo?

– Eu to chorando porque esse sorvete que você comprou pra mim ta tão bom. Sabe eu nunca mais senti esse gosto o sabor é diferente.

– Eu fico feliz que esteja gostando. Ele coloca a mão na minha cabeça e joga pra frente meu cabelo. O que me faz sentir como um filhote de Golden retriever da qual os donos fazem carinho na cabeça.

 Ele fez das batatas fritas como dentes de vampiro pra me fazer rir. Com ele nada é tão ruim que não se possa passar e suportar e as coisas não pareciam desestabilizar. Aliais eu não sabia. Ele sempre foi tão bonito assim? Ele sorri e via suas covinhas e seu cabelo grande até o pescoço era um charme e sua barba rala.

– Talvez a gente saiba que gosta de alguém quando mesmo em silêncio quer estar ao lado, é bom e ainda é bom aproveita-lo com você. Você é um bom amigo.

Ele fitou seus olhos em mim.

– Na verdade eu já tive um namorado, mas não nos beijamos. Ai teve uma vez, mas eu era nova demais pra gostar de beijo, por mim eu continuaria com ele sem beijar. Ai certo dia quando aconteceu, nós terminamos.

Ele gargalha de forma marota

– E agora você gosta?

– Ah eu? Eu aperto meus lábios superiores contra os inferiores

Ele estala os dedos e dá uma piscada leve e rápida.

– Sabia que nós tocamos onde gostaríamos de ser tocados e você está bem na minha frente tocando seus lábios quando olha pra mim. Diz Dieguinho.

– Deixa para lá essa conversa. Eu fico sem graça.
– E se eu não quiser deixar? Disse isso me acariciando com o olhar. Compreendo que ele queria ser amável comigo.

Era quase palpável que o meu quere beija-lo, mas não nos beijamos.

 Olha ali a nuvem tem formato de um pulmão. Digo mudando de assunto e desatando climas.

Ele olha pra mim estranho

– Cadê?

Volto para casa e volto a olhr pra janela. Prefiro olhar só pra essa janela, pois já se tornou a minha amiga. Lembranças também se tornam, queria reviver aquele momento. Ainda me sinto contente em reviver o seu olhar e cada palavra dita. Naveguei nos mistérios dele, mas não posso continuar com isso, não quero mais conquistar o doutor. Eu sentirei mais falta de pensar em um plano com Dieuinho e vou ainda vislumbrava desse sentimento por um tempo.

– A vida fica mais bonita! os dias ficam mais bonitos. Era um deleite a sua companhia. Tinham cheiro de tardes de sol e de verão. Teve sabor. Pareciam na mesma medida para ele por que parecia bom e surpreendente para ambos. Dizia para minha única amiga. A minha mãe.

 

 Então diz isso pra ele.

 Mesmo os peritos em disfarce não conseguem disfarçar o olhar diante daquilo que os interessa, foi um olhar fixo em você, eu reparei que realmente era diferenciado

– Mãe? Temos tanto o que nos preocupar.

– Mas a minha felicidade é poder te ver feliz e realizada.

– Quando o papai vai pagará dívida?

– Não sei, Elenor, nem quero falar sobre isso. Outro dia ele veio e disse que não ia poder pagar ainda. Olha eu não to aguentando mias essa situação.

– A gente vai conseguir sair dessa, eu to trabalhando a senhora está e ele está. Vamos juntar as forças e conseguir.

Um tempo se passou finalmente eu pude pedir demissão de onde trabalhava. Fiquei ainda por um tempo procurando emprego e conseguir de meio período em uma editora como recepcionista. Acompanhava sempre as novidades e pegava muitas dicas para os romances que eu escrevia. Isso me ajudava a produzir e investir no meu sonho de ser uma romancista. A gente passa tanto tempo a sonhar que quando vivemos o sonho sentimos falta de sonhar. Estivermos por tanto tempo apenas sonhando.
            Ao sair do estabelecimento eu encontro Dieguinho.

 

– Já faz um tempo, Eleonor! Você sumiu. Como está você a sua mãe?

– Estamos bem e a sua?

– Bem também. Eu passei na sua casa, mas eu precisei de um tempo para processar tudo o que estava acontecendo.

– Eu entendo!

– Naquele dia... na verdade vocês estão juntos?
– O que? Não... ela é namorada do meu amigo.

– E você desistiu tão fácil assim?
– Me conformei. Não quero atrapalhar.

Paramos no meio do caminho por onde parecíamos ir juntos para o mesmo lugar ele para e vou na frente. De longe ainda dizia.

– Confesso que foi divertido e bons os momentos que tivemos juntos depois de anos que nos conhecíamos. Acho que por isso que chamamos o agora de presente, pois ele é uma dádiva.

– E se eu disser que quero viver todos eles ao seu lado. Dizia uma voz atrás de mim. Este sou eu, não sou perfeito, mas sou quem te ama Eleonor. Eu buscava todo esse tempo o seu coração. Aqui o doutor, se quiser o número dele, tem o misterioso que cobra dívidas interessado em você. Esses são os que tiveram interessados em você. Pensa direitinho quem você vai escolher. Ah tem um em especial que também sou eu. Quero viver todos os presentes, o futuro, reviver o passado com você.

E eu não tinha como mensurar o meu amor por ele.

Nossas respirações arfaram suave ao desencostar do lábios e nossos olhos se encontraram em uma harmonia que nunca achei que existiria.

Ele parecia ter gostou tanto que não se importaria com o que eu dissesse. Ele se aproxima mais uma vez e eu abaixo a cabeça como subterfúgio. Ele não tenta me impressionar e me faz rir, não fica só me bajulando.

Parecia que eu conseguia enxergara-lo mais velho, como uma visão, que tudo que iria passar na vida seria ao lado dele e ele estaria ao meu lado e conseguia ver a minha vida futura junto da dele e os momentos que passaríamos. Foi nesse momento que eu soube que seria ele. Talvez meus sentimentos já tivessem percebido antes que a minha cabeça que sempre foi ele, ele seria o meu esposo. Uma nostalgia misturada com dijavu como se eu tivesse vivido algo, mas não vivemos nada ainda.

– Você é mais brilhante que a pintura A noite estrelada de Vicent Van Gogh. Você é o acaso mais bonito que me fez despertar para o amor.