Acabo de chegar para uma visita ao dentista na manhã por
volta das 11h. Eu estou no 9° andar do prédio esperando no consultório a minha
hora de ser chamada para ser atendida. Minha mãe falava tanto desse dentista
ser bom, falava que ele era um ótimo profissional e que ele era excelente
pessoa, doutor Sebastian para lá, doutor Sebastian pra cá... não sei porque as
pessoas falavam tanto dele, até mesmo uma amiga me indicou, sendo que eu já
tinha marcado uma consulta com ele, fora que eu estava acostumada com a minha
antiga doutora. Enquanto esperava via sentava do meu lado direto uma mãe e uma
filha juntas conversando, do meu outro lado uma mulher lendo revista, a
recepcionista assistindo TV e atendendo ao telefone e do outro um rapaz
entretido jogando vídeo game no celular e enquanto a mim, eu estava no meu
celular anotando todas as coisas que eu tinha para estudar, depois mexi no
Instagram.
Logo
mais chegou um homem pai e esposo das duas que estavam a minha direta. Ele
trazia um lanche para a sua filha e eles conversavam e brincavam pareciam ser
uma família feliz, aquela união me fazia lembrar da minha. Com o tempo de
espera pôr ouvir o que falavam ouvi dizer que eles já tinham viajado, o pai
fazia piada da filha, e eu estava ali sozinha no dentista esperando pela minha
vez, pois eu já não era mais aquela adolescente que via na menina, eu era uma
moça adulta, por mais que não parecesse pela minha aparência e tinha que está
ali sozinha, mesmo a minha mãe ter me levado no primeiro dia. A gente vai
percebendo pelos sutis acontecimentos e passando pelas crises dos vinte e
poucos.
De repente eu sou chamada pela recepcionista para entrar, –
Eleonor, por favor pode entrar na sala.
Ao entrar na sala senti um cheiro forte, conhecido como
cheiro de hospital.
–
Bom dia, senhorita, Eleoo...nor, certo?
– Sim.
–
Na verdade, boa tarde, né!... então vamos lá. Está tudo bem, você usou aparelho
por quantos anos?
– Seis anos eu tirei faz uns seis meses,
doutor!
– Uau bastante tempo, talvez não precisasse ficar tanto tempo assim, seus
dentes não pareciam ser algo muito grave. Certo! vamos fazer a limpezinha
então?
Balancei a cabeça assentindo, na verdade eu tava ali pra isso, mas ele começou
a bater papo como se eu pudesse responder enquanto estava com a boca aberta e
água jorrando em mim e no intervalo ele pedia para eu cuspir a água fora.
Chegamos ao final da limpeza que durou cerca de 15 minutos de sofrimento. Ao
final da consulto mesmo um pouco sem jeito eu digo:
–
Sinto muito pelo seu avô.
Um suspiro foi a resposta por um instante.
Ele parecia não esperar por essa fala.
Fiquei sabendo, pois não pude deixar de escutar as enfermeiras comentando que
iriar fazer as consultas somente até a 13:h por conta do falecimento de seu avô.
– Pra ser sincero nós já esperávamos. Dói mais quando é de repente, mas ele já
estava doente, já era algo que nós esperávamos. Em seu rosto havia marcas ao
gosto do tempo.
Eu só ouço e balanço a cabeça. Que incrível! Ele mal poderia esperar que senti
um impulso de admiração por ele quando percebi sua fala suave ao ouvir aquelas
palavras.
– Como você se sentiu a respeito de mim?
Eu estranhei a pergunta distraída em meus pensamentos.
– Ah você realmente é um ótimo profissional como dizem. Muitas pessoas me
indicaram o senhor.
Ele abriu um sorriso genuíno animado
–
Excelente! Eleonor, então até a próxima ou até breve! Ele bateu uma continência
simpática acompanhada de uma piscadinha, mas não ia ter uma próxima era só essa
limpeza e pronto.
– Até! –Digo até poucas palavras–. Bom trabalho! Eu gaguejo – digo baixinho,
mas ele consegue ouvir.
– Obrigada, minha querida!
Estando ainda no meu
celular volto meus olhos para cima e reparo ao meu redor, quando sinto como se
fosse uma tontura, sinto o chão tremer, sentia que eu não poderia me segurar em
nenhum lugar e que aquele prédio queria nos tirar dali de dentro de tão forte e
intenso que foi o tremor. Eu poderia abaixar pra proteger a minha cabeça. Da
porta do elevador eu volto para a porta do consultório. Sinto meu coração bater
como se me pedisse pra... voltar naquele consultório mais uma vez para ver o
doutor, mas que sensação pode ser essa?
