Quando criança por volta dos cinco anos eu tinha ido
um posto de saúde porque eu estava passando muito mal e com febre. A vista dos
ipês era linda, mesmo sonolenta e febril eu podia ver. Nesse dia lembro de quando acabei de ser atendida e via várias crianças no lado
de fora do posto e uma câmera da TV com um repórter apontado o microfone para a
minha mãe fazendo pergunta sobre a saúde pública. Ao final ele me cumprimentou
e perguntou o que eu faria se eu ganhasse um milhão de reais. Eu sorri com um
sorriso de uma criança envergonhada tem e pensei em uma resposta. Lembro que me
senti pressionada em responder algo maduro ou iriam brigar comigo e levei bem a
sério a pergunta porque ele tinha feito a pergunta de um jeito sério. Então eu disse
que eu compraria biscoitos, foi isso que respondi. O câmera ao lado riu e depois
o repórter me entregou dois pacotes de biscoito e eu não tinha entendido o porquê,
só lembro de olhar pra minha mãe e perguntar se eu poderia aceitar. Ela só
pediu que eu agradecesse. Ele foi o meu primeiro amor, tão gentil.
Na
época fizeram uma entrevista nos postos de saúde sobre a importância da
vacinação. Essa entrevista em que a minha mãe passou a tarde na televisão, mas
eu acabei perdendo por estar dormindo devido ainda estar me recuperando de
estar doente. Lembro dos três beijos que te dei, talvez quatro, cinco na minha
mãe e meu pai, sempre amorosos da qual tiveram que partir mais cedo.
Minha mãe em um certo dia precisou ir para o hospital e não voltou mais. Até
hoje não sei ao certo o que aconteceu porque o meu pai não me disse e me deixou
em um orfanato, mas dizem que ele também não está mais vivo.
Estou com 21 anos agora e eu moraria
na casa da patroa dessa amiga da minha mãe. Eu a chamava de tia e ela tinha uma
relação conturbada com seu marido e sabe relações assim deixam as pessoas
sensíveis, além dela não ter condições de sustentar uma desempregada. Nessa
casa havia uma família composta por um pai e uma mãe que eram muito ricos e por
isso talvez eles tivessem tantos filhos ao todo cinco, o curioso é que eram
todos homens e hoje seria meu primeiro dia nessa casa.
Assim
que entrei no carro dos pais, saindo do orfanato, nenhum dos garotos olharam
muito pra mim. Dali fomos ao supermercado, daqueles que tem vários atendentes
de caixa e prateleiras altas. Hoje era uma tarde chuvosa de sábado e o
supermercado não estava lotado e por lá mesmo os pais me apresentaram. A
senhora Helena, a mãe, começou a se apresentar enquanto olhava agitada as caixas
de cereal.
- Emmica, temos agora mais um membro para família
então viemos correndo comprar comida para rebe-la, você pode ficar a vontade de
escolher o que quiser. Pedro vai com ela e ajude, ela está envergonhada.
- Bem, apresente os meninos. Dizia o pai que se
chamava Ernesto.
- Esse é Hayden, Pedro, Felipe, Augusto e Cackto, quer
dizer é o Carlos, é só apelido. Eu sei que ta todo mundo euforico para te
conhecer então tive uma ideia a cada sessão um de vocês guiar a Emicca. Certo?
Eu consenti.
O Pedro parecia alguém meigo e sentia que ele seria
meu confidente.
- Pode escolher não sou eu que vou pagar. Pedro dizia
enquanto colocava as mãos no bolso.
- Por isso mesmo fico sem jeito, o que vão pensar de
mim?
- Que você é alguém que ta com fome ué.
- Ta bom, né
Peguei vários biscoitos da fileira. Era a comida que
eu mis amava.
Pedro era o penúltimo filho mais velho e tinha a mesma
idade que a minha.
Agora eu estava na fileira do macarrão com Hayden com
o filho mais velho.
- E ai?
- Oiii.
- Vamos escolher o que você quiser. O que você quer
jantar?
Eu fiquei em silêncio só observando a fileira enorme
de variedades.
- É verdade que você vai ficar lá em casa?
- Sim, por enquanto. – Respondi de qualquer forma – até que ele deu
um sorriso pra mim e mais ninguém. Minha tia conversou com seus pais. Eles
chegaram a falar de mim?
