Daquela vez




Certa vez eu estava na minha casa fazendo pipoca de micro-ondas. Fui para o banheiro tomar um banho enquanto deixei a pipoca ficar pronta, quando saio do chuveiro e enquanto me secava ouvi um barulho do lado de fora. Pensei que tivesse sido fogos e tranquilamente acabo de me secar e pentear os cabelo e ligar a chapinha. Ouço uma explosão. Quando saio de dentro do banheiro vejo fogo espalhado por todos os lados: no sofá, na cortina, no tapete e na porta de entrada o que me impedia de que eu pudesse sair. Tentei voltar para o banheiro e fechar a porta, mas o fogo já tinha invadido. O único lugar sem fogo era a escadaria que levava para o segundo andar novamente. Subi para o meu quarto e tranquei a porta colocando a cama para ajudar a trancar.
        A janela era muita alta e não dava para pular. Ouço o som de bombeiros e a única coisa em que eu conseguir pensar era em colocar a minha cortina do lado de fora da janela sinalizando que eu estivesse ali no segundo andar presa. Na pressa tranquei as janelas para que o fogo não entrasse por ali. Ouço eles ficarem mais próximos rapidamente, enquanto eu ficava abaixada em meu quarto. A minha chapinha começa a pegar fogo no quarto e tento apagar com travesseiro. Ate que ouço a janela se quebrar era um dos profissionais do corpo dos bombeiros.
– Calma, senhorita, venha comigo!
Eu vou até ele e ele me pega em seus braços de forma firme. Me vinha na cabeça que não era fácil essa profissão, mas eles deveriam estar acostumados eu os admirava sempre tão solícitos. A ternura do seu coração eu conseguia ver em seu olhar o desejo de ajudar, ao mesmo tempo meu medo se transforma em segurança. Quando chegamos em baixo eu grito.
– A MINHA CAHORRINHA! (Sem pensar e no impulso tento entrar novamente dentro de casa).
– Deixa comigo (Dizia ele ao amigo do lado)
– Felipe, acho melhor não, a casa está praticamente tomada. ( Dizia seu parceiro de trabalho)
Ainda sim o bombeiro que me ajudou, cujo nome era, Felipe, sobe mais uma vez.
– Eu só estava fazendo uma pipoca. Eu dizia ao amigo enquanto ele subia novamente.
Um dos bombeiros olha para mim e diz que vai ficar tudo bem. Enquanto isso Felipe entra no quarto com grandes dificuldades, vasculha por todas as partes para achar a cachorrinha. Quebra a porta que está a direito do corredor quando vê as escadas tomadas por fogo e a cachorrinha estando no rol da sala. Com o extintor de incêndio ele vai apagando o fogo da escada enquanto os outros do lado de fora apagavam. Felipe, consegue pegar a cachorrinha. Ele tenta sai pela porta da frente, mas os amigos indicam que seria melhor ele sair pela janela novamente do mesmo jeito que entrou e sair.
 “Como ele se arriscaria assim por alguém? É claro é o trabalho dele” eu pensava enquanto via ele segurando a minha cachorrinha.
– Graças a Deus conseguimos mais uma vez, rapazes!
Eu chego perto dele.
– Muito obrigada e me desculpem todo o ocorrido.
Ele me olha com olhos melancólicos, aqueles olhos que a pouco tempo pareciam ser de uma pessoa muito durona.
– Conseguimos reter o fogo, não foi nada.
Até que ouvimos uma outra explosão. Ele intuitivamente se abaixa e me cobre com o seu corpo. Se jogou em cima de mim para proteger da madeira que caiu, me pegou no colo e eu disse que não conseguia me mexer ou se tivesse que correr.

– Algo explodiu do lado de dentro devido ao fogo. Vamos cercar o local. A ambulância já deve estar chegando. Está tudo bem?
De forma inesperada eu o abraço feliz.
Me carrega em seu colo e me leva até o carro da ambulância.
– Agradeço mais uma vez toda a equipe. Gostaria de saber o seu nome.
 – Meu nome é Felipe, senhora! Ah, que nada, nós só fizemos o nosso trabalho.
– Felipe, você cumpriu um ótimo trabalho só devo gratidão (dizia abraçando a minha cachorrinha).
Ele a olha
– Até mais senhora... desculpa?
– Maria, meu nome é Maria.
Seu superior chega e briga com ele na minha frente dizendo que ele tinha sido imprudente. Pra mim eu queria eternizar aquela atitude dele.

    Após esse dia, no dia seguinte eu fui ao hospital para ver se ele estava bem, pois ele se machucou por minha causa. Talvez ele não lembre de mim. Após esperar por uns vinte minutos Felipe estava saindo da sala de curativos e lá encontro ele com uma outra pessoa carregando o braço dele em seu pescoço, era uma mulher. Penso em sair correndo, mas tarde demais! ele já tinha me visto. Os pais dele olharam pra mim e eu olho para Felipe sem saber o que dizer. Não sei quem estava mais envergonhado e não sabia onde colocar a cara, eu ou se era ele. Digo que fiquei preocupada e agradeço mais uma vez. Ele agradece, mas parece não fazer ideia do que eu estivesse fazendo lá. 
     Outro dia estava em casa e ouvi a minha campainha tocar, quando vejo era alguém de blusa social, calças Jens. Alguém cujo não conseguia ver ver seu rosto porque escondia por trás de um buque de flores enquanto o segurava. 

– Eu to aqui, mas não é invasão por emergência, eu só... queria agradecer pela preocupação de saber como eu estava. E por aqui está tudo bem?
– Bombeiro?
– Sim, sou eu (diz sorrindo olhando para baixo acanhado)
– Eu pensei que nunca mais iria te ver. Nossa, me desculpa ter aparecido de forma inesperada no hospital daquela vez eu não sabia que...
– Não se preocupa, eu fiquei nervoso de te ver, principalmente naquele estado. Queria te falar também que aquela pessoa do meu lado era a minha prima. 
( eu respiro aliviada)
– Desde aquele dia eu nunca mais te esqueci.

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