Qual caminho que não é o de sempre

 


Nós conhecemos na primavera, ele estava tirando foto com as flores e eu me aproximei. Pedi um foto. Eu disse estar nervosa e ele parecia desnudar meus segredos que eu guardei tanto tempo. Pedi um abraço e por fim fui embora. Um sorriso se desprendeu de meus lábios.
Não falei nada e eu nem fiz demais, só estava sorridente, mas ele gostou de mim, mesmo tendo sido algo tão comum dele estar acostumado.

Cante de novo aquela música

Sua boca em formato de coração é a coisa mais linda que eu já vi

Seu perfume nem se compara os das flores e saia amor de suas palavras de murmuração, frescor, doce e sereno olhar mágico que ansiava, um olhar terno.

Mãos aveludadas

Como dizer que mal te conheço e já te adoro

Era noite sertaneja de um dia da semana

Nunca mais senti meu rosto tão alegre como agora

Ele me defendeu de uns tiranos na rua

 

Uma vez ouvir que ele negava que gostava dela a todo custo
Ela o ignorei na escola
Por fim ela virou sua chefe

Foi preciso saber ouvir que você precisa de mim

Se eu pudesse ter um desejo, seria ver você sorrir sempre brilhantemente

Ele fala: o quanto eu quero abraçar você como um louco

E não posso fazer seu coração voltar a trás?

Durma, pensando em ver você de novo heeee

Pode parar. Eu entendi. Obrigada pela sinceridade eu preciso ir.

Eu acho que entendi tudo errado.

Ele ficou pensativo e mal

Depois ela queria se divorciar porque ele não queria ver as estrelas com ela.
Qual deve ter sido o final deles?

 

Eu costumo me arrumar e as vezes imaginar você me olhando de longe e acabando de ter uma epifania do amor. Em situações extremas em que o palpável foge do nosso controle, tenho o costume de alterar a realidade.
A nossa história será como?
Aprendi que sempre aprendemos, até mesmo que podemos nos apaixonar de novo.


As várias partes de mim

          


    Na rua da Frésia, bairro dos Sino Azuis de Peônia havia um bosque de flores e árvore de pecã. Era lindo, era onde pairava a penumbra do sol, onde existia flores caídas no afasto molhada depois da chuva. Você já viu? Cheiro de capim da verde mata. Hoje em algum lugar que passei sentir aquele aroma. Aquele pássaro que não sei o nome, cantou. Cigarra cantando como se fossem lobos no fundo uivando da noite. Tem sensações boas que não sei explicar. Bem que ele disse que os pássaros de lá não gorjeiam como os daqui.

— Olívia, Olívia.
Ouço alguém chamando meu nome em meio a meus devaneios.

 Sabe quando acontece algo atrapalhado com você que provavelmente ninguém vê? Mas ele viu, porque ele estava prestando atenção em mim. Só ouvi uma risada ao fundo depois de eu ter desempilhado aquelas caixinhas da loja que caíram por estar distraída com meus pensamentos.

Seu sorriso feliz é a minha maior recompensa e eu não entendo o porquê, já que eu não o conheço. As vezes tento buscar, talvez inconscientemente conversas com as coisas que já existiu entre nós, mas não mais ele.

Voltei com ele para esse caminho das flores e disse que certamente, se ele fosse uma árvore, ele seria esse. Com certeza. Olha é bonita. A mais bonita desse bosque e a mais alta. Ele sorriu.

Eu paro de pensar por um momento. Depois volto a pensar. No momento eu nem sabia, mas se tornou uma lembrança boa. Acho que no momento nem tô muito boa para responder coisas sobre mim. Ainda bem que pararam de falar comigo. Sinto que não tenho olhos para mais ninguém.

— Deve ter um bom motivo para você estar aqui? perguntei ao moço bonito que me acompanhava no bosque sentado banco de jardim de varanda daqueles de madeira e ele respondeu de forma suave

— Não posso evitar querer continuar aqui, mas você não descobrir isso sentada aqui comigo.

A gente gosta de como um o outro pensa a vida ou costuma pensar. Podemos conversar sobre pão, mas só queremos conversar porque é agradável. Pensar nele é como um abrigo. Quero ir pra lá quando me sinto cansada e quando o mundo me faz triste. Ele me passa um conforto tão grande, que eu tenho vontade de falar com ele toda hora.

Ele tem um jeito interessante e um olhar intenso. Ouvi dizer, por aí, que eu era esquisita, mas divertida. Quando ninguém mais via e nem eu mesma, ele acreditou e viu um lado bom em mim, até nos meus medos.

Parece doideira, né, mas me acalmava e tirava a toda ansiedade segurar uma Barbie na rua. Ele levava uma boneca e começava a brincar no meio das pessoas, uns olhavam torto, outros percebiam o gesto e parabenizavam em silêncio de um olhar, mesmo nervosa eu via.

— Não precisa se envergonhar, sabe disso, né?
Acho que comi algo estragada noite passada. Disse ele em um tom brincalhão, mas preocupado e eu respondi — Que vergonhoso você ficar passando mal nos lugares.

— Não há nada de vergonhoso nisso. Ele respondeu com um afago em seu olhar.

 

De uma forma que nem eu mais sabia que sabia sorrir. Ele era do tipo que deixava as crianças fazerem o que quiserem com ele e eu, digamos, estava de mal humor, mas aquilo me fez sorrir. O desejo pelos seus braços era tão familiar.

Um amigo dele aprece e observa a cena.

— É o jaleco, elas adoram.

— Ela ta o dia todo me olhando assim. Ele respirou fundo mostrado paciência.

— Ela perdeu a memória e você se apaixonou por ela. Fala a verdade!? Seu amigos eu um sorriso maior do que o habitual.

— Acho que ela deve ta pensando que sou namorado dela agora de novo. Ontem eu era um amigo de infância. Olha lá vem ela.

— Amor, você anda estranho comigo. Ele em silêncio atônito e eu ameaço a chorar.
Ele diz não ser nada e dá batidinhas na minha cabeça.

Contudo me aproximo dele

— Quero outra coisa.

Seguro a mão dele.

Ele engole a seco a saliva e tímido permanece calado encarando meu rosto.

— Quero brincar de boneca de novo, você é o único menino que é meu amigo.

Enquanto sentados no gramado senti saudade dele novamente.

— Você disse que estávamos juntos, mas engraçado eu não lembro de ter sido pedida em namoro.

— E porque você não sabe disso?

Olho pra ele como gato sem lar e riu embaraçada pela sua seriedade.

— Deve ser porque faz muito tempo

— Na verdade nunca fomos, Olivia. É tudo da sua cabeça. Eu sou o seu médico.

Eu começo a chorar não entendo o porquê ele tinha sido tão grosseiro comigo. Até eu um lapso que finalmente me faz lembrar... mas não deixo de ficar triste porque o sentimento era de verdade, mesmo confusa.

— Você sente falta de alguém, mas não sou eu, Olívia.

— E você fica triste por isso? Se sente mal por isso?

Passou-se dias já de alta  e volto a clínica para fazer o mesmo trajeto que fiz durante muito tempo.