- Sim, eles ficaram muito empolgados. Sempre quiseram
ter uma menina. Vai ser como a princesinha deles se prepara. O resultado você
já ta vendo. Ele deu uma piscadinha.
Agora eu estava na fileira dos produtos de higiene com
o Felipe o filho do meio o adocente.
- Bem-vinda, Emmica!
- Obrigada!
- Vamos lá escolher.
Ele não me fez mais pergunta alguma e fiquei muito à
vontade com ele. Felipe só ficava no celular enquanto me esperava escolher o
que eu precisava.
Agora na fileira de sucos com Cackto com o filho mais
novo.
- Oi, e ai?
- Oii
- Olha vou te mostrar um suco que eu me amarro.
- Qual?
Ele abre a caixa com o canudinho.
- A gente não pode consumir algo antes de pagar.
- Claro que a gente pode, meus pais pagam depois ali
no caixa. Pode beber pra experimentar. Como você vai saber se gosta?
- Hum é bom mesmo. Parece uma bala que eu gosto, pera
tenho aqui na bolsa. Quer uma?
Ele balança cabeça assustado.
- Não, obrigada.
- Ta bom então!
- Eu preciso chegar rápido em casa, tenho que estudar
sabe. Você já foi pra escola?
- Sim eu já fui.
- Tenho que estudar pro meu curso de inglês is very
important, depois ainda treinar tênis é muito corrido o meu dia e depois ainda
ligar para a Monica.
E por último com Augusto na fileira dos frios sendo
ele um dos filhos do meio também.
Fiquei esperando ele no início do corredor, mas cadê
ele? Fiquei procurando e esticando meu pé para enxergar e procurar sobre os
congeladores do mercado onde é que ele estava. Até que uma mão me cutucou e me
deu um sustinho.
- Ah Oi! Eu dizia depois do susto.
- Eu já estava vindo, estava acabando de falar umas
coisas com a minha mãe. Vamos lá?
- Eu não sei o que escolher muito aqui nesse mercado.
Tem tantas cornes aqui, talvez um nuggets!? Em fim.
Ele riu.
- Nuggets é bom! Depois quero que me conte como é
morar no orfanato. Eu sempre quis saber. Deve ser legal!
- Ah claro eu posso tentar falar um pouco, só não é
tão emocionante como nas novelas.
Meus avós não eram mais vivos e meus parentes não
moravam próximos de mim. O único que fui procurar eram primos da minha mãe, mas
os parentes do meu pai acho que nem sabiam que ele tinha tido uma filha. Apesar
de ser maior de idade eu não tinha emprego e nem pra onde ir. A ideia seria
trabalhar pra essa família, mas na verdade pareceu uma adoção.
Ás
22:00 voltamos pra casa. A senhora Helena me levou até meu quarto e me prometeu
que no dia seguinte iria me mostrar todo o restante da casa. A princípio ela me
mostrou onde era a cozinha em que a minha tia trabalhava e a dispensa onde
colocamos as compras do dia. No meu quarto ela mostrou meu closet enorme que
mal eu tinha roupas para preencher. Ela me mostrou a suite e a janela enorme. Em
cima da minha cama tinha roupão de banho. Ela me deu um abraço e me desejou
boas-vindas mais uma vez.
Na
primeira noite achei ter visto um fantasma porque aquele quarto parecia muito
grande pra mim. Eu tava com medo, mas não tinha intimidade com nenhum do
meninos para pedir ajuda. Até que a porta bate, eu abro e era Pedro.
- Já vai dormir?
- Pois é eu estou um pouco cansada.
- Ah! Essa sacola minha mãe pediu pra te entregar.
Você esqueceu, são os seus produtos de limpeza.
- É porque aqui no banheiro já tinha tantos.
- Toma!
- Pra falar a verdade eu não tava conseguindo dormir.
Aqui ficou muito escuro e é enorme.
Ele liga a lâmpada.
- Dorme de luz acesa.
- Obrigada, Pedro.
Ele se vira e vai embora com aquela com aquela blusa
laranja gasta e parece surrada que ele tava o dia todo e entra para um dos
quartos que ficava no meio desse corredor com os demais quartos, como se fosse
um hotel
Um detalhe que descobri foi que alguns foram adotados
quando criança e cresceram como irmãos. O Hadeyn, o Pedro e o Cakto, ou seja, o
filho mais velho, do meio e o mais novo eram filhos legítimos. Me pergunto se
eles queriam ter uma menina porque não adotaram uma antes.