Quando estou chegando perto da minha
casa eu vejo dona Firmina, vizinha do prédio da cobertura e patroa da minha
mãe. Nesse momento ando em passos largos me escondendo dela. –
Ufa. Olho da fresta do muro na entrada. Olho para trás e tudo certo! Levo um
susto quando vi que ela estava me espionando e disfarço estar fugindo.
– Está tão linda hoje, como sempre! Diguinho e você
combinam tanto.
Combinamos é? Ela sempre insistia para eu sair com o
seu filho desde que a minha mãe começou
a trabalhar em sua casa como faxineira e quando estudamos juntos no fundamental. O Dieguindo era mentirosinho, sabe pro
meu gosto, ele contava cada história que não dava para acreditar e uma delas
era que saiu várias meninas do prédio. Pra piorar ele tinha mais de 30 anos e
só andava com turma de vinte e poucos anos, não gostava de compromisso, seja
amoroso ou de trabalho. Passava o dia todo no bar. Era um cara mimado e vivendo
até hoje com a sua mãe e a custas delas esse é pior.
– Eu to
trabalhando ainda todos no shopping, finais de semana e feriado também.
Primeira vez via a Firmina com lágrimas nos olhos.
– Me desculpa minha, senhora! Eu fico séria sem reação
só olhando para ela enquanto ela chorava.
Até que outro dia estou minha mãe me ajudando a
escolher uma roupa para o encontro, ela dizia para eu usar uma roupa com cores,
mas eu nem tinha nenhuma rosa e tirar o rabo de cavalo baixo, óculos e mudar a
roupa, pois eu usava sempre a mesma de sempre. Eu cheiro a blusa.
– Mas não está com cheiro ruim. Qual o problema?
Minha mãe achava uma boa ideia já que conhecia a mãe
dele e eu sabia quem ele era afinal era meu vizinho. Aliais ele usava no dia do
encontro uma blusa do time de futebol. Eu detestei.
– Ta brincando, né?
– Posso estar. Se estiver achando engraçado. Dizia ele com suas piadas sem
graça
Chegamos e nos sentamos no restaurante.
– Desculpa chamar você pra almoçar e ficar todo tímido
assim. Dizia ele sério.
– Não, ta
tranquilo! Com olhos sem vida continuei o encarando.
– Você já namorou? Dispara ele.
– Não, na verdade eu nunca.
– Uau em um século desses alguém ainda não namorou.
– Porque não acredita que eu nunca namorei? Eu sou romântica eu quero ser uma
romancista até. “que irritante” eu pensava.
– Você?
– Mas porque você é tão difícil de conversar isso é um paradoxo na minha vida.
– Pra falar a verdade eu nunca tinha me apaixonado,
mas agora eu estou. Dizia ele.
– Já sim só que todas as vezes é diferente.
Ele torceu o pescoço de leve para trás surpreso como a minha resposta, como se
ele tivesse perguntado é você Eleonor que está falando isso?
– Ei não vem com esse papo furado. Digo já sacando onde ele quer chegar.
– O que? Ah, sim entendi. Você se apaixonou por mim,
não é? Como pode ser tão rápido assim.
– Eu? Eu não.
De forma inesperada ao longe eu podia jurar que era o
Dr. Sebastian entrando no restaurante. Quando ele anda em nossa direção. É ele!
Eu ajeito minha postura da coluna e aliso o cabelo com as mãos. Ele cumprimenta
Dieguinho o que foi algo estranho, eles pareciam amigos próximos, algo mais
inesperado ainda.
– Opa, Olá? Dizia Sebastiam
– E ai, cara?! Disse Dieguinho.
– Boa tarde, Eleonor, é minha paciente, nos
vimos recentemente lá no consultório não foi?.
– Mesmo sim foi, quer dizer sim foi mesmo, doutor. Balando a cabeça assentindo.
Diaguinho olha pra mim como se tentasse decifrar algo.
Em seguida aparece uma garota ao lado dele pegando o seu braço. Simpática e
sorridente ela nos cumprimentando e logo depois se despedem para suas mesas e
desejam um ótimo almoço para nós.
– Eu preciso da sua ajuda. Diz Dieguinho.
Eu faço uma pausa pensando no que iria responder.
– Como eu iria poder ajudar você?
– Então é dela que eu to afim. Sei que gostou do
doutor e é ai que você entra. Ele é um conhecido meu, digamos próximo, eu posso
te ajudar com ele. Eu posso te ajudar a seduzir ele. Ele sorrir maleficamente.