— Eu recebi um conselho de quem disse “você não percebeu que acabou de perder algo muito precioso.” Eu gostei de ser tudo pra você nesse tempo, seu médico, seu amigo, mais ainda sua versão namorada comigo. Eu rio em meio as lágrimas.

— Mas eu lembro de você, eu nunca esqueci, só lembro de você e mais ninguém mais.


Um vestígio de mim em você




Ele é meio rebelde e inrreverente
Não liga pra o que as pessoas pensam
É doido e faz loucura por amor
É implicante
Simples
Tem olhos puxados e cabelo branco ainda novo, novo, mas acho um charme único.
É atualizado
Sorriso bonito
Você é a pessoa que eu posso contar sempre.
Me elogiou de todas as formas que uma garota poderia ser elogiada
E eu costumada pensar que a vida podia trazer ainda surpresas lindas.
Isso eu dizia acreditando sem ver nada. Até que vi você.
Me faz rir
Eu me refaço
Me reconstruo
Me acho
Me acho em você.

Ciclo do coração

    




     Eu me lembro do meu primeiro pensamento, foi de surpresa, via pessoas rindo comendo salgados e sentia um cheiro de cimento do qual eu gosto e tijolo, dentre os que mais gosto como os de chuva molhada. Era a primeira semana dos primeiros dias de aula na faculdade em que eu estudava licenciatura. Tinha uma pessoa da qual eu não sabia como iria reagir quando encontrasse, só sei que não sentia mais algo por ele, mas ainda sim lembrei que ele estudava no mesmo lugar que eu. Era uma terça feira dia da aula das 16:h. Eu estava junto com a minha amiga esperando do lado de fora a outra aula acabar para entrarmos. De costume esperávamos a aula na porta, agora ajeitando meu cabelo preso e meio desarrumado por estar cansada já da última aula. Um colega nosso de outro curso queria nos apresentar alguém para minha amiga e eu. Eu não queria conhecer ninguém. Eu estava despreocupada, mas ainda sim me incomodou um tiquinho o fato do meu cabelo esta desarrumado, mas ao mesmo tempo não estava mais ligando tanto para essas coisas, afinal. Ele nos apresentou, assim que o amigo dele saio da sala ao lado de onde estávamos. Ele foi tão antipático. Disse “oi gente” acenou com o braço e saio andando, sem nem ao menos olhar para o nosso rosto. Fiquei sem reação e com uma expressão de desentendimento, nem ao menos apertou a nossa mão, quando eu iria abrir a boca nem saiu sons.
Depois disso soubemos que não iriamos ter aula, fomos para o outro lado da faculdade falar sobre o acontecimento de hoje, eu e minha amiga ficamos revoltadas, só que mais da parte dela, porque fingi ficar revoltada de brincadeira, pois nem estava com cabeça para isso, mas de fato eu disse claramente não tinha gostado dele, mas nos perguntando porque o nosso colega queria apresentar alguém assim e para que? Concordarmos em chama-lo de mal-educado.
            No dia seguinte encontro um menino que eu conhecia no corredor. Não seria difícil já que ele era do mesmo curso que o meu. Uma parte de mim queria encontra-lo para ver como eu me sentia e também mostrar de alguma forma o que ele tinha perdido. Ele foi um menino que eu sai apenas uma vez e com ele eu também tive o meu primeiro encontro, mas que me prometeu algodão doces, magia e purpurina, mas que depois de semanas ele ficou estranho e não queria me dizer o porquê.
            Final de semana chega e eu sair com a minha amiga para ir ao playtory minha amiga avista ele com uma menina, achamos estranho, mas pensamos ser uma prima, uma amiga. Quando chego em casa pergunto para ele quem era e ele me diz que era sua namorada. Ora, depois de algumas semanas depois de sair comigo ele já estava namorando? depois de dizer que estava apaixonado por mim. Ele me contou que uma menina do passado tinha aparecido dizendo pra ele que não era apenas amizade que ela sentia por ele e sendo ela alguém de quem ele gostava a muito tempo. Ele ficou em dúvida e eu facilitei as coisas, decidi eu mesma sair disso, mas no fundo ainda tive esperanças dele perceber que estava confuso e que gostava de mim, talvez só quisesse ter tido a consideração dele ter me contado.
            Bom passou-se um tempo e ele veio se desculpas e na verdade ele tinha terminado com a namorada. Confuso, complicado, mas foi essa a história triste que me magoou, mas que depois passou. Eu pensei que ele seria a última pessoa que eu iria conhecer antes de encontrar o meu amor , mas não foi, porém penso estar cada vez mais perto. Ao mesmo só não queria conhecer mais ninguém
            Depois de um semestre cansativo como sempre, consegui lidar com isso bem e quase não o encontrava pelos corredores da faculdade. Finalmente chegaram as férias, finalmente!!!

Mas no meio das férias sempre tem aquele momento que o tédio chega e nisso não tinha ideia mais do que inventar para fazer, até tinha, mas não tinha vontade de nada.
Minha amiga e eu nos falávamos frequentemente pelo telefone, todos os dias ela me ligava e eu para ela, só que mais ela para mim, pois eu mandava mais mensagens escrita. Sempre desabafamos uma com a outra, sobre tudo na vida inclusive sobre as questões amorosas e pela primeira vez cheguei a dizer que não acreditava mais no amor. Não acreditava mais nos homens. Misturando isso com o tédio a situação só piorava. Minha amiga por sua vez e por nunca ter me visto assim, não queria me ver triste. Ela por melhores das intenções disse que queria me apresentar alguém, que na verdade essa pessoa tinha puxado assunto com ela. Eu logo recusei por achar que ele estivesse interessado nela. Minha amiga nunca foi de me apresentar ninguém e eu sempre gostei de alguém que conhecia sozinha, mas ela parecia realmente querer me animar, então eu fiz uma aposta de quem em troca eu também apresentaria alguém para ela.

Depois de alguns dias, por telefonema eu fiquei curiosa acabei perguntando quando ela iria apresentar a tal pessoa. Ela me disse que ele era aquele garoto que o nosso colega nos apresentou. Eu não lembrava muito bem dele, mas lembrava da situação. Ela disse que ele era um bom garoto e queria me apresentar, pois lembrava o meu jeito de ser, de falar. Aquilo me convenceu um pouco. Passou-se uns dias ela finalmente me adicionou em um grupo com nós três e me apresentou a ele, mas ainda sim disse só um “oi” em forma de figurinha de um anime e ai eu tentei interagir, mesmo ele não me dando muito atenção pra mim, mesmo eu sem vontade, sem mais forças e coração. Fizemos uma call os três jogamos um jogo de adedonha online. Quando iniciou a ligação, eu mal falava só escutava eles conversarem, implicâncias e brincadeiras. Começamos a jogar, mas por minha internet ser ruim, sempre caia a ligação e eles acabavam ficando somente os dois na ligação. Então minha amiga me retornava e eu voltava, depois caia de novo.

– Minha internet toda hora ta caindo

– As vezes é o roteador. Dizia ele.

– O roteador é novo. -Digo rindo. - Acho que não vou poder jogar mais, gente- Eu dizia isso já querendo sair da ligação.