Na manhã seguinte fui pega tomando
café da manhã com o cereal que comprei no dia anterior, mas o que eu não sabia
era que teria uma mesa de café da manhã esperando por mim até a minha tia me
avisar. Não queria fazer desfeita, mas eu já tinha tomado um copão de vitamina
de banana. Fui para a mesa e sentei ao lado de Hadeyn que era muito gentil e me
deu um guardanapo da qual segurei e agradeci. Começamos a comer e vi o meu
reflexo em um alumínio na mesa, minha boca estava com espuma de bigode de
banana. Passei o guardanapo imediatamente e entendi o porquê ele tinha me dado
um guardanapo.
- Onde você estava, querida? Perguntou Ernesto o pai.
- Ah é que eu acabei tomando café da manhã mais cedo.
Não sabia que teria outro. Eu sorri sem jeito.
Todos ficaram em silêncio.
- Ah ela não sabia. Dizia Helena a mãe.
- Com o tempo você vai se adaptando a rotina. Todos aos
Domingos nos reunimos para comermos juntos de manhã é um costume da gente
mesmo. Completou o Ernesto.
- Eles são ótimos, acho que sou eu que to me sentindo
assim, sentindo pena de mim mesma, talvez eu não me encaixe. Desabafei com a
minha tia horas depois do café da manhã.
- Você só ta insegura.
- Né?! Talvez sim. Eu tenho que achar um trabalho
porque eles não vão me deixar trabalhar aqui na casa como você faz.
Era
final de tarde enquanto a senhora Helena estava na cozinha mostradno opções de
novos cardápio para a janta. Cackto e Felipe estavam na escola, Hayden tinha
ido trabalhar com seu pai na empresa de advocacia. Pedro na praia e Augusto em
casa fazendo sei lá o que remotamente. Eu estava em frente ao notebook mandando
currículos de trabalho. As inscrições pro vestibular já tinha passado, então
vejo valores de universidades particulares e vejo na mesma página um anúncio de
curso de fotografia da qual eu amava, mas não podia me dar a luxo. Dou uma
pausa. Tem momentos que valem a pena reviver porque tem fins de tarde que são
mais especiais. Termina em um tom alaranjado e damos boas-vindas ao anoitecer.
Com a luz apagada do meu quarto, sinto na janela aquele vento gelado de outono
e saltavam sobre meus olhos as cores daquele dia especial, mas não sabia
exatamente o porque. Eu não sou muito de poesia, mas poetizei agora. Fecho a
janela do quarto, pois começa a ventar muito forte naquele tarde e começou a
chover de repente em seguida.
Faltou a luz em casa toda fica um completamente um breu. Eu não sabia que em
casa de rico isso acontecia. Já estava de noite e tudo beirava a escuridão
total. Eu não me sentia bem e não conseguia me mexer no escuro. Não ouvia a voz
de ninguém do lado de fora da casa, nem dos dois cachorros enormes no jardim.
Hoje fez muito calor durante o dia e agora estava sufocante.
Alguém subiu no meu quarto e pediu para eu descer,
pois estava muito calor. Ele entrou e encostou no meu rosto e viu que eu estava
suando.
- Vem vem logo sai daí e desce com a gente
- Eu não consigo.
- Deixa eu prender seu cabelo? E ai ta melhor
- Uhum
Balancei a cabeça e disse que sim. No meio na
escuridão nos olhamos e consegui ver que era Pedro que estava falando comigo.
Esses olhares não devem ter levado um segundo, mas pareceu congelar naquele
momento. Ele se aproxima e nossos rosto e ficam muito próximos, mas ele pareceu
não perceber. Ele assopra meu rosto, eu me afasto. Então faço o mesmo e guardei
discretamente meu olhar do seu rosto.
- Não, eu não preciso descer eu to bem aqui.
Mas ele fez pouco caso do meu pedido e me levou escada
abaixo
- Filho, leva ela ao médico.
- Eu cuidarei de tudo. Os médicos não tem tanto
interesse como a gente.
Eu fui levada para a varanda onde tinha uma cadeira de
balanço de madeira de frente para o jardim. Pedro pede para o pai ligar o farol
do carro enquanto eu estava com as pernas bambas e ele me segurava enquanto eu
estava deitada respirando o ar fresco de fora.
- Você é médico?