– O que? Ele namora? Fico com semblante triste. – Isso
é errado! Você sabe disso, a aproposito porque pediu para sair comigo?
– Tá legal e daí. Você sabe nossas mãe acham uma boa
ideia. E sim vamos ser ser oportunistas.
– O que?
– É isso não se aproveitar das pessoas, claro! mas das
oportunidades. Nós só iriamos ser um casal de amigos de outro casal e
tentaríamos convencer do contrário. De que ela tem que ficar comigo
Fiquei lembrando de Sebastian na única vez que vi ele.
– Isso é loucura... mas eu vou topar.
Dieguinho mal acredita nas minhas palavras e fica animado.
– Eu só não sou muito bom em ser romântico.
– Eu vou ensina-lo. Eu dizia enquanto tentava furar o
copo de milk-shake.
Ele olhava pra mim parecendo querer rir e me zombar de
mim, mas se segura deixando visível.
– Sabia que para você furar a garrafa é só tapar a
parte de cima do canudo. – Dizia ele dando dica enquanto abria o meu copo de
milk-shake de forma prática. – Daí você consegue furar prendendo o ar.
– Ahhh Valeu.
Aff porque ele faz parecer tão fácil as coisas?
Cheguei em casa com um sorrisinho no rosto chamado esperança
mesmo sabendo ser errado tentar conquistar Sebastiam. Minha mãe logo pensou que
fosse por conta de Diguinho e eu deixo ela pensar que sim.
Na manhã seguinte acordo mais uma vez
depois de um sonho sobre estar casando, mas eu não via quem era, não conseguia
ver o seu rosto. Levanto, lavo o rosto e vou mais uma vez trabalhar, isso
incluía segunda a domingo de 9:h as 18:h, mas o encontro por um lado valeu a
pena. Minha mãe na cozinha estava fazendo café, sento na mesa para conversar
com ela e vejo suas roupas furadas para sair e de usar em casa e meu pai quando
me pediu par ajudar para instalar um rádio no celular reparo só aplicativos de
empréstimos, de aprovação para limpar nome, aplicativos de loja da qual foi
aprovado carnê, de bancos da qual foi negado o pedido de cartão. Eu já sabia,
mas percebi o quanto estávamos necessitados e muitas vezes chamados por trás de
pobres coitados, por mais que eu não mostrasse a tristeza e nem eles, mas eu
precisava confiar no processo e que sairíamos dessa um dia.
Mais
uma diz de trabalho na piscina de bolinhas na parte de recreação do shopping
onde eu trabalhava. Até um casal de crianças eu conheci eles me contavam que a
história de amor deles que começou no parquinho em meio a uma guerra de
bolinhas dentro da piscina de bolinas. Também conheci pais solteiros que
levaram suas crianças para brincar e acabaram se conhecendo. Enquanto eu só
queria namorar um rapaz com a personalidade do um Golgen retriever e escrevia e
mandava DM para um cantor famoso por quem eu tinha uma paixonite no chat pra
fãs dizia ser uma seguidora, mas também alguém que o admira muito e mesmo sem
retorno eu dizia querer ser uma romancista um dia e que iria escrever sobre
ele. Na hora do meu intervalo eu paro em uma vitrine de roupas caras e vejo um
manequim, mas percebo que estava se mexendo. Eu levo um suto quando percebo que
era um homem e um menino provavelmente seu filhinho fazendo brincadeiras na
loja. Ele parecia um CEO de terno e gravata em meio ao um shopping. Eu sorrio
de longe ao ver a cena eles se divertindo.
– Não se mexa – ordenou o cara misterioso. Quando olho
assustada pra trás.
– Me desculpe, senhorita! Pelo susto. Eu só sou um pai
brincando de vitrine. Esse é meu filho, Kaique.
– Oi, Kaique! Tudo bem? O menino ficou encantado pelo
me uniforme colorido e chamativo. E um xauzinho tímido com olhos brilhantes foi
a reposta do menininho.
– Vou levar meu filho para brincar lá qualquer dia.
Que tal filho?
– Vamos adorar recebe-los por lá. Me desculpa minha hora do almoço já terminou
eu tenho que ir voltar pro trabalho. Até mais.
– Antes só queria desejar que você tenha resiliência.
Eu agradeço com um sorriso sem mostrar os dentes e meus olhos quase encheram de
lágrimas.
Uau! Que bonitão ele! Pensava no caminho.
Indo para casa eu pego um ônibus com um
motorista muito grosseiro que diz para eu entrar logo dentro do ônibus. No
caminho eu acabo dormindo com a cara para o vidro pegando um vento forte e ao
espirrar sinto alguém do meu lado fechar as janelas. Quando abro um de meus
olhos vejo que o rapaz do meu lado estava acordado e depois quando acordei pode
definitivo deu a impressão que ao me ver dormindo do lado ele dormiu também.