Quando finalmente desligo a minha amiga me pergunta o que eu tinha achado dele.

– Olha amiga a voz dele?

– Ah, não achei nada demais. –Dizia desanimada – Mas ele parece ser legal. Porque você não dá uma chance?

– Hum porque você não tenta? Perguntava ela pra mim.

– Vou desligar já. Beijos.

            Passou alguns dias e a minha amiga parou de insistir na ideia minha com ele. Então eu perguntei se eu poderia adicionar ele na rede social e ai ela deu todo o apoio. Apesar de tudo achei ele legal e quem sabe ter um novo amigo. Ele me aceitou no mesmo dia e começou a me seguir em uma outra rede social no mesmo dia. Aquilo me animou além de ter achado uma atitude que contribuiu. Eu pensava “acho que finalmente ele percebeu o que a minha amiga estava tentando fazer”. Além, de ficar feliz pela minha amiga estar feliz por mim. Eu queria que ela me visse mais animada. Um dia tomo a iniciativa de comentar e chamar ele. Minha amiga mais um vez me dá o apoio e claro falando de mim para ele de forma sutil.

Ali começamos a conversar ele e eu. Ele dormia cedo e eu realmente não acreditei nisso, mas já estava já sobre o aviso da minha amiga de que ele dormia cedo, mas de algum forma aquilo se tornou um desafio para mim, que se caso ele conseguisse dormir tarde falando comigo isso significaria que eu era importante de alguma forma para ele. Bom como esperado ele se despediu de mim com um boa noite. No dia seguinte eu não queria falar com ninguém, não fazia questão e já não esperava que realmente ele iria falar comigo. Até que recebo um bom dia. Mandei para a minha amiga o print e ela ficou implicando com a gente, mas não queria transformar aquilo em nada, era só amizade e, não eu não estava me fazendo de difícil. No final da noite a minha amiga me liga e sem ela perguntar eu disse que estava falando com ele o dia todo, conversas meio malucas e áudios e eu sendo maluca também, nos damos bem de forma rápida. Nesse momento eu percebo como isso tinha acontecido? eu não queria conversar com ele, mas conversei o dia todo. Achava que ele não continuava as coisas que eu falava e mudava de assunto, achei sem assunto a princípio.
Deixei para lá e não nos falando mais, mas mais uma vez com a ajudinha da minha amiga ela faz uma ligação pra nos três e ai conversamos como os três mosqueteiros, nos tornamos o trio de amigos. Até eu ele sozinhos começamos a nos aproximarmos cada vez mais e mais. Meu número ele já sabia e quando ele desligou do telefonema ele me mandou uma foto do pé dele com quatro meias por conta do frio, mas até ai ele tinha mandado para a minha amiga também. Em seguida ele mandou foto de uma piada da qual eu não tinha entendido, mas ao mesmo tempo rir. Ele me explicou.  Depois levou algum tempo para que nos falássemos de novo.


            Era o dia das mães e ele tinha me mandado feliz dia das mães, lembro até hoje dessa nostalgia. Logo fui perguntar a minha amiga se ela tinha pedido para ele falar comigo, mas não, ele apenas falou comigo por livre e espontânea vontade. As coisas estavam indo bem, eu gostava da companhia dele, ele parecia gastar da minha, mas não tinha sentimentos e já previa que quando eu tivesse ai que as coisas dariam erradas e iriam ficar complicadas. Minha amiga vendo que eu estava começando a ficar encantada foi averiguar mais sobre ele. Ele tinha passado por um relacionamento duradouro na adolescência e só veio a desmanchar quando estava na faculdade, uau!. Por isso dele ter nos cumprimentado daquela forma fria quando foi apresentado pra nós, pois ele também não queria conhecer ninguém, mesmo não precisando nos tratar daquela forma. Nisso ela pediu para eu ficar atenta, mas acho que já era tarde.
            Fomos a um Karauke os três juntos e cantei “Speding my time da Roxette” e na parte que cantava:
“I thank the lord above
That you're not there to see me”

Olhei pra ele e lá estava ele com os olhos grudados em mim.
Minha amiga perguntou o que ele tinha achado e ele disse perto de mim e parece testar a reação dele.
– Linda, linda demais a voz!