- Não. Eu sou enfermeiro, mas... espero nunca te ver
lá. Dizia ele com a sua voz grave da qual ele parecia não ter noção que tinha.
- Eu to começando a me sentir melhor agora. Obrigada!
Todos em volta preocupados se acalmaram.
Pedro ficou ao lado de fora comigo enquanto a luz
ainda não voltava.
- Sua mãe disse que ela não tinha te pedido que levasse
a bolsa do mercado. Perguntei a Pedro.
- Que?
- Eu só queria te agradecer por ter me ajudado.
De longe ele não era um dos meninos que me deixavam
sentir mais confortáveis, mas era o que me ajudava mais.
- Eu entendi. Exclamou Pedro.
- O que?
- Saquei que você tem medo de escuro.
- Todos nós temos medos normal!
- Eu não sou psicólogo, mas me conte mais sobre seus
pais.
Eu dou um riso torcido.
- Bom eu acho que não sei o que é ter e perder, eu só
sei não ter. Sobre os meus pais, ficar menos triste não quer dizer que eu
esqueci, mas sou profissional em sofrer. Quando lembro das Sextas-feiras,
lembro da delícia de cada momento em cada conversa mesmo tendo 5 anos. Eu me
sentia feliz comigo mesma.
Ele me escuta atentamente com a testa franzida e
parece entender mesmo ele nunca ter passado por isso.
- No orfanato me chamavam de... retraída...sonsa, o
que mais? ah bicho do mato, lezada, tapada... e me excluíam de tudo e depois
inventavam uma fofoca de que eu tava faltando aos serviços de limpeza e as
meninas nem me avisavam quais dias que elas iriam juntas. Na época eu nem falei
que deveria ter uma ata pra assinar, mas a diretora ficou ao lado delas mesmo
não dizendo com palavras. Era a minha palavra contra cinco delas. Botavam a
culpa ainda em mim de que eu não tinha falado sobre o que meu incomodou e não
comuniquei.
- É inveja. -Dizia ele depois de todo o desabafo e eu
sorrir- As vezes as pessoas tem
dificuldades em acreditar que alguém podia ser bom pra eles, acham que você
vivia de aparências e no mundo da lua. As vezes torcemos tanto para um momento
ruim passar, mas viver é isso, é passar por momentos bom e ruins. Talvez mais
ruins do que bons, mas quando olharmos pra trás vemos que conseguimos e
continuamos e é realmente aproveitar o processo, é como uma festa de casamente,
a festa passa rápido o melhor são os preparativos, sabe?
Eu fiquei um pouco chocada em ver Pedro falando tanto
e se expressando, mas não posso confundir amizade com alguém que gosto de
conversar só.
- Sabe o amor é muito mais imperfeito do que pensamos,
do que a paixão, por isso é difícil amar. Meus pais tem uma história linda e sabe
porque? O que faz ser linda? Foram as dificuldades que enfrentaram lado a lado.
O fruto do amor deles que formou uma família e por mais que eles briguem eu
comecei a enxergar assim. Tem amores que você ama alguém, não pra ficar junto,
só por amar. Quando é unitaletal e você nem liga se não te escolher, aquele
amor só vai existir independente. Existiu assim e era o meu avô, mas ai é outra
história.
- Já eu quando não fui escolhida eu fui malcriada.
- Então acho que com os seus pais e a sua história é
assim.
Naquele momento eu comecei tive um arrepio e admiração
pela forma que ele pensava. Acho que esse foi o momento que eu me apaixonei. Eu
já havia pensado nele, mas hoje olhei pra ele diferente demais, acho que
comecei a conhecer ele de verdade.
- Eu aprendi agora que os dias caóticos são os mais
bonitos, tem uma certa beleza depois que passa, principalmente se vividos ao
lado de pessoas especiais. As vezes também realizamos sonhos em momentos
caóticos ou aparecem pessoas em tempos assim.
Após eu ter dito isso eu rir pra ele e ele riu de volta.
Ele riu comigo, ele riu de mim, ele riu dele, mas disfarçava querer rir mais,
como se tivesse uma postura a se presar. Ele pigarreia com a garganta colocando
o punho fechado na boca e virando pro lado na tentativa no que parece de
disfarçar algo que eu tentava enxergar.
– Você é alguém cheio de vida apesar das dificuldades.