– Já chegamos? O rapaz perguntava
– Diguinho?
– Eleonor?
– Não vai dizer que não sabia que era eu?
– Eu só estava com frio e fechei as janelas. Eu queria falar mesmo com você.
Vai rolar uma festa sábado e adivinha? Eles vão estar lá. Você ta afim de botar
nosso plano em prática?
– Você me seguiu só pra perguntar isso? Eu bocejo.
– Eu realmente vim ao shopping comprar uma calça pra ir na festa.
– Tudo bem eu vou.
– Ótimo! Dizia ele empolgado.
– Ótimo. Dizia enquanto bocejava mais uma vez. – Você
precisava comprar uma outra blusa; talvez ela não tenha se interessado ainda
porque usa a mesma blusa de time sempre.
– Quem fala você vive com a mesma blusa azul clara social jeans também.
Eu olho pra mim mesma
– É verdade!
– E se você soltar o cabelo
Ele tira a xuxinha do meu cabelo preso sem minha permissão
– Ei não faz isso. Me devolve.
Ele olhava pro meu rosto de forma misteriosa parecia perplexo com algo. Ele me
devolve a xuxinha rapidamente e sem dizer nada.
– Já te contaram que você é um chato!
– Só agora descobriu?
E descemos no mesmo ponto de ônibus e fomos para nossas casa dentro do prédio.
O sábado chegou e nós dois também
chegamos na festa. Antes disso me arrumei no banheiro do shopping depois do
expediente. Chegamos ao local da festa e parecia tudo muito chique. As pessoas
não se sentavam nas cadeiras das mesas, ficavam em pé conversando e comendo
petiscos com champanhe. Eu usava um vestido preto, com salto e um rabo de
cavalo de lado. Dessa vez alisei mais o cabelo e foi tudo que pude conseguir
para ficar elegante. Parecia uma festa de alta sociedade para estudantes de
odontologia, mas tinha todos os outros universitários lá. Diguinho usava um
terno parecido com o que o CEO usava da vitrine.
– Posso ver o seu convite? Perguntava uma voz ao
fundo.
– Posso ver o seu? Replicava Dieguinho.
Até que vi que era Sebastiam fazendo uma brincadeira e
Vitória, a sua namorada, chegando à nossa mesa.
– Boa noite! Ele apertou a minha mão e me olhou
profundamente de forma que até me deixava envergonhada e ela me cumprimentou no
rosto com dois beijinhos de cada lado.
– Vocês estão lindíssimos! Dizia Dieguinho.
– Vocês que estão devo dizer. Eu estou feio perto de vocês.
– Conversa um pouco com a Vitória, meu bem! Dizia Dieguinho enquanto carregava Sebastiam
para outro lado. Ele acabou de me chamar de meu bem? que vontade de morrer
– O que? Acabamos de chegar! Eu dizia sem muito entender.
– Eu que decido. Diz Dieguinho dando rizada.
– Você só decide só se você tiver vivo. Digo sorrindo e disfaçando.
– Essa implicância fofa entre vocês. Dizia Vitória que ri alto e eu levo um
susto.
Enquanto isso ele ficou a sós com Sebastiam e eu com a
Vitória.
– Como vocês se conheceram? Perguntava Vitória.
– A alguns anos. Minha mãe trabalha pra mãe dele e... Não sei como foi... só
sei que foi assim! Que me apaixonei por ele. Sinto que posso contar com ele pra
qualquer coisa até as mais malucas, sabe.
– Hum me conta mais.
– Ele é cuidadoso, preocupado, sensível, amigo leal. Eu
rio sem graça e Vitória rir junto.
– A verdadeira beleza das coisas não serem perfeitas. Você entendeu tudo sobre
a vida já. Dizia ela em um tom de sabedoria.
Enquanto eu tomava um gole de suco rosa admirando ela tristemente por ela ser
legal e ter o coração do Sebastiam e do Dieguinho também.
– O que mais gosta de fazer? Ela pergunta
– Ah é Dormir.
Nisso ela fica em silêncio com a minha resposta.
Enquanto isso eles estavam conversando do outro lado
da festa
– Como você descreve estar com alguém incrível ao seu
lado? Perguntava Sebastiam
– Eu pergunto o mesmo. Trate ela bem. Mas bem vou te
dizer sobre Eleonor, você não vai acreditar, nos conhecemos a muito tempo. Ela
é daquelas garotas que no início muitos acham sem graça, usa a mesma roupa, é
direta, porém educada, mas não é doce, mas conforme vai conhecendo ela tem esse
lado, tem opinião, não é boa com palavras e é fechada, mas não é mau humorada,
parece lerda, mas ta tudo bem pra ela, ela nem liga. – Ele rir. – Ela é
adorável com esse jeito insípido.