Nos olhamos bem um nos olhos um do outro e parecia uma luz me acendia toda vez que falava com ele, ou falava sobre ele. Quando vi que ele estava no palco não tirei os olhos dele, Ah, aqueles olhos indescritíveis. Me perguntava se ele tinha vindo mesmo só me assistir? E lá no palco ele cantava uma música da qual não conhecia, mas ele fazia palhaçadas desafiando. Por outro lado ele cozinhava e se amostrava por isso, mas quando ele foi me mostrar a torta de limão, ele ficou nervoso por isso, pela minha aprovação. Percebi que ele falava a palavra cinema sem pretensões de só levar. Ele pediu pra eu ficar tranquila que nos instante que que virasse a cabeça e ele não iria tentar algo. Cada vez mais gostava das nossas conversas, cada vez mais gostava da sua voz, cada conversa e desabafávamos e falávamos de como estava sendo nossas vidas maiores de idades e morando na casa de nossos pais. 
            Eu tinha mania de cheirar meu cabelo e colocar no nariz como se fosse um bigode, até que um dia ele me viu assim. Imediatamente tirei e ele começou a rir, mas ele chegou e botou novamente a mecha de cabelo no meu nariz e aquilo me fez sorrir por uma semana.
Mensagens chegavam do tipo “Eu lembro do meu primeiro pensamento foi vc” e eu corar, foram surgindo e ficaram recorrentes e reciprocas.
Até que paramos de nos falar. Eu disse que eu não conseguia ser apenas uma amiga e chamei ele de idiota e mais eu disse para ele nunca mais falar comigo. Só que isso durou um mês, parece pouco, mas foi muito.
            Ele disse que sentiu a minha falta e chorou em uma ligação. Sabendo disso ela viu que eu também queria falar com ele e fez a gente voltar a se falar nessa ligação que ele me fez. Voltamos a amizade e sei que ele pularia na piscina por mim, por que eu não sei nadar. Ele me salvaria e me protegeria com tudo que pudesse, isso eu sei.
            Acordei com um aperto no peito fui tomada por essa dor, que na verdade já vinha me incomodando a dias pedi para a minha mãe me levar para o médico porque eu estava sentindo uma dor no coração. Fui ao médico e ele disse que eu não tinha nada, então porque aquela dor persistia, até que o cardiologista me perguntou, na cara dura, se eu estava apaixonada e foi ai que a minha mãe descobriu. Eu me sinto uma adolescente por estar sentindo isso pela primeira vez.
            Dançamos na festa junina juntos. Tarde e noite inesquecível, dançamos e rimos, comemos e nos apaixonamos cada vez mais. Dançamos tanto naquela noite de festa junina.
Sim ele ficou até de madrugada conversando comigo por mensagem. Yes!!! consegui!
Dissemos eu te amo sem querer pela primeira vez. Parece que saiu sozinho e eu disse que amava falar com ele. Em uma conversa ele disse que amava essa pessoa de quem eu era.
Quando nos despedimos acidentalmente demos um beijo inesperado, éramos amigos, tão inesperado, mas foi tão natural, mas eu gostei. Acanhados viramos os rostos. Não sei dar nome ao que estou sentindo. Esse sentimento é terra estranha em que eu nunca pisei, em que nunca estive.
Em mensagem conversávamos coisa como:
– Não confio em pessoas que preferem a “Rachel e Ross” como casal favorito.
Nossos flertes eram diferentes. Ele nunca foi do tipo de pessoa que eu iria gostar antes, mas conforme mais fui o conhecendo mais me apeguei a ele e no seu jeitinho maluquinho, carinhoso e cuidadoso comigo. Alguém fã de Leonado de Caprio e que tinha zelo por mim.
            As coisas foram acontecendo e eu tinha certeza que algo mudou dentro de mim, eu não sei o que é amar, mas tava aprendendo com ele, nunca disse essas palavras antes, mas com ele tenho vontade de falar “Eu te amo”. Eu finalmente percebi que sentia algo especial, mas de fato comecei a gostar dele agora. Pulei nos seus braços pendurada nele alegre em ve-lo, fomos a praia em que uma farpa entrou no meu pé e ele tirou, teve dias de cólicas, cabelos despenteados, suor, cecê dele, dias de surtos entre muitas outras coisas. Fizemos um dia de spar juntos de máscara verde de limpeza de pele e tudo.
            Ufa! Quatro anos se passou nos casamos. Que loucura, deixar o meu quarto, a minha família em direção a algo completamente novo, mas com ele eu não tinha medo, com ele eu conseguia pensar no futuro, talvez pela minha idade, mas com ele conseguia me imaginar assim.
Casei com o vestido dos meus sonhos e com a pessoa dos meus sonhos.
Lua de mel, uma viagem. Antes de mais nada, fizemos a cama de trampolim. Admiro ele cada vez mais.
Dias que ele chegava em casa com buque de flores e eu esperava ele com uma camisola diferente. Já que eu chegaria antes em casa, eu tinha passado em um loja e tive uma ideia.
Dias que ele só trouxe uma flor e dias que eu esperava ele de pijamas confortáveis com estampa de animais fofinhos, mas que mesmo assim me parecia atrair ele. Tinha impressão que ele achava que eu era perfeita mesmo nos meus dias mais estranhos.
Dias de cafune e televisão tomando chocolate quente na sala assistindo animes, terror etc. Dia de uma noite perfeita em casa com chá gelado, besteiras, manta, dia chuvoso e de frio.
Dias do montador, encanador flagrar os dois no quarto.
Era muita paixão.
Dias de comermos sushi fora da validade e termos dor de barriga juntos.
Dia de comprar um filhote de cachorrinho.
Dia que pela manhã antes dele trabalhar beijava minha barriga já dando uma dica do que ele queria e ali ficamos nos amando antes dele ir trabalhar. Parecia que só bastava ele me tocar e nos apaixonávamos todos dos dias mais uma vez.
Dia de ciúmes fofos.
Dia de cozinharmos juntos e de te lambuzar de doce. De me abraçar pelas costas. De me cortar com a faca e você beijar para curar. de te encher de beijinhos.
De dançarmos juntos em frente a janela.
Dias de pensarmos em nós dois velhinhos

Mas nem sempre são momentos felizes,
como dizem que nem sempre de flores será a vida.
Também teve dias de espinhos.
E chegou o dia que estávamos discutindo e choramos.


Dia de brigar e não conseguirmos nos comunicar.
O dia que o filhote ficou doente e acordamos pela madrugada para levar para clínica no dia 1 de Janeiro.
O dia que meu pai ficou doente.
O dia que sua vó estava bem velhinha e se foi.
Os dias de vídeo game e aposta de quem perdesse iria lavar a louça. Dessa vez você  não me deixou ganhar e realmente tive que ir lavar.
Dias tensos, Dias intensos. Dias de preguiça e desanimo. 
Dia que chorei sozinha.
Dia de ansiedade.
Assim como com os nossos pais cada um teve seu momento de conflito, agora como casadas e que se amam, nos tínhamos conflitos e as vezes não concordávamos, mas assim como respeitamos nossos pais, é assim também no nosso casamento. Não podemos pensar que ao casarmos tudo vai ser perfeito e que nunca terá momentos difíceis. A vida continua e não é nada fácil.
Dias que acudir ele com o rosto dele dentro do vaso, batendo nas costas de leve e depois eu ficar enjoada junto. De eu ter ânsia e não conseguir e ele pegar meus cabelo e segurar.
Teve dia de saudade. Dia de dúvidas. Dia de contas pra pagar. Dias de dificuldades.
A beleza da vida mora ai...Que acontece em dias comuns.

            Desde o momento que eu soube que ele era tão doce, amável carinhoso, que gostava do carinho da amizade dele, mas eu não esperava sentir o que sinto hoje por ele, ele sabendo disso foi muito mais sensato e me viu como alguém valiosa. Ele via um futuro melhor pra nós dois assim. De fato gostou da minha amizade, mas sentia também que não era só isso.
Eu orava e continuávamos a amizade o que nos fazia bem, mas não sabia até por quanto tempo. Ele dizia gostar de mim, ter zelo por mim, e quem ele protegia, mas não admitia o sentimento.

Isso foi um sonho meu. Guardei essa espera por ele e a sensação daquela lembrança. Tudo que eu senti e não aconteceu.

Nós continuamos a conversar e ele começou a namorar alguém de repente. Isso se repetiu depois de anos com outra pessoa que eu gostei e depois com outra pessoa. Soube que eles terminaram e nunca mais nos falamos, até que soube que ele começou a namorar de novo outra pessoa. Pessoas confusas machucam outras.

Sou sempre o aprendizado de alguém, mas nunca o destino, é eu sei como é. Talvez esse tipo de amor pleno e raro que sonho esteja em falta ou me esperando na virada da próxima esquina finalmente pra mim e quem sabe viverei tudo isso.

Coração de papel






     Quando criança por volta dos cinco anos eu tinha ido um posto de saúde porque eu estava passando muito mal e com febre. A vista dos ipês era linda, mesmo sonolenta e febril eu podia ver. Nesse dia lembro de quando acabei de ser atendida e via várias crianças no lado de fora do posto e uma câmera da TV com um repórter apontado o microfone para a minha mãe fazendo pergunta sobre a saúde pública. Ao final ele me cumprimentou e perguntou o que eu faria se eu ganhasse um milhão de reais. Eu sorri com um sorriso de uma criança envergonhada tem e pensei em uma resposta. Lembro que me senti pressionada em responder algo maduro ou iriam brigar comigo e levei bem a sério a pergunta porque ele tinha feito a pergunta de um jeito sério. Então eu disse que eu compraria biscoitos, foi isso que respondi. O câmera ao lado riu e depois o repórter me entregou dois pacotes de biscoito e eu não tinha entendido o porquê, só lembro de olhar pra minha mãe e perguntar se eu poderia aceitar. Ela só pediu que eu agradecesse. Ele foi o meu primeiro amor, tão gentil.
            Na época fizeram uma entrevista nos postos de saúde sobre a importância da vacinação. Essa entrevista em que a minha mãe passou a tarde na televisão, mas eu acabei perdendo por estar dormindo devido ainda estar me recuperando de estar doente. Lembro dos três beijos que te dei, talvez quatro, cinco na minha mãe e meu pai, sempre amorosos da qual tiveram que partir mais cedo.
Minha mãe em um certo dia precisou ir para o hospital e não voltou mais. Até hoje não sei ao certo o que aconteceu porque o meu pai não me disse e me deixou em um orfanato, mas dizem que ele também não está mais vivo.