Qual é o seu sonho? A luz de repente volta e todos comemoram. Nós entramos
naquela noite e o medo todo do escuro passou já desde que conversava com Pedro.
Na manhã seguinte eu fui ao quarto de
Hayden perguntar que horas seria o café da manhã, mas acabei vendo Pedro no
quarto dele de shorts e sem blusa dançando em frente ao espelho. Ele me vê e
fica surpreso, mas... me puxa para a dançar no meu dia mais mau humorada com
meu cabelo e pela vergonha do dia anterior.
Eu engasgada – Ah eu...pensei que o Hayden tava, aqui
é o quarto dele?
Encostado na porta, sem desviar o olhar. – Pelo visto,
alguém estava perdida pela casa.
Tentando me explicar – Eu não estava... quer dizer, eu
estava, mas só me confundi.
– Você é hilária.
– Então se prepara que você vai rir sempre.
– Você vai sair?
– Vou, só estou com dúvida na roupa. Pedro me segue
até o meu quarto.
– Essa ficaria perfeita em você
– Ah, não sei...tenho medo de ficar sensual demais.
Ele rindo – ah você ta falando sério? mas você não é
sensual.
– É sério
– Prova pra eu ver vai.
Cruzando os braços – Tá vendo? Essa cara que eu não
queria ver.
– Que cara?
– Essa cara de bobão.
Você acha que é só botar uma roupa assim e ai as
pessoas vão se apaixonar por você, Emicca? Para de besteira.
Nesse
dia fui resolver algumas coisas e fui até o local do curso de fotografia para
ter mais informações. Cheguei lavei o cabelo e desci para comer algo antes da janta
encontro com Helena e ela me sugeriu que eu começasse a dar aulas particulares
de reforço escolar para ao Davi e que ele estava com dificuldades em matemática.
– Queria que você aceitasse de coração.
– A senhora é muito gentil comigo.
– Foi o Pedro que deu essa ideia e eu achei
maravilhoso.
– Sério?
– Ah ele sempre
fala de você.
Ainda estática, quando me movi acabei deixando um vaso
que parecia caro cair no chão e fez um barulhão. O marido dela aprece
perguntando o que tinha acontecido? Que mancada depois de uma bondade dessa eu
deixo cair algo da casa deles.
Davi desce as escadas correndo e pedem para ele não
tocar, mas tarde demais ele acaba se cortando.
– Estão quebrando a casa? Pergunta, Augusto de cima da
escada.
Cackto, nem desceu do quarto, deveria estar com fones
de ouvidos e jogando no computador.
Hayden, chamou a minha Tia para ajudar a limpar e
nesse momento ela olha pra mim sem entender o que tinha acontecido e não
perguntou nada.
Quando tento ajudar na limpeza ouço uma voz ao fundo
dizer algo abafado.
– Deixa ai, deixa ai, você vai se cortar, mas também
vocês deixam tudo na ponta das mesas, assim não tem como não esbarrar. Dizia
Pedro sem olhar nos meus olhos depois de chegar em casa um pouco nervoso.
Nesse momento eu não sabia o que fazer já que eu ao
menos não poderia ajudar limpando.
– Me desculpa, eu posso tentar reembolsar de alguma
forma.
Todos faziam silêncio e pareciam não me culpar, mas eu
me sentia assim, então sai correndo chorando, sem deixar que vissem. Tem vezes
que a gente chora por dentro, mas não escorre para fora. Hoje foi esse dia.
Paralelepípedos, subindo escadas e
descobrindo ruelas escondidas amava ter essa liberdade. A temperatura a das
melhores, céu límpido e um cheiro suave de tempo bom, sabe? Daquelas que
parecem marcar nossas vidas, nos envolvia na rua quando eu voltava para casa
depois de mais um aula particular de matemática para outro criança. Quando
cheguei em casa Pedro me olhava, mas eu fingia não notar.
– Não foi todo esse transtorno que você imaginou,
normal. Deixa as coisas caírem porque você ficou assim me fala?
–
Eu não sei.
– Mas eu percebi.
Sinto que com tinhamos formado essa íntima amizade
especial. Eramos como uma família agora e ele conheceu uma parte da minha
loucura que não era por ter conhecido, sobre meu medo de escuro e ficar triste
por deixa as coias se quebrarem.
– Queria te
fazer uma pergunta se por acaso você não gostaria de sair um pouco? Pra você se
animar.
– Tipo encontro?
– Já que você falou, é isso.