– Uau só um olhar apaixonado é capaz disso.
– Mas eles dizem não, quero dizer é claro, mas você também vê isso nela, né.
Sebastiam rir.
Ao final da noite vi o casal se olhando e rindo juntos
e eu respiro fundo pensativa. Dieguinho aparece atrás de mim também os
encarando.
– Eu estava disperso, por um momento eu iria descrever
a Vitória quando Sebastiam me perguntasse sobre a pessoa por quem eu estava
apaixonado, mas eu acabei descrevendo você, acredita?... Na verdade é só porque
eu queria só te ajudar e fiz isso bem. Fica tranquila ele vai pensar em você.
– O que? eu não escutei nada do que você disse.
Dieguindo aprumando-se olhou compreensivamente
– Entendo não querer ficar aqui sozinha e comigo, mas...
– Como você conheceu o Sebastiam?
– Então, bom ah!
– Perai eu to com uma dor, uma dor na barriga.
– Você tem um senso de humor descente até.
– Não é sério na verdade eu to com dor de barriga. Por
favor me leva ao banheiro sonzinha eu não vou conseguir.
No meio do salão eu paro de andar
– Vai fazer nas calças agora?
O esforço para me manter calma me deixou atônita achei que ia desmaiar. Não me
importei de parecer menos graciosa eu só queria chegar ao banheiro.
– Não fala isso pra mim agora, só me ajuda.
Dieguinho me pega no colo e sai correndo comigo. Chegando ao banheiro da festa
havia uma fila enorme do salão de festa. Dieguindo se desespera ao ver que eu
estava suando frio, pálida e decide entrar ao banheiro feminino com todas as
mulheres reclamando por um homem ter invadido. Ele bate na porta do banheiro
nervoso para abrirem e em fim consigo chegar a tempo.
– Vai embora! Grito de dentro do banheiro. As mulheres todas olham para
Dieguinho e aplaudem e ouço os aplausos no final.
Já na rua de casa fomos caminhando pela noite passamos em frente a uma praça e
continuamos andando em círculo.
– Acho que algo da festa não me fez bem, mas eu como de tudo, não sei o que
pode ter sido. Talvez tristeza.
– Você podia só chorar. Dizia ele.
– Pois é.
– Foi na
faculdade de odontologia. Eu parei de cursar no segundo semestre. Foi lá que
conhecia a Vitória também. Eu gostei dela de primeira, mas ele quem conseguiu
conquista-la.
– Você deveria ter perguntado se ela já tinha bebido
água.
– O seu jeito de conquistar é esse?
– É a minha linguagem do amor, dizer isso no meu mundo
é flertar.
Ele rir.
– Que foi? Perguntou ele
Eu abaixo a cabeça
Fiquei surpresa – eu rio– por eu não agir friamente quando falei de você
também.
Ele olha pra mim de forma enigmática da qual eu não conseguia
descrever.
Andamos mais um pouco pelas ruas e paro pra compra
bala de uma senhora no sinal
– Ah não! dá outra vez fizemos uma parada e você comprou
bala para ajudar outra moça.
Enquanto ele me olhava
– Fazer o que eu gosto de ajudar.
Trovoadas muito forte surgiram acompanhadas de ventos
e chuva.
No meio da calçada molhada a caminho de casa fiquei descalça porque o meu salto
arrebentou no meio da rua.
– Toma os meus sapatos.
– Não se preocupa uma senhora vende chinelos em um brechó aqui perto, eu
conheço.
– Já disse pra você podia usar os meus sapatos.
– Não precisa é ali perto, já estamos próximos
– Ou você calça ou eu vou te carregar no colo de novo.
Ele insiste e eu acabo aceitando usar seus sapatos.
Chegando no brechó a senhora não tinha maquina para o
pagamento no cartão, em pix ela não entendia usar, só em dinheiro. Pego na
minha carteira o dinheiro, mas ela não tinha troco então eu levo uma blusinha
do brechó para ajudar ela. Ela me dá uma sacola rasgada em um fio de fitilho
enrolado como forma de segurar e eu agradeço.
Enquanto isso Dieguinho me olhava sem paciência.
– Se continuar assim vai falir.
Ele parecia ter dupla personalidade. Ele me levou até
a porta de casa, mas dizia essas coisas.