            Estou com 21 anos agora e eu moraria na casa da patroa dessa amiga da minha mãe. Eu a chamava de tia e ela tinha uma relação conturbada com seu marido e sabe relações assim deixam as pessoas sensíveis, além dela não ter condições de sustentar uma desempregada. Nessa casa havia uma família composta por um pai e uma mãe que eram muito ricos e por isso talvez eles tivessem tantos filhos ao todo cinco, o curioso é que eram todos homens e hoje seria meu primeiro dia nessa casa.
            Assim que entrei no carro dos pais, saindo do orfanato, nenhum dos garotos olharam muito pra mim. Dali fomos ao supermercado, daqueles que tem vários atendentes de caixa e prateleiras altas. Hoje era uma tarde chuvosa de sábado e o supermercado não estava lotado e por lá mesmo os pais me apresentaram. A senhora Helena, a mãe, começou a se apresentar enquanto olhava agitada as caixas de cereal.

- Emmica, temos agora mais um membro para família então viemos correndo comprar comida para rebe-la, você pode ficar a vontade de escolher o que quiser. Pedro vai com ela e ajude, ela está envergonhada.

- Bem, apresente os meninos. Dizia o pai que se chamava Ernesto.

- Esse é Hayden, Pedro, Felipe, Augusto e Cackto, quer dizer é o Carlos, é só apelido. Eu sei que ta todo mundo euforico para te conhecer então tive uma ideia a cada sessão um de vocês guiar a Emicca. Certo?

Eu consenti.

O Pedro parecia alguém meigo e sentia que ele seria meu confidente.

- Pode escolher não sou eu que vou pagar. Pedro dizia enquanto colocava as mãos no bolso.

- Por isso mesmo fico sem jeito, o que vão pensar de mim?

- Que você é alguém que ta com fome ué.

- Ta bom, né

Peguei vários biscoitos da fileira. Era a comida que eu mis amava.

Pedro era o penúltimo filho mais velho e tinha a mesma idade que a minha.

 

Agora eu estava na fileira do macarrão com Hayden com o filho mais velho.

- E ai?

- Oiii.

- Vamos escolher o que você quiser. O que você quer jantar?

Eu fiquei em silêncio só observando a fileira enorme de variedades.

- É verdade que você vai ficar lá em casa?

- Sim, por enquanto. –  Respondi de qualquer forma – até que ele deu um sorriso pra mim e mais ninguém. Minha tia conversou com seus pais. Eles chegaram a falar de mim?

- Sim, eles ficaram muito empolgados. Sempre quiseram ter uma menina. Vai ser como a princesinha deles se prepara. O resultado você já ta vendo. Ele deu uma piscadinha.

 

Agora eu estava na fileira dos produtos de higiene com o Felipe o filho do meio o adocente.

- Bem-vinda, Emmica!

- Obrigada!
- Vamos lá escolher.

Ele não me fez mais pergunta alguma e fiquei muito à vontade com ele. Felipe só ficava no celular enquanto me esperava escolher o que eu precisava.

 

Agora na fileira de sucos com Cackto com o filho mais novo.

- Oi, e ai?

- Oii

- Olha vou te mostrar um suco que eu me amarro.

- Qual?

Ele abre a caixa com o canudinho.

- A gente não pode consumir algo antes de pagar.

- Claro que a gente pode, meus pais pagam depois ali no caixa. Pode beber pra experimentar. Como você vai saber se gosta?

- Hum é bom mesmo. Parece uma bala que eu gosto, pera tenho aqui na bolsa. Quer uma?

Ele balança cabeça assustado.

- Não, obrigada.

- Ta bom então!

- Eu preciso chegar rápido em casa, tenho que estudar sabe. Você já foi pra escola?

- Sim eu já fui.

- Tenho que estudar pro meu curso de inglês is very important, depois ainda treinar tênis é muito corrido o meu dia e depois ainda ligar para a Monica.

 

E por último com Augusto na fileira dos frios sendo ele um dos filhos do meio também.

Fiquei esperando ele no início do corredor, mas cadê ele? Fiquei procurando e esticando meu pé para enxergar e procurar sobre os congeladores do mercado onde é que ele estava. Até que uma mão me cutucou e me deu um sustinho.

- Ah Oi! Eu dizia depois do susto.

- Eu já estava vindo, estava acabando de falar umas coisas com a minha mãe. Vamos lá?

- Eu não sei o que escolher muito aqui nesse mercado. Tem tantas cornes aqui, talvez um nuggets!? Em fim.

Ele riu.

- Nuggets é bom! Depois quero que me conte como é morar no orfanato. Eu sempre quis saber. Deve ser legal!

- Ah claro eu posso tentar falar um pouco, só não é tão emocionante como nas novelas.

Meus avós não eram mais vivos e meus parentes não moravam próximos de mim. O único que fui procurar eram primos da minha mãe, mas os parentes do meu pai acho que nem sabiam que ele tinha tido uma filha. Apesar de ser maior de idade eu não tinha emprego e nem pra onde ir. A ideia seria trabalhar pra essa família, mas na verdade pareceu uma adoção.

            Ás 22:00 voltamos pra casa. A senhora Helena me levou até meu quarto e me prometeu que no dia seguinte iria me mostrar todo o restante da casa. A princípio ela me mostrou onde era a cozinha em que a minha tia trabalhava e a dispensa onde colocamos as compras do dia. No meu quarto ela mostrou meu closet enorme que mal eu tinha roupas para preencher. Ela me mostrou a suite e a janela enorme. Em cima da minha cama tinha roupão de banho. Ela me deu um abraço e me desejou boas-vindas mais uma vez.
            Na primeira noite achei ter visto um fantasma porque aquele quarto parecia muito grande pra mim. Eu tava com medo, mas não tinha intimidade com nenhum do meninos para pedir ajuda. Até que a porta bate, eu abro e era Pedro.

- Já vai dormir?

- Pois é eu estou um pouco cansada.

- Ah! Essa sacola minha mãe pediu pra te entregar. Você esqueceu, são os seus produtos de limpeza.

- É porque aqui no banheiro já tinha tantos.

- Toma!

- Pra falar a verdade eu não tava conseguindo dormir. Aqui ficou muito escuro e é enorme.

Ele liga a lâmpada.

- Dorme de luz acesa.

- Obrigada, Pedro.

Ele se vira e vai embora com aquela com aquela blusa laranja gasta e parece surrada que ele tava o dia todo e entra para um dos quartos que ficava no meio desse corredor com os demais quartos, como se fosse um hotel

Um detalhe que descobri foi que alguns foram adotados quando criança e cresceram como irmãos. O Hadeyn, o Pedro e o Cakto, ou seja, o filho mais velho, do meio e o mais novo eram filhos legítimos. Me pergunto se eles queriam ter uma menina porque não adotaram uma antes.