– Mas somos como família agora isso iria pegar bem?
– Então eu sugiro um encontro de mentirinha.
Eu tive que rir
Então essa tarde mesmo nós fomos pegar um cinema.
Fizemos como se morássemos em casas diferentes e nos encontramos lá pra não
estragar os elementos surpresa.
– Que foi?
– Só to fascinado. Seu cordão ou melhor colar, seu brilho
labial, seu arco.
Olhei para frente e alguém vestia o mesmo conjunto que
o meu e Pedro percebeu meu olhar.
– Não se
preocupa em você fica melhor.
Eu tapava o rosto.
– Olha só eu e
os outro caras, tudo de calça igual a minha. Não esquenta com isso.
Entramos no cinema e tava tudo bem até a mesma menina
do conjunto igual ao meu sentar na poltrona ao lado, mas ignorei.
Enquanto víamos o filme que era para ser terror,
acabou sendo engraçado, romântico, mas emotivo, pois era o último da franquia.
– E você o que
você passou que foi triste? Eu perguntava curiosa por seu passado.
– Acho que eu nunca estive com quem realmente eu
gostava ou admirava, ou queria estar ao lado. Eu tive tentativas e claro doeu,
mas a pessoa que eu mais gostei não foi alguém que eu namorei. Então na vez que
eu chorar, quando pensar que terei que dar adeus a alguém ai vou saber que
realmente amei. Das outras vezes eu não conseguia chorar.
Eu conseguia enxergar por trás daquelas palavras
quando ele dizia só coisas breves e o que ele disse agora. Era contagiante a
sua personalidade, me pergunto quem não se apaixonaria por ele a começar a
observar ele. Notei que meu coração já não andava igual do jeito de como
cheguei na casa.
No final do
encontro fomos pra mesma casa, mas fingimos nos despedir.
– Obrigada por
hoje, Pedro.
– Que tipo de
homem eu seria se lhe desse menos que isso?
– Conheço e
não... e conheço.
– Ou? Pergunta
ele
– É brincadeira só conheço você.
Eu parecia toda desinteressada durante o encontro e
sabia o que poderia estar no esperando nos próximos passos. Continuamos nos
olhando e antes e esperar por um beijo, eu espero por um olhar apaixonado e
consegui ver esse brilho.
Mas sugiro um beijo de mentirinha também. Então dou um
beijo no rosto dele, mas como se fosse nos lábios por ter feito do seu rosto
assim, e ele fechou os olhos sentido que aquilo não era um beijo no rosto
qualquer. Eu me afastei levemente. O que
eu não esperava era que ele devolvesse o beijo na minha bochecha, da qual
deixou até babado o meu rosto e ele se desculpa e nós rimos, mas os arrepios
eram reais.
Nos subimos juntos e nos despedimos novamente no
corredor de nossos quartos. Dessa vez senti o seu beijo no meu rosto a caminho
da boca. Só que a senhora sua mãe/ minha madrinha aparece e ele me puxa para
dentro do quarto.
– Não mereço um
beijo? Pedro perguntava.
– Por ter me salvado?
– Uhum
– Um beijo com
ternura?
– O que?
– Nada, eu viajei. Nós rimos com estranhamento que
minha frase causou.
– É difícil arrancar risadas genuínas de mim, mas você
consegue e eu me encantei por isso por isso.
– É que eu não consigo pensar muito perto de você. Boa
noite!
– Boa noite, Mimica.
Eu volto a olhar pra ele.
– Seu novo apelido.
O melhor
da vida geralmente acontece quando a gente menos espera, no meio da rotina, em
um dia comum, foi assim que encontrei ele. Despercebida ele estava bem ali.
No dia seguinte.
– Eu estava pensando
em você.
– Eu também pensei
– Eu senti sua
falta... sabe eu tava querendo falar com você sobre a gente e ontem.
– Eu também senti sua
falta.
– Porque você ta repetindo tudo que eu to
falando?
Eu nunca tive uma melhor amiga, nem amigo e porque eu entendi o amor
tantas vezes de outra forma que quando apareceu, eu não sei reconhecer.
A
minha nova família seguia feliz com a minha vinda a está casa, na presença de
sua única filha menina. Minha tia não tinha acesso a informações sobre o paradeiro
do meu pai. Na vida muitas vezes ficamos sem saber de tudo... Quem sabe algum
dia saberei.