A chuva já havia cessado um pouco.
– Obrigada por ter me ajudado hoje e pelo sapato e
por...
– Você sempre agradece por tudo?
– Acho que sim.
– Vai lá. Entra agora.
– Boa noite!
Ele parecia genuinamente querer me ver bem, mas não
para me conquistar ou querer agradar porque acha que deveria.
Mesmo sentindo dores nos pés, ele não tinha entendido
porque agia assim. Quando chegou em casa riu por seu pé estar sangrando por ter
machucado em algum lugar.
Pela manhã eu acordo pensando, hoje
eu vou esquecer Sebastian, tenho que fazer isso ai todo dia e todo dia eu
fracasso nisso. Eu era mais feliz perdida em ilusões e fantasias por amar platônico
por um cantor teen até hoje. Me arrumo para mais um dia de trabalho mesmo
exausta.
Encontro Dieguinho na portaria e pegamos o mesmo
elevador para descer.
Comecei a balbuciar algo que ele não ouviu.
– O que? Eu não ouvi.
– Você melhorou? Elevo mais a o tom da minha voz – Quero dizer seus pés.
– Como você está? –Ele não responde, parece se
importar mais comigo do que quando eu pergunto se ele estava bem e isso me
irrita. –
– Bem obrigada.
Ele sai do elevador em silêncio anda na minha frente como se o dia de ontem não
tivesse existido. Eu queria perguntar e agora? O plano? Mas não fiz isso.
Ele é aquele que parece frio por fora, mas manteiga
derretida por dentro deve estar com vergonha de se mostrado daquele jeito pra
mim. Ele é louco desbocado, totalmente contrário não sei porque estou
preocupada. Ele olha pra trás e diz.
– Vem aqui rápido.
Eu andei rápido até ele.
– Ei não precisa correr.
Mas eu nem corri, que irritante dele me
apressando e depois dizendo isso.
– Decidi voltar a estudar.
– O que?
– Vou lá reativar a minha matrícula. Acho que agora eu
consigo ficar mais perto dela assim.
– Mas pelo que conheci ela não vai te dar bola.
– Como é?
– Porque precisamos dizer que não estamos mais juntos.
Desse jeito vai ser melhor para mim também.
– Tem razão ela é maravilhosa.
– É... e você parece mais sério ao lado dela.
– Eu falo com ela depois que não estamos mais juntos.
Bom trabalho! Xau.
– E o doutor e eu? assim me quebra. Ele já estava indo
na minha frente e nem me ouviu falar.
Depois do dia longo de trabalho chego em casa e recebo a notícia que o
aluguel estava atrasado cinco meses e poderíamos ser despejados e mais uma vez
eles brigavam por meu pai estar devendo às agiotas.
Olhar a janela sempre foi meu ponto de paz e sentir essa tranquilidade é
o que eu me lembro quando estou em um dia de turbilhão de coisas ou em uma
semana e é precioso esse momento porque eu descanso de tudo e até de mim mesma
e das minhas preocupações e cobranças. Eu sou muito mais do que demonstro ser,
mas muito não vêem isso.
Em
meio aos caos que eu estava mais uma oportunidade chegou o casal havia nos
chamado para a gente para ir ao cinema, mas eu digo que não posso ir.
– A gente aproveita e briga e depois falamos que terminamos. Dizia Dieguinho
tentando me convencer.
– Você não disse que iria falar com ela?
– Mas surgiu essa oportunidade só mais uma vez.
– Tudo bem eu vou.
Mesmo não querendo muito ir.
Fomos ao cinema em um dia chuvoso pela tarde.
No meio da sessão. Dieguinho se esconde pra não chorar perto da gente ao
vermos o filme dramático. Mesmo pensando que não tínhamos visto eu finjo não
saber.
Saio para comprar algo para beber. No corredor do shopping encontro
aquele homem bonitão de terno novamente, mas ele estava sem o filho dele dessa
vez. Pela minha surpresa ele me reconhece e vem me cumprimentar com um uma
batida de mão.
– Eleonor.
– Nos apresentamos nossos nomes da última vez?
– Se você sair comigo eu esqueço a dívida do seu pai.
Era um dos homens que cobrava dívidas.
Eu fico paralisada.
– Não entendo!
– É o seguinte seu pai está me devendo e eu sou um
homem de negócios.
Ouço uma voz grave vindo atrás do homem de terno.
– Eleonor você estava demorando Dieguinho pediu para
vir te procurar.
– O senhor é o namorado dela?
Sebastiam sentiu uma atmosfera estranha, mas não sabia
ao certo seu eu o conhecia.
– E se eu for?