            Na manhã seguinte fui pega tomando café da manhã com o cereal que comprei no dia anterior, mas o que eu não sabia era que teria uma mesa de café da manhã esperando por mim até a minha tia me avisar. Não queria fazer desfeita, mas eu já tinha tomado um copão de vitamina de banana. Fui para a mesa e sentei ao lado de Hadeyn que era muito gentil e me deu um guardanapo da qual segurei e agradeci. Começamos a comer e vi o meu reflexo em um alumínio na mesa, minha boca estava com espuma de bigode de banana. Passei o guardanapo imediatamente e entendi o porquê ele tinha me dado um guardanapo.

- Onde você estava, querida? Perguntou Ernesto o pai.

- Ah é que eu acabei tomando café da manhã mais cedo. Não sabia que teria outro. Eu sorri sem jeito.

Todos ficaram em silêncio.

- Ah ela não sabia. Dizia Helena a mãe.

- Com o tempo você vai se adaptando a rotina. Todos aos Domingos nos reunimos para comermos juntos de manhã é um costume da gente mesmo. Completou o Ernesto.

- Eles são ótimos, acho que sou eu que to me sentindo assim, sentindo pena de mim mesma, talvez eu não me encaixe. Desabafei com a minha tia horas depois do café da manhã.

- Você só ta insegura.

- Né?! Talvez sim. Eu tenho que achar um trabalho porque eles não vão me deixar trabalhar aqui na casa como você faz.
            Era final de tarde enquanto a senhora Helena estava na cozinha mostradno opções de novos cardápio para a janta. Cackto e Felipe estavam na escola, Hayden tinha ido trabalhar com seu pai na empresa de advocacia. Pedro na praia e Augusto em casa fazendo sei lá o que remotamente. Eu estava em frente ao notebook mandando currículos de trabalho. As inscrições pro vestibular já tinha passado, então vejo valores de universidades particulares e vejo na mesma página um anúncio de curso de fotografia da qual eu amava, mas não podia me dar a luxo. Dou uma pausa. Tem momentos que valem a pena reviver porque tem fins de tarde que são mais especiais. Termina em um tom alaranjado e damos boas-vindas ao anoitecer. Com a luz apagada do meu quarto, sinto na janela aquele vento gelado de outono e saltavam sobre meus olhos as cores daquele dia especial, mas não sabia exatamente o porque. Eu não sou muito de poesia, mas poetizei agora. Fecho a janela do quarto, pois começa a ventar muito forte naquele tarde e começou a chover de repente em seguida.
Faltou a luz em casa toda fica um completamente um breu. Eu não sabia que em casa de rico isso acontecia. Já estava de noite e tudo beirava a escuridão total. Eu não me sentia bem e não conseguia me mexer no escuro. Não ouvia a voz de ninguém do lado de fora da casa, nem dos dois cachorros enormes no jardim. Hoje fez muito calor durante o dia e agora estava sufocante.

Alguém subiu no meu quarto e pediu para eu descer, pois estava muito calor. Ele entrou e encostou no meu rosto e viu que eu estava suando.

- Vem vem logo sai daí e desce com a gente

- Eu não consigo.

- Deixa eu prender seu cabelo? E ai ta melhor

- Uhum

Balancei a cabeça e disse que sim. No meio na escuridão nos olhamos e consegui ver que era Pedro que estava falando comigo. Esses olhares não devem ter levado um segundo, mas pareceu congelar naquele momento. Ele se aproxima e nossos rosto e ficam muito próximos, mas ele pareceu não perceber. Ele assopra meu rosto, eu me afasto. Então faço o mesmo e guardei discretamente meu olhar do seu rosto.

- Não, eu não preciso descer eu to bem aqui.

Mas ele fez pouco caso do meu pedido e me levou escada abaixo

- Filho, leva ela ao médico.

- Eu cuidarei de tudo. Os médicos não tem tanto interesse como a gente.

Eu fui levada para a varanda onde tinha uma cadeira de balanço de madeira de frente para o jardim. Pedro pede para o pai ligar o farol do carro enquanto eu estava com as pernas bambas e ele me segurava enquanto eu estava deitada respirando o ar fresco de fora.

- Você é médico?

- Não. Eu sou enfermeiro, mas... espero nunca te ver lá. Dizia ele com a sua voz grave da qual ele parecia não ter noção que tinha.

- Eu to começando a me sentir melhor agora. Obrigada!

Todos em volta preocupados se acalmaram.

Pedro ficou ao lado de fora comigo enquanto a luz ainda não voltava.

- Sua mãe disse que ela não tinha te pedido que levasse a bolsa do mercado. Perguntei a Pedro.

- Que?

- Eu só queria te agradecer por ter me ajudado.

De longe ele não era um dos meninos que me deixavam sentir mais confortáveis, mas era o que me ajudava mais.

- Eu entendi. Exclamou Pedro.

- O que? 

- Saquei que você tem medo de escuro.

- Todos nós temos medos normal!

- Eu não sou psicólogo, mas me conte mais sobre seus pais.

Eu dou um riso torcido.

- Bom eu acho que não sei o que é ter e perder, eu só sei não ter. Sobre os meus pais, ficar menos triste não quer dizer que eu esqueci, mas sou profissional em sofrer. Quando lembro das Sextas-feiras, lembro da delícia de cada momento em cada conversa mesmo tendo 5 anos. Eu me sentia feliz comigo mesma.

Ele me escuta atentamente com a testa franzida e parece entender mesmo ele nunca ter passado por isso.

- No orfanato me chamavam de... retraída...sonsa, o que mais? ah bicho do mato, lezada, tapada... e me excluíam de tudo e depois inventavam uma fofoca de que eu tava faltando aos serviços de limpeza e as meninas nem me avisavam quais dias que elas iriam juntas. Na época eu nem falei que deveria ter uma ata pra assinar, mas a diretora ficou ao lado delas mesmo não dizendo com palavras. Era a minha palavra contra cinco delas. Botavam a culpa ainda em mim de que eu não tinha falado sobre o que meu incomodou e não comuniquei.

- É inveja. -Dizia ele depois de todo o desabafo e eu sorrir-  As vezes as pessoas tem dificuldades em acreditar que alguém podia ser bom pra eles, acham que você vivia de aparências e no mundo da lua. As vezes torcemos tanto para um momento ruim passar, mas viver é isso, é passar por momentos bom e ruins. Talvez mais ruins do que bons, mas quando olharmos pra trás vemos que conseguimos e continuamos e é realmente aproveitar o processo, é como uma festa de casamente, a festa passa rápido o melhor são os preparativos, sabe?

Eu fiquei um pouco chocada em ver Pedro falando tanto e se expressando, mas não posso confundir amizade com alguém que gosto de conversar só.

- Sabe o amor é muito mais imperfeito do que pensamos, do que a paixão, por isso é difícil amar. Meus pais tem uma história linda e sabe porque? O que faz ser linda? Foram as dificuldades que enfrentaram lado a lado. O fruto do amor deles que formou uma família e por mais que eles briguem eu comecei a enxergar assim. Tem amores que você ama alguém, não pra ficar junto, só por amar. Quando é unitaletal e você nem liga se não te escolher, aquele amor só vai existir independente. Existiu assim e era o meu avô, mas ai é outra história.

- Já eu quando não fui escolhida eu fui malcriada.

- Então acho que com os seus pais e a sua história é assim.

Naquele momento eu comecei tive um arrepio e admiração pela forma que ele pensava. Acho que esse foi o momento que eu me apaixonei. Eu já havia pensado nele, mas hoje olhei pra ele diferente demais, acho que comecei a conhecer ele de verdade.

- Eu aprendi agora que os dias caóticos são os mais bonitos, tem uma certa beleza depois que passa, principalmente se vividos ao lado de pessoas especiais. As vezes também realizamos sonhos em momentos caóticos ou aparecem pessoas em tempos assim.

Após eu ter dito isso eu rir pra ele e ele riu de volta. Ele riu comigo, ele riu de mim, ele riu dele, mas disfarçava querer rir mais, como se tivesse uma postura a se presar. Ele pigarreia com a garganta colocando o punho fechado na boca e virando pro lado na tentativa no que parece de disfarçar algo que eu tentava enxergar.

– Você é alguém cheio de vida apesar das dificuldades. Qual é o seu sonho? A luz de repente volta e todos comemoram. Nós entramos naquela noite e o medo todo do escuro passou já desde que conversava com Pedro.

            Na manhã seguinte eu fui ao quarto de Hayden perguntar que horas seria o café da manhã, mas acabei vendo Pedro no quarto dele de shorts e sem blusa dançando em frente ao espelho. Ele me vê e fica surpreso, mas... me puxa para a dançar no meu dia mais mau humorada com meu cabelo e pela vergonha do dia anterior.

Eu engasgada – Ah eu...pensei que o Hayden tava, aqui é o quarto dele?

Encostado na porta, sem desviar o olhar. – Pelo visto, alguém estava perdida pela casa.

Tentando me explicar – Eu não estava... quer dizer, eu estava, mas só me confundi.

– Você é hilária.

– Então se prepara que você vai rir sempre.

– Você vai sair?

– Vou, só estou com dúvida na roupa. Pedro me segue até o meu quarto.

– Essa ficaria perfeita em você

– Ah, não sei...tenho medo de ficar sensual demais.

Ele rindo – ah você ta falando sério? mas você não é sensual.

– É sério

– Prova pra eu ver vai.

Cruzando os braços – Tá vendo? Essa cara que eu não queria ver.

– Que cara?

– Essa cara de bobão.

Você acha que é só botar uma roupa assim e ai as pessoas vão se apaixonar por você, Emicca? Para de besteira.

            Nesse dia fui resolver algumas coisas e fui até o local do curso de fotografia para ter mais informações. Cheguei lavei o cabelo e desci para comer algo antes da janta encontro com Helena e ela me sugeriu que eu começasse a dar aulas particulares de reforço escolar para ao Davi e que ele estava com dificuldades em matemática.
– Queria que você aceitasse de coração.

– A senhora é muito gentil comigo.

– Foi o Pedro que deu essa ideia e eu achei maravilhoso.

– Sério?

  Ah ele sempre fala de você.

Ainda estática, quando me movi acabei deixando um vaso que parecia caro cair no chão e fez um barulhão. O marido dela aprece perguntando o que tinha acontecido? Que mancada depois de uma bondade dessa eu deixo cair algo da casa deles.

Davi desce as escadas correndo e pedem para ele não tocar, mas tarde demais ele acaba se cortando.

– Estão quebrando a casa? Pergunta, Augusto de cima da escada.

Cackto, nem desceu do quarto, deveria estar com fones de ouvidos e jogando no computador.

Hayden, chamou a minha Tia para ajudar a limpar e nesse momento ela olha pra mim sem entender o que tinha acontecido e não perguntou nada.

Quando tento ajudar na limpeza ouço uma voz ao fundo dizer algo abafado.

– Deixa ai, deixa ai, você vai se cortar, mas também vocês deixam tudo na ponta das mesas, assim não tem como não esbarrar. Dizia Pedro sem olhar nos meus olhos depois de chegar em casa um pouco nervoso.

Nesse momento eu não sabia o que fazer já que eu ao menos não poderia ajudar limpando.

– Me desculpa, eu posso tentar reembolsar de alguma forma.

Todos faziam silêncio e pareciam não me culpar, mas eu me sentia assim, então sai correndo chorando, sem deixar que vissem. Tem vezes que a gente chora por dentro, mas não escorre para fora. Hoje foi esse dia.

 

            Paralelepípedos, subindo escadas e descobrindo ruelas escondidas amava ter essa liberdade. A temperatura a das melhores, céu límpido e um cheiro suave de tempo bom, sabe? Daquelas que parecem marcar nossas vidas, nos envolvia na rua quando eu voltava para casa depois de mais um aula particular de matemática para outro criança. Quando cheguei em casa Pedro me olhava, mas eu fingia não notar.

 

– Não foi todo esse transtorno que você imaginou, normal. Deixa as coisas caírem porque você ficou assim me fala?


 Eu não sei.

– Mas eu percebi.

Sinto que com tinhamos formado essa íntima amizade especial. Eramos como uma família agora e ele conheceu uma parte da minha loucura que não era por ter conhecido, sobre meu medo de escuro e ficar triste por deixa as coias se quebrarem.

– Queria  te fazer uma pergunta se por acaso você não gostaria de sair um pouco? Pra você se animar.

– Tipo encontro?

– Já que você falou, é isso.

– Mas somos como família agora isso iria pegar bem?

– Então eu sugiro um encontro de mentirinha.

Eu tive que rir

Então essa tarde mesmo nós fomos pegar um cinema. Fizemos como se morássemos em casas diferentes e nos encontramos lá pra não estragar os elementos surpresa.

 Que foi?

– Só to fascinado. Seu cordão ou melhor colar, seu brilho labial, seu arco.

Olhei para frente e alguém vestia o mesmo conjunto que o meu e Pedro percebeu meu olhar.

 Não se preocupa em você fica melhor.

Eu tapava o rosto.

 Olha só eu e os outro caras, tudo de calça igual a minha. Não esquenta com isso.

Entramos no cinema e tava tudo bem até a mesma menina do conjunto igual ao meu sentar na poltrona ao lado, mas ignorei.

Enquanto víamos o filme que era para ser terror, acabou sendo engraçado, romântico, mas emotivo, pois era o último da franquia.

   E você o que você passou que foi triste? Eu perguntava curiosa por seu passado.

   Acho que eu nunca estive com quem realmente eu gostava ou admirava, ou queria estar ao lado. Eu tive tentativas e claro doeu, mas a pessoa que eu mais gostei não foi alguém que eu namorei. Então na vez que eu chorar, quando pensar que terei que dar adeus a alguém ai vou saber que realmente amei. Das outras vezes eu não conseguia chorar.