– Tanto faz. Só avisa ao seu pai que o acordo pode ser
esse.
– Quem era ele?
– Eu tenho
vergonha de falar um pouco sobre isso. Me desculpe.
– Tudo bem, mas você está bem?
– Sim eu to. Obrigada.
– Imagina! Volta lá pra sala de cinema eu preciso
atender um paciente agora. Se cuida viu.
Quando voltei para sala ainda desnorteada vejo
Dieguinho e Vitória rindo juntos do filme e ele a olhava de forma tão intensa e linda. Quando ele me
viu ele apontou o polegar perguntando se tudo tinha dado certo. Só digo pegarei
a bolsa e que iria embora.
– Eu preciso ir, Vitória.
– Tudo bem eu vejo o filme sozinha. Todos me deixaram.
– Não precisa vir comigo, aproveita e fala que
terminamos por isso. Começo a chorar.
– To vendo que
hoje é só problema. Disse ele relaxado quando ele me viu chorar. – Para de
chorar se não as pessoas vão entender errado que eu fiz você chorar.
– Ele tem uma visão de mim que parou no tempo e toda
garota já se apaixonou por um cara que viu no ônibus e eu por um dentista.
– Do que você ta falando, Eleonor?
– Se você não ta bem é só chorar, ouviu? Não precisa
fazer algo que vá te machucar. Digo isso chorando. – Você machucou o seu pé por
minha causa.
– Perai você
não está bem, volta aqui. O que aconteceu? É pelo doudor? Ou você ta chorando
por ter me visto conversar com Vitória? Ele perguntou com um certo retaguarda,
mas com afago. – Esse último eu falei de zoeira.
– O óbvio, né. Ele percebeu que a minha resposta escondia algo. – É só que hoje
ta dando tudo errado.
– Não fala isso, você estava com o Sebastiam, certo?
– Quero sair daqui
– Eu iria com você, mas é que não dá, o Sebastiam ta
me devendo uma grana e eu preciso cobrar.
– Ele foi embora porque precisou atender na clínica.
Você pode ficar sozinho com Vitória agora.
– Calma ai eu vou com você. Minha mãe disse que sempre
que ver alguém chorando eu tenho que abraçar. Eu sabia que era decoração.
No
caminho ele compra um sorvete pra mim na saída do shopping e umas batatinhas e
sentamos em um banco de jardim de praça, molhado de chuva, além de arvores com
luminárias brilhantes em sua esfera, já a noite, e ao lado dos bancos havia
grandes vasos de concreto de arranjo de flores das quais não lembro o nome apesar de amar
flores. Letreiro iluminado de um estabelecimento de uma cafeteria atrás de nós
e que parecia vender um perfeito chocolate quente.
– Agora por que você está chorando de novo?
– Eu to chorando porque esse sorvete que você comprou
pra mim ta tão bom. Sabe eu nunca mais senti esse gosto o sabor é diferente.
– Eu fico feliz que esteja gostando. Ele coloca a mão
na minha cabeça e joga pra frente meu cabelo. O que me faz sentir como um
filhote de Golden retriever da qual os donos fazem carinho na cabeça.
Ele fez das batatas fritas como dentes
de vampiro pra me fazer rir. Com ele nada é tão ruim que não se possa passar e
suportar e as coisas não pareciam desestabilizar. Aliais eu não sabia. Ele
sempre foi tão bonito assim? Ele sorri e via suas covinhas e seu cabelo grande
até o pescoço era um charme e sua barba rala.
– Talvez a gente saiba que gosta de alguém quando
mesmo em silêncio quer estar ao lado, é bom e ainda é bom aproveita-lo com
você. Você é um bom amigo.
Ele fitou seus olhos em mim.
– Na verdade eu já tive um namorado, mas não nos
beijamos. Ai teve uma vez, mas eu era nova demais pra gostar de beijo, por mim
eu continuaria com ele sem beijar. Ai certo dia quando aconteceu, nós
terminamos.
Ele gargalha de forma marota
– E agora você gosta?
– Ah eu? Eu aperto meus lábios superiores contra os
inferiores
Ele estala os dedos e dá uma piscada leve e rápida.
– Sabia que nós tocamos onde gostaríamos de ser
tocados e você está bem na minha frente tocando seus lábios quando olha pra
mim. Diz Dieguinho.
– Deixa para lá essa conversa. Eu fico sem graça.
– E se eu não quiser deixar? Disse isso me acariciando com o olhar. Compreendo
que ele queria ser amável comigo.
Era quase palpável que o meu quere beija-lo, mas não
nos beijamos.