Eu conseguia enxergar por trás daquelas palavras quando ele dizia só coisas breves e o que ele disse agora. Era contagiante a sua personalidade, me pergunto quem não se apaixonaria por ele a começar a observar ele. Notei que meu coração já não andava igual do jeito de como cheguei na casa.

 No final do encontro fomos pra mesma casa, mas fingimos nos despedir.

   Obrigada por hoje, Pedro.

   Que tipo de homem eu seria se lhe desse menos que isso?

 Conheço e não... e conheço.

 Ou? Pergunta ele

– É brincadeira só conheço você.

Eu parecia toda desinteressada durante o encontro e sabia o que poderia estar no esperando nos próximos passos. Continuamos nos olhando e antes e esperar por um beijo, eu espero por um olhar apaixonado e consegui ver esse brilho.

Mas sugiro um beijo de mentirinha também. Então dou um beijo no rosto dele, mas como se fosse nos lábios por ter feito do seu rosto assim, e ele fechou os olhos sentido que aquilo não era um beijo no rosto qualquer.  Eu me afastei levemente. O que eu não esperava era que ele devolvesse o beijo na minha bochecha, da qual deixou até babado o meu rosto e ele se desculpa e nós rimos, mas os arrepios eram reais.

Nos subimos juntos e nos despedimos novamente no corredor de nossos quartos. Dessa vez senti o seu beijo no meu rosto a caminho da boca. Só que a senhora sua mãe/ minha madrinha aparece e ele me puxa para dentro do quarto.

 

 Não mereço um beijo? Pedro perguntava.

– Por ter me salvado?

– Uhum

 Um beijo com ternura?

– O que?

– Nada, eu viajei. Nós rimos com estranhamento que minha frase causou.

– É difícil arrancar risadas genuínas de mim, mas você consegue e eu me encantei por isso por isso.

– É que eu não consigo pensar muito perto de você. Boa noite!

– Boa noite, Mimica.

Eu volto a olhar pra ele.

– Seu novo apelido.

O melhor da vida geralmente acontece quando a gente menos espera, no meio da rotina, em um dia comum, foi assim que encontrei ele. Despercebida ele estava bem ali.

No dia seguinte.

– Eu estava pensando em você.

– Eu também pensei

– Eu senti sua falta... sabe eu tava querendo falar com você sobre a gente e ontem.

– Eu também senti sua falta.

 Porque você ta repetindo tudo que eu to falando?

Eu nunca tive uma melhor amiga, nem amigo e porque eu entendi o amor tantas vezes de outra forma que quando apareceu, eu não sei reconhecer.
            A minha nova família seguia feliz com a minha vinda a está casa, na presença de sua única filha menina. Minha tia não tinha acesso a informações sobre o paradeiro do meu pai. Na vida muitas vezes ficamos sem saber de tudo... Quem sabe algum dia saberei.

Depois do fim



Não sei se te imagino meu pra sempre. Bem que eu queria imaginar. Os dias tem sido pesados e você esteve sempre ao meu lado. Os sentimentos não se tornaram uma arvore frondosa. Não como naquele momento em que a alvorada quebra o crepúsculo da noite, e nós pegamos esse momento em que a luz erradia. Tem pessoas que parecem o começo da alvorada e que nos faz acreditar no amor e que são cantos de uma alvorada e de começos brilhantes com a luz do sol.

Tem algumas realidades que a gente nunca pensa que vai viver

Quando era jovem eu achava difícil as coisas acontecerem comigo ou com pessoas próximas de mim, mas com o tempo as coisas brutalmente aconteciam e agora sinto que tudo pode acontecer, só que as vezes não está acontecendo nada, mas o medo permanece.

Eu pensei que era uma pessoa boa até saber dele. Fui covarde.

O mais assustador que parece que nada ao redor pode confortar, o que consola é que sei que tudo passa.

Depois do fim:

Hoje ele é feliz. Não é tão simples dizer eu te amo e alguém  voltar a ficar comigo, como nos filmes quando escolhem ficar. Com lágrimas nos olhos digo a ele – desculpa – e ele sente que eu sempre serei uma parte boa da sua vida e agora outra pessoa era importante pra ele e só ela. Todos tem uma maneira de ser feliz ele achou a dele.

Ao meu príncipe desencantado



Não foi no elevador;
Não foi na fila do pão das 17h;
Não foi naquela loja de ótica fantasiado de homem morcego;
Não foi depois de segurar uma guarda-chuva pra mim;
Foi em uma estrada.

Quando eu me apaixonei por você foi uma história engraçada, não tinha intenção e nem nada. Não reconheci de primeira o nome daquela estrada e você estava lá, mas não foi uma viagem longa. Desci quando vi que existia algo, talvez no tom da sua voz que eu não reconheci não ser o ideal pra mim.

Só depois que desci que reconheci o que estava no meu coração, por trás da placa de aviso de parada. Era a parte boa de ter você na minha vida.

Você foi diferente e inconsequente, nem de longe se importava para os meus defeitos e fez eu sentir que nada em mim era errado. Achava legal ter alguém assim, mas inconsequente com o coração alheio também. Se você soube disfarçar o sono em uma aula, também soube disfarçar de mim a sua mentira.

A nossa história começou igual a um filme. Falas e roteiro da vida, pareciam estar com a gente e já com um final traçado. Como histórias de amor falidos que se repetem. Igual aquelas histórias que ouvimos nas músicas, em contextos diferentes, mas sempre o mesmo final. Você sabia o que eu merecia ouvir, mas sabia que também não vinham do coração.

Você era o meu contato de emergência. Ao menos o considerei.

Falar com você era tipo aquelas cosquinhas boas que dá vontade de rir e faz a barriga doer.

Eu queria dizer certas palavras, mas sempre acabo fazendo poesia. Eu não te odeio. Cansada apenas joguei as mesmas palavras repetidas em você.

Parece que se algo não é duradouro não é verdade e será que é? Alguns finais não lembramos, já outros nos despedimos. Tem os finais que trazem alegria e foi ai que eu percebi eu já escrevia sobre finais felizes, mas já outros finais nos trazem saudades e você é um desses. 

Confesso que ainda penso em você, mas a nossa história é só um risco, sem verso que mereça ser lido.

Ainda existe ecos de você em mim, como vestígios. Ainda ressoa em mim, ainda ficava afim de você as vezes, mesmo depois do fim, mas logo comigo você quis levantar muralhas. Um sentimentos bonito vira silêncio. Injusto não poder dizer o que sente e eu disse, mas parece que eu ainda tinha algo a dizer, sobre como eu me sentia porque eu te amava mais do que ontem, todo dia um pouco mais.

Te amei porque você me deu uma coisa, os melhores sorrisos, pois meu melhor sorriso era com você. Não era um pertencer declarado. Às vezes, é que quando uma parte da gente constrói casa no outro, silenciosamente é como se essa pessoa fosse o nosso lar fora de casa. Eu me sentia assim com você. Quando essa casa desabou sobre a minha cabeça aprendi que quero aprender o que é o amor, mas só me ensinaram o que é dor.

A todos aos meus príncipes desencantados te dedico que eu não vejo mais em você o homem pelo qual eu me apaixonei.