– Olha ali a
nuvem tem formato de um pulmão. Digo mudando de assunto e desatando climas.
Ele olha pra mim estranho
– Cadê?
Volto para casa e volto a olhr pra janela. Prefiro
olhar só pra essa janela, pois já se tornou a minha amiga. Lembranças também se
tornam, queria reviver aquele momento. Ainda me sinto contente em reviver o seu
olhar e cada palavra dita. Naveguei nos mistérios dele, mas não posso continuar
com isso, não quero mais conquistar o doutor. Eu sentirei mais falta de pensar
em um plano com Dieuinho e vou ainda vislumbrava desse sentimento por um tempo.
– A vida fica mais bonita! os dias ficam mais bonitos.
Era um deleite a sua companhia. Tinham cheiro de tardes de sol e de verão. Teve
sabor. Pareciam na mesma medida para ele por que parecia bom e surpreendente
para ambos. Dizia para minha única amiga. A minha mãe.
– Então diz
isso pra ele.
– Mesmo os
peritos em disfarce não conseguem disfarçar o olhar diante daquilo que os interessa,
foi um olhar fixo em você, eu reparei que realmente era diferenciado
– Mãe? Temos tanto o que nos preocupar.
– Mas a minha felicidade é poder te ver feliz e
realizada.
– Quando o papai vai pagará dívida?
– Não sei, Elenor, nem quero falar sobre isso. Outro
dia ele veio e disse que não ia poder pagar ainda. Olha eu não to aguentando
mias essa situação.
– A gente vai conseguir sair dessa, eu to trabalhando
a senhora está e ele está. Vamos juntar as forças e conseguir.
Um tempo se passou
finalmente eu pude pedir demissão de onde trabalhava. Fiquei ainda por um tempo
procurando emprego e conseguir de meio período em uma editora como recepcionista.
Acompanhava sempre as novidades e pegava muitas dicas para os romances que eu escrevia.
Isso me ajudava a produzir e investir no meu sonho de ser uma romancista. A
gente passa tanto tempo a sonhar que quando vivemos o sonho sentimos falta de
sonhar. Estivermos por tanto tempo apenas sonhando.
Ao
sair do estabelecimento eu encontro Dieguinho.
– Já faz um tempo, Eleonor! Você sumiu. Como está você
a sua mãe?
– Estamos bem e a sua?
– Bem também. Eu passei na sua casa, mas eu precisei
de um tempo para processar tudo o que estava acontecendo.
– Eu entendo!
– Naquele dia... na verdade vocês estão juntos?
– O que? Não... ela é namorada do meu amigo.
– E você desistiu tão fácil assim?
– Me conformei. Não quero atrapalhar.
Paramos no meio do caminho por onde parecíamos ir juntos
para o mesmo lugar ele para e vou na frente. De longe ainda dizia.
– Confesso que foi divertido e bons os momentos que tivemos juntos depois de
anos que nos conhecíamos. Acho que por isso que chamamos o agora de presente,
pois ele é uma dádiva.
– E se eu disser que quero viver todos eles ao seu
lado. Dizia uma voz atrás de mim. Este sou eu, não sou perfeito, mas sou quem
te ama Eleonor. Eu buscava todo esse tempo o seu coração. Aqui o doutor, se
quiser o número dele, tem o misterioso que cobra dívidas interessado em você. Esses
são os que tiveram interessados em você. Pensa direitinho quem você vai
escolher. Ah tem um em especial que também sou eu. Quero viver todos os
presentes, o futuro, reviver o passado com você.
E eu não tinha como mensurar o meu amor por ele.
Nossas respirações arfaram suave ao desencostar do
lábios e nossos olhos se encontraram em uma harmonia que nunca achei que
existiria.
Ele parecia ter gostou tanto que não se importaria com
o que eu dissesse. Ele se aproxima mais uma vez e eu abaixo a cabeça como
subterfúgio. Ele não tenta me impressionar e me faz rir, não fica só me
bajulando.
Parecia que eu conseguia enxergara-lo mais velho, como
uma visão, que tudo que iria passar na vida seria ao lado dele e ele estaria ao
meu lado e conseguia ver a minha vida futura junto da dele e os momentos que
passaríamos. Foi nesse momento que eu soube que seria ele. Talvez meus
sentimentos já tivessem percebido antes que a minha cabeça que sempre foi ele,
ele seria o meu esposo. Uma nostalgia misturada com dijavu como se eu tivesse
vivido algo, mas não vivemos nada ainda.
– Você é mais brilhante que a pintura A noite estrelada de Vicent Van Gogh. Você é o acaso mais bonito que me fez despertar para o amor.
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